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Aos 40 anos, Atari tenta se manter relevante

Depois de reinar absoluta no início dos 1980 e fracassar nas décadas seguintes, empresa foca em jogos para celulares

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Por Barbara Ortutay

Um desarrumado Steve Jobs trabalhou na Atari antes de criar a Apple. O Pong, um dos primeiros jogos eletrônicos do mundo, foi criado ali, assim como Centipede, um clássico dos fliperamas de moedas. A Activision, criadora de Call of Duty e outros sucessos, foi fundada por ex-funcionários da Atari.

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A tradicional companhia de videogames completou 40 anos no último mês de junho, mais magrinha enquanto tenta se manter relevante em tempos de Angry Birds.

A influência da Atari nos videogames de hoje, no entanto, permanece.

A Atari não foi a primeira empresa a criar videogames, mas foi a primeira a marcar uma geração inteira com seus produtos. Ainda hoje há muitos fliperamas para nostálgicos, que reúnem fãs de games antigos como Asteroids, Joust e Centipede.

Lançado em 1977, o videogame Atari 2600 foi o primeiro console a estar em milhões de lares, bem antes do NES (1985), Playstation (1994) e Xbox (2001).

As gerações mais jovens podem não entender como o Pong, aquela versão simplória de um jogo de tênis, conseguiu lugar em milhares de salas e fliperamas nos anos 1970. Mas eles certamente reconhecem alguns elementos do Pong nos jogos de hoje, uma mecânica “fácil de aprender, difícil de dominar” baseada em princípios simples de física, como o Angry Birds.

“Para dezenas de milhões de pessoas nascidas nos anos 1970 e 80, a Atari é um ícone cultural, uma parte importante da infância”, diz Scott Steinberg, autor do livro "The Modern Parent's Guide to Kids and Video Games”.

Pong foi o primeiro jogo social

Segundo o autor, Pong foi de certa forma o primeiro videogame social, criado para ser jogado em bares, em casa ou em fliperamas, com um público em volta acompanhando as partidas.

Lançado em 1972, o Pong mostrava uma tela em preto-e-branco (só preto e branco mesmo, sem tons de cinza), dividida por uma linha. Duas linhas pequenas no canto da tela eram controlados por dois jogadores. O objetivo era evitar que um ponto branco (a bola) passasse pelo jogador.

Com o Pong, a Atari levou o videogame para as massas, assim como Microsoft e Apple levaram o computador para um público mais amplo no início dos anos 1980.

“Me faz perceber que estou ficando velho”, diz Nola Bushnell, um dos fundadores da Atari. “Tenho 69 anos, o que quer dizer que tinha 29 anos quando criei a Atari”.

Não é preciso pensar muito para chegar a outros exemplos de jovens que criaram empresas de tecnologia. Mark Zuckerberg tinha só 19 anos quando começou a criar o Facebook. Mas, nos anos 1970, segundo Bushnell, “ninguém com 20 e poucos anos abria empresas. De algum modo a Atari abriu caminho para a Apple, Microsoft e outros”.

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Nolan Bushnell: Atari apostava na criatividade

Bushnell diz que a Atari teve sucesso em seu início porque estimulava ideias de seus engenheiros e programadores.

“Nós dominamos o mercado não devido a boas ações de marketing ou infraestrutura, mas sim devido à nossa criatividade”, diz Bushnell. “A herança da Atari: a criatividade é uma arma poderosa. E a Apple mostrou isso de certa forma também”.

Jobs tinha apenas 19 anos quando foi trabalhar na Atari, com salário de US$ 5 por hora. Ele trabalhava no turno da noite porque os funcionários do turno do dia não se davam bem com ele e não suportavam seu mau cheiro, segundo a biografia recente de Jobs, escrita pelo jornalista Walter Isaacson.

Ele não ficou muito tempo lá. Jobs deixou a Atari em 1974 para viajar para a Índia e fundou a Apple dois anos depois.

Jogos para todos os gostos

Dona Bailey, que fez parte da equipe que criou o jogo Centipede, lembra que a Atari tinha um livro com cerca de 30 ideias para jogos.

“A maior parte envolvia lasers”, diz Dona, a única programadora mulher na divisão da Atari em 1980, quando foi contratada. “Eu não me interessava muito por jogos de guerra, ou violência”.

As únicas ideias que não tinham nada a ver com “atirar ou destruir coisas” eram duas frases sobre um inseto que começava no alto da tela e descia até onde estava o jogador. Havia tiros, pois o jogador tinha que destruir o inseto. Mas, segundo Dona, “não parecia tão ruim atirar em um inseto”.

Assim, nasceu o jogo Centipede.

A Atari, segundo o autor de livros Steinberg, criou muitos dos conceitos que hoje são populares em games. Jogos devem ser atraentes para homens e mulheres, e devem ter um aspecto social, permitindo competição entre várias pessoas.

A Atari “definiu o videogame não só como um produto, mas como um movimento social”, diz Steinberg.

Mas agora existe uma diferença de gerações. Para quem nasceu nos anos 1980 ou depois, o nome Atari evoca um respeito por um ícone do passado, na melhor das hipóteses. Na pior, um olhar de perplexidade.

“Ela pode se recuperar, mas ainda existe a dúvida se o lugar da Atari é entre os grandes estúdios, como Activision e Electronic Arts, ou em um futuro definido apenas por seu próprio passado”, diz Steinberg.

A crise de 1983

A Activision, que atualmente cria sucessos como Call of Duty e Diablo III, foi fundada em 1979 por ex-funcionários da Atari, descontentes com o pouco reconhecimento de seu trabalho.

Enquanto a Activision cresceu, a Atari encolheu. Depois de se consolidar no mercado de videogames, a Atari foi vendida para o grupo Warner em 1976 e, daí por diante, só deu prejuízo. Em 1978, Bushnell foi afastado da empresa após disputas internas com a cúpula da Warner.

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E.T.: um dos piores jogos de todos os tempos

Enquanto isso, outras empresas tentaram pegar carona no sucesso do Atari 2600. Mas elas inundaram o mercado com jogos de baixa qualidade. Era uma corrida ao ouro, mas não havia ouro no fim do caminho.

A Atari contribuiu com essa queda de qualidade com E.T, o extraterrestre, um dos piores jogos de videogames já criados.

“Eles tentaram fazer um jogo em seis semanas”, diz Stephen Jacobs, professor de mídia interativa do Rochester Institute of Technology, localizado em Nova York. “Eles fabricaram um milhão de unidades de um jogo horrível. Mas eles acreditavam que o jogo seria um sucesso. E ele acabou arruinando a Atari”.

Era Natal de 1982. O que se seguiu é o episódio conhecido como “o grande crash dos videogames de 1983”. As pessoas simplesmente pararam de comprar jogos.

Empresas começaram a falir e a Atari logo foi vendida para um investidor chamado Jack Tremiel. Na década seguinte, a Atari fez computadores, um videogame chamado Jaguar e um videogame portátil chamado Lynx. Todos os produtos fracassaram.

A Atari foi então passada para a empresa de brinquedos Hasbro e depois para a francesa Infogrames Entertainment, que atualmente controla a companhia.

Celulares são aposta para futuro

De olho no mercado de smartphones e consciente do valor de suas marcas, a Atari atualmente cria jogos para celulares do tipo Centipede: Origins e Breakout Boost, uma versão de um jogo em que Steve Jobs trabalhou durante sua passagem pela empresa.

“O legado é que a Atari está essencialmente onde tudo começou”, diz Jim Wilson, o atual CEO da empresa.

Então, a Atari está vivendo do passado?

“Em certa medida, quase todas as empresas de entretenimento vivem um pouco de seu passado. É por isso que temos sempre continuações de filmes, livros e jogos de sucesso”, diz o professor Jacobs. Por que investir em novas ideias quando você pode espremer ideias antigas ao máximo e ainda ganhar dinheiro?”.

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