Qualidade dos componentes, local de uso e tipo de caixa acústica estão entre os critérios a serem observados

Escolher um fone de ouvido já foi mais fácil. E mais sem graça. Desde a entrada da Beats by Dr. Dre, em 2009, o mercado vive outro momento. Atualmente, o fone de ouvido é mais do que um acessório para escutar música. Ele é um adereço de moda e faz parte do estilo de vida. E os especialistas concordam: o Beats By Dr. Dre foi o motor propulsor desta nova onda de fones de ouvido não apenas bons como também bonitos.

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Mas, nesse mar de opções, como escolher o melhor fone para você? Para responder esta pergunta, o iG conversou com Alexandre Algranti, diretor de vendas e marketing para o Brasil da Audio-Technica, Caio Marques, especialista de produto da Panasonic, e Marcos Uematsu, gerente de produto de Áudio da Sony Brasil.

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A escolha de um fone de ouvido passa por várias outras decisões. O fone será usado no trabalho, em casa, na academia ou em movimento? Quanto se quer gastar no acessório? Qual o estilo musical preferido?

Antes de tomar essas decisões, é preciso conhecer as opções que o mercado oferece. Confira abaixo um guia com cinco passos para escolher a opção que mais combina com você.

1 - Os tipos de fones de ouvido

Cada fabricante tipifica e nomeia seus fones de uma forma. Mas, em geral, as opções do mercado brasileiro estão divididas em quatro tipos:

Auriculares: são aqueles que normalmente acompanham os smartphones. Também chamado de earbud, esse tipo de fone é indicado para quem precisa de um fone de ouvido pequeno, leve, portátil, mas não se acostuma com o fone dentro do canal auditivo.

Um ponto fraco é que eles não costumam ser muito ergonômicos, segundo os especialistas. Apesar disso, esses fones são uma boa opção para praticar esportes e andar de transporte público, por exemplo. Só cuidado com o volume, pois esse tipo de fone costuma deixar o som vazar bastante.

Intra-auriculares: Também conhecidos por in-ear, os fones de ouvido intra-auriculares são aqueles que normalmente vêm acompanhados de uma borrachinha de silicone que se ajusta ao ouvido do usuário, encaixando o fone no canal auditivo. Além de serem portáteis, eles isolam melhor o som e possuem graves mais nítidos do que os auriculares. É o fone ideal para quem não quer escutar as conversas paralelas durante o trajeto para casa ou trabalho.

Os fones in-ear também são indicados para quem pratica atividades de longa duração, pois são leves e não entram em contato com o suor. No entanto, é preciso ter cuidado, pois esse tipo de fone que preenche o canal auditivo torna difícil escutar a buzina de um carro na rua, por exemplo.

Supra-auriculares: Estes são os preferidos de quem escolhe o fone de ouvido também por seu design. Conhecido por on-ear, over-ear ou ainda supra-aural, eles ficam em cima da orelha. Além de não ser um intruso do canal auditivo do usuário, proporcionando mais conforto, esse tipo de fone costuma ter uma resposta de baixa frequência melhor, com mais qualidade na reprodução de graves e potência. Menos portáteis que os auriculares e os intra, eles acabam sendo uma opção para quem não se importa de levar o fone no pescoço de vez em quando.

Circumaural: A diferença de um circumaural para um supra-aural é que o primeiro envolve a orelha do usuário como uma concha, e é também chamado de ear cover. É ideal para os usuários mais puristas, que escutam música em um ambiente de alta fidelidade, pois a maioria tem uma melhor reposta de frequência, com graves e agudos mais definifos.

Um dos seus contras é que esse tipo de fone costuma ser muito grande para carregar e esquenta as orelhas e a cabeça. Muitos fones deste tipo no mercado são feitos para pessoas que vivem em países frios, que não possuem temperaturas tão elevadas quanto o Brasil. São fones com feltro e couro que podem até ficar malcheirosos com o tempo.

2 - Qualidade de som

De forma geral, Marcos Uematsu, da Sony Brasil, afirma que a qualidade de som de um fone de ouvido está relacionada ao tamanho da caixa acústica (também conhecida como driver), a área que armazena o alto-falante e outros componentes eletrônicos do fone. “O tamanho do fone está ligado ao tamanho do alto-falante, que por sua vez está ligado à qualidade. Quanto maior, melhor ele será em termos de frequência, potência, sensibilidade, impedância e resposta de frequência”.

Ainda assim, ele alerta que a qualidade é algo bastante subjetivo, que varia de pessoa para pessoa, e também de acordo com aspectos culturais. O padrão brasileiro, segundo Uematsu, é música alta e sem distorção. É isso que as pessoas mais buscam em termos de som.

Alexandre Algranti, da Audio-Techina acrescenta que outros aspectos devem ser observados, como construção, estrutura, acabamento, materiais utilizados e tradição da marca.

3 - Cabo e conector

No que diz respeito à constituição dos fones de ouvido, os especialistas recomendam ficar de olho em dois aspectos: o conector e os cabos. O melhor conector, ou plugue, é aquele banhado a ouro, de aço inoxidável, pois o ouro conduz melhor a eletricidade que outros materiais e evita ruídos nas reproduções. Desta forma, a corrosão do conector será menor, tornando o fone mais resistente e, por consequência, com uma maior durabilidade.

A qualidade do cabo também é importante, e quanto mais grosso, melhor. Os achatados são mais recomendados do que os arredondados porque evitam a formação de nós. Com o tempo, os nós nos cabos podem fazer o fone parar de funcionar total ou parcialmente. Quem nunca teve um fone que só saía música de um lado, não é mesmo?

O comprimento do cabo também é um indicativo de qualidade: quanto mais largo e mais longo, melhor. Um fone de alta fidelidade, utilizado em estúdios ou por aficionados por músicas costuma ter de 2 a 2,5 metros de comprimento. Mas fones convencionais costumam ter cabos de cerca de 1 metro.

Alguns cabos vêm também com microfone, botões de volume e controle de reprodução de músicas. Porém, essa é uma característica mais comum em fones que são utilizados com smartphones que permitem esse tipo de conexão. Ainda assim, é outra característica que deve ser observada durante a pesquisa.

4 - Bluetooth e NFC

Se seu problema com fones de ouvido é justamente o cabo, as tecnologias NFC ou o Bluetooth podem resolver a questão. No caso do NFC, basta encostar o fone no smartphone para que eles se conectem. Já o Bluetooth, além de conectar o fone ao dispositivo, é responsável pela transmissão de dados nos fones com NFC.

Para que essas tecnologias funcionem, no entanto, é preciso que o aparelho do outro lado também tenha conexões NFC e Bluetooth. O NFC ainda é raro em fones e smartphones, mas a conexão Bluetooth já está presente em todos os smartphones e tablets.

Também é importante lembrar que esse tipo de fone sem fio vem com baterias e que, eventualmente, você precisará carregá-lo. Ainda assim, os fones com NFC e Bluetooth são uma ótima opção para quem deseja praticar esportes sem aquele fio solto.

5 - Bloqueio de ruído

Para quem tem pavor de escutar a conversa alheia no meio da música, uma opção pode ser os fones com algum tipo de bloqueio de ruído. No caso do cancelamento de ruído, o próprio fone de ouvido capta o som ambiente por meio de microfones e emite uma frequência branca (também conhecida como frequência de ondas inversas) capaz de anular os ruídos externos. O cancelamento de ruído funciona melhor com barulhos constantes, como a turbina de um avião, por exemplo.

Já o isolamento de ruído, como o próprio nome sugere, é uma barreira física contra o som ambiente, capaz de abafar o ruído fora do ouvido. Esse tipo de recurso costuma estar em fones de ouvido intra-auriculares e em supra-aurais.

É bom observar que os fones com cancelamento de ruído exigem energia (alguns têm baterias internas, outros usam pilhas) e terão que ser recarregados em algum momento. Além disso, esse tipo de tecnologia costuma encarecer o produto.

Já o isolamento de ruído pode simplesmente ser incômodo, pois é um fone de ouvido que, além de entrar no canal auditivo, cobre as possíveis frestas dentro do ouvido. De qualquer forma, essa funcionalidade é ideal para quem viaja e quer algum tipo de redução de ruído.

A decisão final

O principal passo para escolher um fone de ouvido é unanimidade entre os especialistas: experimentar. Todos concordam que é importante conhecer os tipos de fones de ouvido e funcionalidades disponíveis, mas antes de qualquer coisa, é essencial que ele seja confortável.

“Cada pessoa é diferente e alguns fones podem encaixar melhor para um e para outro não, por mais que possuam um design bacana e ótimas especificações”, afirma Caio Marques, especialista de produto da Panasonic.

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