Preço mais baixo no varejo por conta da Lei do Bem e “pressão social” ajudam a impulsionar vendas desses aparelhos, que devem representar 45% das vendas no último trimestre deste ano, segundo a IDC

No último trimestre deste ano, os smartphones chegarão perto dos celulares básicos em vendas no Brasil. Segundo a consultoria IDC antecipou com exclusividade ao iG , os smartphones devem representar 45% do total de celulares vendidos nos últimos três meses do ano. Fabricantes como Samsung e LG estão mais otimistas e esperam que, até o final do ano, os smartphones superem os celulares básicos em vendas pela primeira vez.

LEIA TAMBÉM:
Veja todas as análises de smartphones do iG
Com o
 apoio da Samsung, Intel tenta ganhar força em smartphones

Smartphones podem superar celulares básicos em vendas até o final do ano, dizem fabricantes
Getty Images
Smartphones podem superar celulares básicos em vendas até o final do ano, dizem fabricantes

"Podemos ter mais [vendas de] smartphones do que feature phones este ano, seria algo excepcional. Os fabricantes já acreditam nisso", diz Leonardo Munin, analista de mercado do IDC. A fatia de 45% representa pouco menos que o dobro da participação que os smartphones tinham no mercado no final de 2012, quando esses aparelhos respondiam por 28% das unidades comercializadas em lojas de varejo e operadoras no País.

Os números mudam rápido no mercado de celulares no Brasil. Apenas no primeiro trimestre de 2013, os smartphones alcançaram 38% do total de vendas de celulares no País. Em abril, por conta do Dia das Mães, as vendas desses aparelhos já saltaram para 48% do total comercializado no Brasil. “Os preços estão caindo, por conta da Lei do Bem, e as vendas devem acelerar no final do ano”, diz Munin. No total, o mercado brasileiro de smartphones deve chegar a 28 milhões de unidades em 2013, alta de 79% em relação ao ano passado.

O uso dos smartphones, que até recentemente era restrito, aos poucos se expande para além das grandes capitais, como São Paulo e Rio de Janeiro. O tradutor Paulo Ridgeford, 29, morador de Belém (PA), por exemplo, acaba de comprar seu primeiro smartphone. Ele escolheu o Lumia 820, fabricado pela Nokia. “Sempre tive outras prioridades, como pagar a faculdade. Então só comprei agora, depois de pesquisar qual plataforma me agradava mais”, diz Ridgeford.

O aparelho, segundo o tradutor, facilitou o uso de redes sociais, em especial o Twitter, além de ajudar nos negócios. Ridgeford também usa o Lumia 820 para monitorar as vendas de sua loja online de lingerie. O aparelho, que custou R$ 1,6 mil, usa um plano de dados 3G pré-pago para se conectar a internet. “Eu tenho rede Wi-Fi em casa e no trabalho, então o plano pré-pago é suficiente para checar os e-mails e acompanhar o Twitter”, diz Ridgeford.

Efeito “manada”

Com mais pessoas usando o smartphone, quem tem aparelhos mais simples sente mais vontade de trocar seu celular por outro mais avançado . “Um dos fatores que impulsionam os smartphones no Brasil é a ‘pressão social’. Estamos em um momento de forte demanda por tecnologia”, diz Roberto Soboll, diretor de produtos para telecom da Samsung no Brasil. De olho neste mercado, as grandes empresas de smartphones têm investido em lançar opções para quem busca o primeiro smartphone , mas não quer gastar muito.

O incentivo fiscal concedido pelo governo, que incluiu os smartphones na chamada Lei do Bem em 11 de abril, também contribui para o aumento na venda dos aparelhos. O pacote, que já contemplava computadores, passou a beneficiar também os smartphones fabricados no País. Para ter direito ao desconto nos impostos PIS e Cofins no varejo (que somam uma alíquota de 9,25%), os smartphones precisam ser compatíveis com redes 3G, ter com um pacote mínimo de aplicativos desenvolvidos no Brasil pré-carregado e preço de até R$ 1,5 mil.

Veja na galeria de fotos abaixo alguns smartphones à venda no mercado brasileiro:

Segundo Munin, da IDC, nas linhas de smartphones topo de linha, os preços dos aparelhos caíram entre R$ 50 e R$ 200. Nas linhas de smartphones “de entrada” e com preço intermediário, os descontos ficaram entre R$ 50 e R$ 100. É o caso do Xperia E Dual , fabricado pela Sony Mobile, que chegou ao mercado no início de 2013 por R$ 549 e passou a ser vendido por R$ 499 após a Lei do Bem. “É uma queda de preço significativa, quase 10% do valor do aparelho”, diz Ana Peretti, diretora de marketing da Sony Mobile.

A Samsung é uma das fabricantes mais otimistas do que a IDC sobre o crescimento do mercado de smartphones no Brasil. Segundo Soboll, as vendas podem ser ainda maiores que 50% do total. “É possível que os smartphones representem 50% ou até mais do mercado total no último trimestre deste ano”, diz o executivo. Atualmente, segundo a IDC, Samsung, Nokia, LG, Motorola e Apple são as principais fabricantes de smartphones no Brasil. O sistema operacional Android está presente em 87% dos smartphones vendidos no primeiro trimestre de 2013.

Com o resultado, o Brasil se aproxima da média mundial em vendas de smartphones. Em abril de 2013, os smartphones superaram a venda de celulares básicos pela primeira vez em todo o mundo. Do total de 418,6 milhões de celulares vendidos pelos fabricantes no primeiro trimestre de 2013 em todo o mundo, segundo a IDC, 216,2 milhões eram smartphones, ou 51,6% do total.

Fabricantes se animam

O crescimento acelerado nas vendas de smartphones é uma boa notícia para os fabricantes. Como os aparelhos mais avançados são mais caros, as empresas ganham mais dinheiro com cada unidade vendida. Segundo Jan Petter, diretor de vendas de celulares da LG Electronics do Brasil, as vendas de smartphones representarão 70% da receita das fabricantes com a venda de celulares até o final do ano, embora representem 50% das unidades vendidas.

“Os smartphones serão 50% do volume na média do ano, mas esse número pode ser maior”, diz Petter. “A expectativa da LG é de dobrar as vendas da categoria de celulares no Brasil em 2013.” A empresa, que fabrica smartphones recém-lançados no País como o Optimus G e o Nexus 4 , não informa a expectativa de crescimento especificamente para smartphones.

Além dos fabricantes de aparelhos, as operadoras ganham com o crescimento da categoria de smartphones. “Há uma oportunidade para a venda de serviços, como pacotes de dados de internet que serão consumidos por estes dispositivos”, diz Munin, da IDC. De acordo com a consultoria, a venda de smartphones por meio de lojas de operadoras representou 60% do total nos primeiros três meses de 2013.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.