Modelo permite que usuário esteja sempre com os recursos mais atuais do aplicativo, mas pode custar mais caro para quem usa poucos aplicativos da Adobe

NYT

Por David Pogue

Há um novo motivo para o Photoshop ser famoso. Sim, ele ainda é o programa que praticamente todo fotógrafo e designer na terra usa para retocar ou reimaginar fotos. Sim, ele ainda é o único programa de computador cujo nome é um verbo. Agora, porém, o Photoshop é também o software mais famoso que não se pode comprar. Você só pode alugá-lo, por um mês ou um ano por vez. Se parar de pagar, você mantém seus arquivos – mas perde a capacidade de editá-los.

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Novo Photoshop é vendido por meio de assinatura e ganha novos recursos
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Novo Photoshop é vendido por meio de assinatura e ganha novos recursos

É preciso pagar US$ 30 ao mês, ou US$ 240 ao ano [nota do editor: no Brasil, a Adobe cobra US$ 19,99 ao mês pela assinatura de um aplicativo único ou US$ 49,99 ao mês pela assinatura do pacote Creative Cloud. Quem já é usuário dos aplicativos tradicionais, pode pagar o preço promocional de US$ 29,99 ao mês pelo pacote completo.], pelo privilégio de usar a versão mais recente do Photoshop, chamada Photoshop CC. Ou, se quiser usar todo o pacote da Adobe (Illustrator, InDesign, Premiere e assim por diante), o valor ficará em US$ 600 ao ano.

A lista de preços é incrivelmente complexa. As taxas podem ser maiores ou menores dependendo de quantos programas você aluga, se você já possui alguma versão e qual delas, se você se comprometeu a um ano ou prefere alugar mês a mês. Há também taxas promocionais para o primeiro ano, descontos para estudantes e professores e um período gratuito de 30 dias. No entanto, você já entendeu: estamos presenciando o nascer do software como assinatura.

A Microsoft vem conduzindo um experimento similar com a versão mais recente do Office. Uma assinatura do Office 365 custa US$ 100 por ano [nota do editor: no Brasil, os pacotes do Office são oferecidos com preço a partir de R$ 179 ao ano]. Porém, há uma enorme diferença: alugar o Office é opcional. Se preferir, você ainda pode comprar o software.

Economia para usuário doméstico?

Deveria ser óbvio por que a Adobe está animada com o aluguel de softwares. Primeiro, o dinheiro é alto. Nem todos pagarão mais do que antes sob o novo plano. Se você usa três ou mais programas da Adobe e atualiza para as versões mais novas todo ano, o aluguel será uma economia.

Entretanto, se usa apenas um ou dois programas, você irá pagar muito mais com o aluguel – especialmente se tinha o hábito de atualizar apenas a cada dois anos, por exemplo. A matemática é a seguinte: o Photoshop CC sozinho custa US$ 240 ao ano. Antigamente, comprar a atualização anual custava US$ 200, e você não precisava atualizar todo ano. Em três anos, você podia gastar US$ 200 ou US$ 400; agora você gastará US$ 720. E a Adobe pode aumentar os valores de aluguel a qualquer momento. A cada ano, se desejar.

A Adobe também ganha porque um plano de aluguel ajuda a reduzir a pirataria. Apesar de seu nome (CC representa Creative Cloud, ou nuvem criativa em português), as novas versões do software na verdade não são armazenadas online. Você continua baixando o Photoshop, o Illustrator e os outros programas e rodando-os em seu computador. No entanto, o software baixado confere com a nave mãe a cada 30 dias, pela internet, se a assinatura está valendo. Se não estiver, seu uso fica bloqueado.

Finalmente, a Adobe ganha porque não fica mais comprometida com um implacável ciclo de lançamentos anual. Não haverá mais uma nova versão de cada programa todos os anos. Em vez disso, a Adobe diz que acrescentará novos recursos, grandes e pequenos, sempre que estiverem prontos. A empresa não decidiu se voltará a usar números (Photoshop CS4, CS5, CS6), mas, por enquanto, o nome é simplesmente Photoshop CC.

Até agora, a troca pelo plano de aluguel pode soar como uma péssima transação para muitos profissionais de criação, especialmente aqueles que têm orçamento apertado. E de fato, muitos deles estão horrorizados com a troca. Uma petição tocante (mas completamente inútil) conseguiu coletar 35 mil assinaturas. "Queremos que vocês reiniciem o desenvolvimento do Adobe Creative Suite 7 e de todos os programas futuros", diz o pedido. "Façam isso pelos freelancers. Pelas pequenas empresas. Pelo consumidor comum".

Mais do que a licença

A Adobe, entretanto, aponta que os clientes de aluguel obtêm grandes vantagens sobre o antigo sistema de compra. A maior delas, naturalmente, é aquele princípio de perpétuo refinamento. Você estará sempre atualizado com um software que está constantemente se aperfeiçoando.

A empresa também afirma que assinar o Photoshop oferece mais do que apenas o direito de baixar o software. A assinatura traz o acesso ao Behance, um portfólio online onde você pode exibir seus documentos criados com a Adobe e ler comentários de colegas criativos. Você também recebe 20 GB de armazenamento online para arquivos, no estilo Dropbox, para que possa trabalhar de onde estiver.

Outra vantagem: assim como antes, você pode usar programas alugados simultaneamente em dois computadores – mas agora, um pode ser um Mac e o outro uma máquina Windows. Finalmente, o que você ganha ao assinar é uma versão completamente nova do Photoshop (e dos outros programas que você usa). E não há dúvidas quanto a isso: a Adobe está introduzindo o CC com um pacote poderoso, elegante e bem projetado.

Novos recursos

O Photoshop tem um visual adorável. Mesmo ainda sendo incrivelmente complexo, ele é tão bem projetado quanto pode ser qualquer programa com muito mais de 500 comandos no menu. Ele exige um computador novo e de alta potência (Mac OS X 10.7 ou Windows 7, no mínimo), mas abre muito mais rápido do que antes.

O novo recurso mais falado é a Redução de Tremor, criada para corrigir fotos borradas porque a câmera se moveu levemente durante a exposição. A Redução de Tremor não salva fotos que estão borradas porque o modelo estava se movendo. E mesmo em imagens onde a câmera tremeu, ela nem sempre funciona bem. Em algumas ocasiões, porém, ela consegue uma verdadeira mágica.

O Photoshop está ainda mais impressionante quando se trata de redimensionar uma imagem. Está muito mais fácil diminuir fotos, e ampliá-las ficou incrivelmente melhor. Basicamente, ele cria pixels onde não existia nenhum, transformando (por exemplo) uma foto de 2 megapixels em uma de 4 megapixels – sem prejudicar a imagem como se esperaria.

Outras melhorias estão por toda parte. Aumentar a nitidez de uma imagem funciona melhor, assim com o comando Dissolver (que lhe permite manipular uma foto como se ela estivesse impressa em taffy). Recursos para editar modelos 3D agora fazem parte da versão padrão do Photoshop. Você pode salvar estilos de texto e eles se tornam reutilizáveis para outros documentos. Muitas partes do Photoshop foram atualizadas para ficarem mais nítidas nas telas Retina da Apple.

Fotógrafos vão amar o fato de que o Camera Raw, módulo separado que processa arquivos RAW (arquivos de foto enormes e não processados de câmeras de alta qualidade), agora pode agir como um filtro – você pode aplicar seus ajustes a qualquer momento, e não apenas quando abre os arquivos.

Em outras palavras, as melhorias de software são bem-vindas. O novo formato de preços pode não ser. Como o programa de aluguel da Microsoft é opcional, a empresa tem um constante incentivo para melhorar a oferta. E de fato, desde que lançou o Office 365, em março, a Microsoft já acrescentou uma enxurrada de novos recursos à oferta de aluguel. Todavia, a Adobe não está oferecendo o plano de aluguel – ela o está impondo.

Existem alternativas ao Photoshop, naturalmente. Elas incluem o ACDSee, o PaintShop Pro, o Pixelmator e o Photoshop Elements – este também da Adobe, mais fácil de usar, mas menos poderoso (o Elements e o Lightroom seguem com opção de compra, a propósito).

Por outro lado, encaremos os fatos: a maioria dos profissionais acha que precisa do Photoshop. Assim, o incentivo da Adobe de continuar aperfeiçoando esses programas não é exatamente a vida ou a morte. Ninguém sabe quais melhorias a Adobe pretende adicionar, quantas elas são, com que frequência elas virão ou de quanto será a taxa de assinatura no próximo ano. A Adobe está simplesmente dizendo: "Confiem em nós".

Confiando ou não, o certo é que o grande cenário mudou. Daqui para frente, você não vai assinar cheques mensais apenas para sua hipoteca, a conta de luz ou a TV a cabo. Agora há mais uma conta a pagar – a do seu software de edição de fotos.

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