Bitcoin: Como a moeda virtual funciona

Por Claudia Tozetto - iG São Paulo

compartilhe

Tamanho do texto

Saiba como surgiu o Bitcoin e de que maneira internautas de todo o mundo estão ajudando a colocar mais moedas virtuais em circulação

Com a popularidade do Bitcoin, moeda virtual que valorizou mais de 900% desde sua chegada ao Brasil, cresce o interesse de internautas em todo o mundo em comprar, vender e ajudar o sistema a colocar mais moedas em circulação na internet. Contudo, pouca gente entende como a moeda virtual realmente funciona. A seguir, o iG responde às principais dúvidas sobre o que é o Bitcoin e quais as suas diferenças em relação às moedas reais:

O que é o Bitcoin?

O Bitcoin, moeda virtual não atrelada a governos ou bancos, foi inventado em 2009 por um programador identificado pelo pseudônimo Satoshi Nakamoto, que a chama de “primeira moeda digital descentralizada”. Ao contrário de outras moedas eletrônicas, que existiam só no universo virtual (como o Linden Dollar, do Second Life), o Bitcoin pode ser usado para comprar bens reais, como a assinatura de serviços de backup em nuvem ou eletrônicos por meio da internet.

Conheça as máquinas de fazer dinheiro (virtual)

Getty Images
Bitcoin, moeda virtual criada em 2009, é vendida no Brasil com "cotação" superior a R$ 300

Qual a diferença do Bitcoin em relação às moedas reais?

Uma das principais características do Bitcoin é o alegado anonimato dos usuários. A moeda não existe de forma palpável, cada transação é somente um código alfanumérico trocado entre quem vende e compra algo. Como não há bancos ou governos centralizando as operações, elas são praticamente impossíveis de serem rastreadas. Alguns especialistas, contudo, afirmam que uma negociação de grande valor poderia ser identificada através da triangulação de informações.

Como o Bitcoin funciona?

Os Bitcoins funcionam com base em uma rede de dados ponto-a-ponto (P2P), onde cada computador que está conectado à rede funciona como cliente e servidor. De acordo com Leandro Cesar, CIO do Mercado Bitcoin, uma pequena parte do banco de dados que registra as transações realizadas em Bitcoins fica armazenada em cada computador que faz parte da rede. Dessa forma, não há um banco de dados central que registre todas as operações.

O banco de dados de transações é composto por uma série de blocos encadeados. Para formar cada bloco, que é criado por um número variável de transações de Bitcoins a cada 10 minutos, a rede depende do poder computacional das máquinas ligadas a ela. Por meio de um aplicativo, os computadores tentam “quebrar” chaves criptográficas. Depois de várias tentativas e erros, um novo bloco de transações é formado. Este processo é conhecido como mineração de Bitcoins.

Como os mineradores ganham Bitcoins?

Conforme aumenta o número de computadores na rede dos Bitcoins, maior é o nível de dificuldade encontrado pelas máquinas ao tentar quebrar as chaves criptográficas, processo necessário para gerar um bloco de registros de transações. Assim, para quebrar apenas uma chave criptográfica, um grande conjunto de computadores pode ser necessário.

Ao conseguir quebrar uma chave, o sistema que gerencia a rede do Bitcoin libera 25 novas moedas, que são distribuídas entre os computadores que “emprestaram” seu poder de processamento para quebrar a chave criptográfica. Dessa forma, quem minera Bitcoins ganha moedas para comprar produtos ou serviços ou vendê-las para outro internauta e obter dinheiro real.

O processo de mineração, porém, é finito e já tem data para acabar. A moeda será minerada em ritmo cada vez menor até 2030, quando a quantidade de Bitcoins em circulação chegará a 21 milhões. Com a escassez de novas moedas no mercado, é provável que o valor de cada moeda se mantenha em um patamar alto.

Como se tornar um minerador de Bitcoins?

Em teoria, qualquer pessoa pode se tornar um minerador se tiver um computador com conexão de internet. É preciso baixar um aplicativo específico para minerar Bitcoins, como Bitcoin-Qt ou o MultiBit, além de um aplicativo de carteira virtual. Este último será responsável por gerenciar as moedas virtuais obtidas pelo usuário por meio da mineração de Bitcoins ou por meio da compra em sites especializados.

Contudo, embora seja possível minerar Bitcoins com computadores domésticos, é cada vez mais difícil ganhar Bitcoins, já que o usuário tem pouco poder computacional para oferecer. Além disso, o custo da energia elétrica gasta para manter o computador funcionando derruba os lucros. Por conta disso, já existem empresas que oferecem computadores com processadores desenvolvidos especificamente para minerar Bitcoins.

O custo das máquinas é alto e, apesar do alto consumo de energia, há quem opte por usar a unidade de processamento gráfico (GPU) do computador para minerar Bitcoins. Com ela, é possível alcançar um número de tentativas de quebra da chave criptográfica até 10 vezes maior do que com um processador tradicional.

Quanto vale um Bitcoin?

Como não há uma entidade que centraliza a gestão da moeda Bitcoin, o preço varia em cada país e pode, inclusive, ser negociado livremente entre quem compra e vende a moeda. No principal site de negociação da moeda virtual, o site MtGox, a cotação de cada Bitcoin está em US$ 177,30 (cerca de R$ 425,60). Atualmente, há cerca de 11,5 milhões de Bitcoins em circulação em todo o mundo.

De acordo com o Mercado Bitcoin, principal site de compra e venda de Bitcoins no Brasil, por volta de 50 mil Bitcoins já foram vendidos no Brasil desde a chegada da moeda virtual no País. Atualmente, segundo Cesar, a “cotação” de cada Bitcoin no Brasil no final de agosto estava em torno de R$ 314 a unidade.

Leia tudo sobre: bitcoinmineraçãomoeda virtualcriptografia

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas