Conheça as máquinas de fazer dinheiro (virtual)

Por Claudia Tozetto - iG São Paulo | - Atualizada às

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Fabricantes de PC criam computadores voltados exclusivamente para mineração da moeda virtual Bitcoin

Em março de 2013, toda vez que Henrique Matos, empresário do ramo hospitalar, chegava ao seu apartamento em Brasília (DF), sentia-se como se estivesse dentro de um forno. O calor e o barulho que tomavam conta da residência vinham de um dos quartos, onde estava seu computador. A máquina ficava ligada 24 horas, sete dias por semana, operando no pico mais alto de processamento. Antes um desktop comum, o computador havia sido transformado em um minerador de bitcoin, moeda virtual que também pode ser usada para comprar bens reais.

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Máquina de minerar bitcoins da Avalon está esgotada no mercado, devido a alta demanda. Custa US$ 1,3 mil. Foto: ReproduçãoCom poder de processamento de 4 Gigahashes por segundo, máquina mais barata da Butterfly Labs custa US$ 274. Foto: ReproduçãoMáquina BitForce com capacidade para 25 Gigahashes por segundo custa US$ 1.250. Foto: ReproduçãoPoder de processamento do segundo modelo mais avançado da Butterfly Labs é de 50 Gigahashes por segundo. Modelo custa US$ 2,5 mil. Foto: ReproduçãoMáquina mais avançada da linha BitForce tem capacidade para 500 Gigahashes e custa mais de US$ 22 mil. Foto: Reprodução

Para ganhar bitcoins, os participantes da rede têm que usar o poder de processamento de seus computadores para entrar em uma espécie de desafio, no qual o poder computacional é usado para quebrar uma chave criptográfica. A cada dez minutos, a chave é quebrada e 25 bitcoins são distribuídos aos participantes da rede. O valor da moeda varia um pouco de um site de câmbio para outro. Atualmente, no maior site de câmbio de bitcoins (MTGox), um bitcoin equivale a US$ 136 (cerca de R$ 300).

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A experiência de Matos com a mineração de bitcoins durou apenas um mês. Neste período, ele conseguia ganhar três centavos de bitcoin por dia, mais do que gastava com energia elétrica – o maior gasto de quem resolve minerar bitcoins em casa. “Antes de decidir minerar, fiz um cálculo e vi que minha conta de luz aumentaria entre R$ 40 e R$ 50. Como ganhei mais de R$ 200 nesse período, então compensou”, diz Matos.

Supermáquinas

Ganhar bitcoins com computadores caseiros, no entanto, é cada vez mais difícil. Com o aumento do número de máquinas na rede, somente quem tem computadores muito poderosos tem chance de ganhar um volume significativo de bitcoins. “A dificuldade é proporcional ao poder computacional que existe na rede, que atualmente é de 430 Gigahashes por segundo”, explica Leandro Cesar, do Mercado Bitcoin. Cada hash representa uma tentativa do computador de quebrar a chave criptográfica.

Para resolver esse problema, fabricantes de computador passaram a criar máquinas com chips ASIC (circuitos integrados para aplicações específicas, na sigla em inglês) para minerar bitcoins. Essas máquinas têm alto poder de processamento com consumo de energia reduzido, mas não podem ser usadas para outras atividades. Entre as principais empresas desse ramo estão Avalon, Asicminer e a maior delas, Butterfly Labs.

O modelo mais barato da Butterfly Labs, com preço de cerca de R$ 650, tem capacidade para 5 Gigahashes por segundo (cerca de 8 vezes mais do que um PC doméstico com boa configuração). O chip ASIC deste modelo equipa um pequeno cubo de 10 centímetros que pesa cerca de 600 gramas e possui apenas duas conexões: uma para energia e outra microUSB. A empresa também fornece computadores mais avançados: o modelo com maior capacidade da linha BitForce possui poder de processamento de 500 Gigahashes por segundo. O produto pesa 23 quilos e custa por volta de R$ 53 mil.

O brasiliense Henrique Matos optou por um modelo intermediário. No início de abril, ele encomendou uma máquina da Butterfly Labs com capacidade para 60 Gigahashes por segundo e pagou R$ 2,9 mil pelo produto. O computador deveria ter sido entregue à empresa de hospedagem, que fica nos Estados Unidos, em junho. Mas até agora o produto não saiu da fábrica. “Eu poderia pedir o envio da máquina para meu endereço aqui no Brasil, mas imaginei que ela poderia ficar presa na Receita Federal”, diz Matos.

Quando a máquina for entregue e começar a funcionar, a expectativa de Matos, que não precisará mais conviver com o calor e barulho constantes, é de ganhar pelo menos 100 bitcoins (cerca de R$ 30 mil) nos primeiros dois anos. “No começo, eu achava que conseguiria uns 400 bitcoins, mas agora acho meio inviável”, diz Matos.

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