Empresa é a mais valiosa do mundo e seus produtos são sucessos de vendas, mas a falta de recursos inéditos gera dúvidas sobre futuro da companhia

A próxima sexta-feira (5) marca um ano da morte de Steve Jobs , fundador da Apple. Considerado um visionário do mundo da tecnologia e com estilo personalista e agressivo, Jobs era a “alma” da Apple. Metódico, ele dava a palavra final em cada detalhe de software e hardware produzidos pela empresa.

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Por isso, logo após sua morte, analistas questionaram se a Apple conseguiria manter a liderança no mercado de tecnologia sob a liderança de Tim Cook, nomeado CEO da empresa poucos meses antes da morte de Jobs .

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Levando-se em conta critérios financeiros e de vendas de produtos, não há dúvidas: a empresa continua muito bem. A Apple é a companhia mais valiosa do mundo e suas ações continuaram a subir após a morte de Jobs . Além disso, o novo iPad e o iPhone 5, produtos mais importantes lançados após a morte de Jobs, bateram recordes de vendas .

Concorrência acirrada

Os maiores desafios da Apple, porém, ainda estão por vir. Segundo reportagem da Bloomberg BusinessWeek , o iPhone 5 foi o último produto da Apple que contou com alguma supervisão de Jobs. A partir de agora, Cook e seus principais executivos terão que criar novos produtos e estratégias sem a referência do lendário fundador da empresa.

A equipe de Cook terá que fazer isso em um cenário cada vez mais competitivo. Quando Jobs lançou o primeiro iPhone, em 2007, não havia no mercado nenhum aparelho que chegasse perto do smartphone da Apple. Somente dois anos depois começaram a surgir os primeiros concorrentes de nível similar ao aparelho da Apple.

A história se repetiu com o iPad, em 2010. Inicialmente esnobado por alguns críticos como apenas um “iPhone gigante”, o iPad criou o segmento de tablets e até hoje domina essa categoria, com mais de 84 milhões de unidades vendidas desde seu lançamento.

Galaxy S III, um dos principais concorrentes do iPhone 5
Getty Images
Galaxy S III, um dos principais concorrentes do iPhone 5

O cenário atual, porém, é diferente. Empresas como Samsung, Nokia, HTC e Motorola produzem aparelhos tão bons quanto o iPhone e até melhores em alguns quesitos.

Elas contam com o apoio de outros gigantes, Google e Microsoft, que fornecem os sistemas operacionais (Android e Windows Phone, respectivamente) para os smartphones.

Entre os fabricantes de celulares, a principal rival é a coreana Samsung. Com o sucesso da linha Galaxy, a empresa se tornou a maior fabricante de celulares do mundo .

Diferentemente da Apple, que trabalha apenas no segmento de aparelhos sofisticados, a Samsung oferece smartphones com Android a partir de R$ 400 até R$ 2.100 (preço do Galaxy S III , modelo mais sofisticado da Samsung e principal concorrente do iPhone 5).

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A variedade de preços e tamanhos de tela ajudou a Samsung a atingir segmentos de usuários que a Apple não cobre, principalmente em países emergentes. Outras empresas asiáticas, como ZTE e Huawei, também têm tido sucesso com smartphones mais baratos voltados para consumidores com menor poder aquisitivo.

No mercado de tablets, da liderança da Apple ainda é folgada. Mas o IDC prevê que aparelhos com Android devem superar o iPad até 2015 .

iPhone 5: reação em vez de inovação

O exemplo mais recente dos desafios que a Apple terá que enfrentar é o iPhone 5. Lançado no dia 21 de setembro deste ano em nove países, o aparelho esgotou nas lojas após a venda de cinco milhões de unidades.

Fila do iPhone 5 em Roma: aparelho é sucesso de vendas
EFE
Fila do iPhone 5 em Roma: aparelho é sucesso de vendas

Apesar desse sucesso de vendas, o iPhone 5 foi criticado por não trazer nenhum recurso inovador .

O capricho no design e a engenharia meticulosa do aparelho ganharam elogios de críticos e fãs.

Mas muitos analistas observaram que o iPhone 5 não trouxe nenhum recurso realmente inédito e que algumas das novidades, como a tela maior e o suporte a redes 4G, já estão presentes há algum tempo em smartphones com sistemas Android e Windows Phone.

iPad Mini: novamente correndo atrás

Outro exemplo de que a Apple estaria indo atrás de novas tendências, em vez de ditá-las, é o iPad Mini, versão menor do iPad que deve ser lançada ainda este mês .

Desde o lançamento do primeiro iPad, a Apple manteve a tela do aparelho do mesmo tamanho. Em uma declaração típica de Jobs, o executivo chegou a dizer, durante reunião com acionistas da Apple em 2010, que tablets de 7 polegadas eram uma “completa bobagem” e que o tamanho reduzido da tela nunca ofereceria uma boa experiência de uso.

Entretanto, o sucesso de tablets de 7 polegadas, como o Kindle Fire e o Nexus 7, do Google, vem provando que a Apple pode ter cometido um erro ao ignorar esse mercado. Menores e mais fáceis de carregar, os tablets do Google e da Amazon vêm atraindo principalmente quem quer usar esses aparelhos no transporte público.

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Com o iPad Mini, a Apple tentará entrar também nesse mercado. Espera-se que o aparelho tenha tela de 7,85 polegadas e preço na casa de US$ 200, similar ao de outros aparelhos com tamanho parecido.

Pelo que se sabe até agora, o iPad Mini também não trará nenhum recurso revolucionário. É provável que seja um sucesso de vendas, devido ao histórico de bons aparelhos da Apple e à lealdade de seus usuários. Mas quem espera por inovação terá que aguardar um pouco mais.

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