Drew Houston recusou oferta de compra feita pela Apple em 2009. Hoje, Dropbox tem 50 milhões de usuários

Amplamente detalhada na biografia de Steve Jobs , a capacidade de convencimento do fundador da Apple era uma das marcas registradas do executivo. Ela era tão conhecida que chegou a ser batizada de "campo de distorção de realidade". Jobs era capaz de convencer pessoas a tomarem atitudes aparentemente sem sentido apenas guiadas por suas palavras.

Houston, do Dropbox: oferta da Apple recusada
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Houston, do Dropbox: oferta da Apple recusada
Uma das poucas pessoas que podem ser gabar de ter resistido ao "campo de distorção de realidade" é Drew Houston, fundador do serviço de compartilhamento de arquivos Dropbox.

No fim de 2009, Jobs se encontrou com Houston e sugeriu que a Apple poderia comprar a empresa, mas Houston recusou. "Um dos motivos para recursar a proposta é que estávamos no início da empresa. E uma vantagem importante do Dropbox é que os usuários podem usar o serviço de qualquer plataforma. Então seria complicado nos vincularmos a uma plataforma específica", Houston disse em uma entrevista ao site Mixergy.

Pelo menos até agora, a decisão de Houston parece acertada. Criado no fim de 2008, o Dropbox fechou o ano de 2011 com 50 milhões de usuários. O serviço permite que seus usuários acessem documentos a partir de diversas plataformas (computadores, tablets e smartphones). Há uma modalidade paga, mas mais de 90% dos usuários usam a versão grátis, segundo a revista Forbes. Em outubro do ano passado, o Dropbox conseguiu US$ 250 milhões de investidores e atualmente é avaliado em US$ 4 bilhões.

Carreira começou aos 14

Filho de um engenheiro e uma bibliotecária, Houston é um nerd por excelência. Aos 14, ele já tinha algum conhecimento de programação e começou a investigar falhas de segurança em um jogo online. Os criadores do jogo logo contrataram o jovem para trabalhar na área de segurança de redes.

A partir daquele momento, Houston esteve sempre envolvido em startups. Quando começou a cursar Ciência da Computação no MIT, ele também passou a ler livros de gestão de negócios, área fundamental para quem queria ser, além de um excelente programador, um dono de empresa.

Ideia veio em viagem de ônibus

Após completar sua faculdade no MIT, Houston foi para o Vale do Silício para fundar uma empresa. A ideia para criar o Dropbox veio numa viagem de ônibus."No MIT tudo estava em rede. Mas depois que me formei, senti-me de volta à Idade da Pedra. Eu tinha que carregar um pen drive pra lá e pra cá, enviar coisas para meu próprio e-mail. Certa vez, numa longa viagem de ônibus, esqueci de levar o meu pen drive e fiquei frustrado por não ter o que fazer na viagem. Mas, como todo bom engenheiro, comecei a trabalhar em um código para um sistema de compartilhamento de arquivos", contou Houston ao Mixergy.

Em 2007, Houston e seu parceiro Arash Ferdowsi conseguiram um aporte de capital e o apoio logístico do Y Combinator, uma das incubadoras de empresas mais respeitadas do Vale do Silício. Na época, os amigos tinham uma rotina típica de programador: longas jornadas de trabalho regadas a junk food. Michael Moritz, um dos primeiros investidores Dropbox, visitou o apartamento que Houston e Ferdowsi dividiam na época e contou à Forbes que "ambos pareciam exaustos, havia muralhas de caixas de pizza e cobertores espalhados pelos cantos".

O esforço dos dois amigos foi compensado em setembro de 2008, quando conseguiram lançar a primeira versão oficial e estável do Dropbox. Desde então, o serviço cresceu rapidamente até atingir os atuais 50 milhões de usuários.

iCloud é "filho" do Dropbox

Atualmente, o desafio do Dropbox é enfrentar serviços similares de concorrentes bem maiores, como o iCloud , da Apple, as ferramentas do Google, e sistemas similares de armazenamento em nuvem criados por Acer, Samsung e outras empresas.

Jobs na apresentação do iCloud, serviço com funções similares ao Dropbox
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Jobs na apresentação do iCloud, serviço com funções similares ao Dropbox
No caso do iCloud, o Dropbox está praticamente enfrentando um "filho", já que o serviço da Apple tem recursos que seriam feitos pelo Dropbox, caso a empresa tivesse sido vendida.

Houston disse ao site TechCrunch no início deste ano que, durante o encontro de 2009 com Jobs, o fundador da Apple havia feito uma crítica ao serviço.

Segundo Jobs, o Dropbox não era um produto, mas sim um recurso. Com essa afirmação, Jobs queria dizer que o Dropbox não era um produto autossuficiente, mas sim um serviço complementar, que faria sentido somente quando atrelado a outros serviços ou equipamentos.

O raciocínio de Jobs parece ter sido implementado no iCloud, lançado em 2011. O serviço de sincronização de arquivos funciona completamente vinculado aos produtos da Apple.

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