As placas de LED recriam o movimento natural da luz e das nuvens

Projeto recria o ceu e as condições naturais de luz
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Projeto recria o ceu e as condições naturais de luz
Por Fernanda Morales

Passar longas horas dentro de um escritório sem ver a luz do dia é uma das principais reclamações de quem trabalha em locais fechados. Pensando nisso, engenheiros do Fraunhofer Insitute for Industrial Engeneering ( IAO ), em Stuttgart, Alemanha, criaram um sistema que recria os movimentos de luz do céu no teto de uma sala fechada.

O mecanismo nada mais é do que um teto com sistema de movimento dinâmico, como se os trabalhadores estivessem acompanhando a movimentação das nuvens durante o dia sem precisar sair de suas mesas.

Os pesquisadores do IAO trabalharam em parceria com a LEiDs GmbH, uma empresa especializada em tecnologias de LED , para recriar no teto as condições naturais da luz e do movimento das nuvens.

O teto é composto por placas quadradas, de 50 centímetros por 50 centímetros, que abrigam 288 diodos emissores de luz (os famosos LEDs). “Um filme difusor em branco fosco é ligado a aproximadamente 30 centímetros abaixo dos LEDs e garante que os pontos individuais de luz não sejam percebidos como tal. Este filme difusor cria uma iluminação homogênea que é capaz de iluminar toda a sala”, afirmou Dr. Mathias Bues, chefe do projeto.

Uma combinação de diodos vermelhos, azuis, verdes e brancos é utilizada para recriar o espectro de luz completo, que é capaz de se traduzir em mais de 16 milhões de possibilidades de matizes. Isso permite que o sistema recrie com precisão as mudanças de luz ao longo do dia. Veja que que não se trata de telas LCD iluminadas a LED , mas sim de um dispositivo que emprega centenas de “lampadinhas LED ” para criar a imagem do céu no teto.

O céu artificial foi desenvolvido com a ideia de melhorar a concentração e atenção dos trabalhadores de escritórios.

Por enquanto, o protótipo possui 34 metros quadrados e utiliza 32.560 LEDs para promover uma intensidade de luz de mais de 3.000 lux. Uma pequena parte deste protótipo será exibida durante a CeBit, que acontecerá em março de 2012 em Hanover, Alemanha.

Os interessados em adquirir um céu virtual para seus escritórios terão que desembolsar mil euros, aproximadamente US$ 1.290, por metro quadrado.

Entenda os LEDs

LED quer dizer Ligh Emitting Diode, ou diodo emissor de luz. Os LEDs usam uma pastilha de silício (o mesmo material usado nos chips de computador) “dopada” com Arsenito de Gálio e outros elementos. Essa pastilha de silício, quando percorrida por eletricidade, ilumina-se. A grande sacada é que a energia gasta para acender o LED é muito menor do que a gasta para acendeu uma lâmpada incandescente comum, dessas de filamento, de mesma luminosidade.

Quando foi inventado, na década de 1960, o LED servia apenas pra substituir lampadinhas em painéis de aparelhos – já era uma alternativa menor, que esquentava menos e consumia menos energia. Mas não servia para muito mais além disso – e eram encontrados apenas na cor vermelha (os LEDs verdes e amarelos surgiram muito tempo depois).

Com o passar do tempo, os LEDs foram ganhando novas cores (inclusive a imprescindível luz branca) e foram ficando ainda mais eficientes e ganhando mais luminosidade. Hoje, são tão luminosos que podem iluminar painéis de LCD – a sua TV “de LED ” na verdade é de LCD , só que iluminada com LEDs em vez de lâmpadas fluorescente como nos modelos antigos.

A eficiência (ou seja, quanto o LED “economiza” de energia para iluminar o ambiente) sempre foi muito grande – seguramente maior que 70%, e hoje batendo nos 90% com o aprimoramento da tecnologia. O grande problema dos LEDs antigos sempre foi o fato de que, para substituir as lâmpadas, precisavam mostrar uma luminosidade muito grande, e eles sempre foram “fraquinhos” – além, é claro de custar bem mais caro do que as tecnologias incandescente e fluorescente. Esses obstáculos finalmente vão ficando para trás.

Diz-se que os LEDs são “lâmpadas de estado sólido” porque são isso mesmo: o chip de silício e o invólucro plástico formam um só bloco. As lâmpadas fluorescentes (conhecidas como “luzes frias”), por outro lado, são ocas e contém um gás especial, mais alguns componentes químicos (tóxicos) como sódio, flúor e chumbo. Já as lâmpadas incandescentes possuem, dentro do bulbo oco, um gás inerte e um filamento de tungstênio – e esquentam bastante.

Enquanto a eficiência de um LED pode chegar a 90% (só perde em calor de 10% a 30% da energia elétrica consumida, o resto é luz), uma lâmpada incandescente faz justamente ao contrário: de 5% a 15% é tranformado em luz, o resto é tudo perdido em calor – um verdadeiro crime ecolóigico e econômico. As fluorescentes ficam no meio do caminho.

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