AllJoyn e Zigbee são apenas algumas das novas propostas de empresas de tecnologia para conectar objetos à internet

Como qualquer tendência em processo de adoção, a Internet das Coisas ainda enfrenta obstáculos e, por isso, muitos dos objetos conectados que vemos por aí na web ainda não estão em nossas casas. Mesmo carros com sistemas inteligentes, o exemplo mais palpável da existência da Internet das Coisas, são uma realidade para poucos e, muitas vezes, limitada a alguns países.

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Alguns desses obstáculos já estão sendo ultrapassados, como é o caso da adoção do IPv6. “O IPv4 não tinha números de endereços suficientes para acomodar todos esses dispositivos, por isso a importância da versão 6 do protocolo, que multiplicou drasticamente a quantidade de endereços”, explica Raul Colcher, membro do Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEEE) e também sócio e presidente da Questera Consulting.

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Qualcomm promove o AllJoyn

A migração para o IPV6 é uma questão já encaminhada, mas não dá para dizer o mesmo dos protocolos de gerenciamento de conectividade. A Qualcomm, uma das principais fabricantes de chips do mundo, trabalha fortemente para que as empresas que gravitam ao redor da Internet das Coisas adotem o AllJoyn. Dario Dal Piaz, diretor de desenvolvimento de negócios da Qualcomm, explica que o AllJoyn é uma plataforma que gerencia que tipo de conexão será feita entre os objetos para que ela seja feita de forma mais eficaz possível.

Encabeçado pela Qualcomm, o AllJoyn é hoje um projeto de código aberto que fornece uma estrutura de software universal e um conjunto básico de serviços para comunicação entre dispositivos e criação de redes próximas. Ou seja, essa plafatorma é responsável pelo encontro dos aparelhos e gerencia a comunicação e a colaboração entre os objetos, independentemente do fabricante e tipo de conexão.

Segundo Piaz, hoje o AllJoyn não tem nenhum concorrente e trabalha para ser amplamente adotado. Em fevereiro deste ano, a Technicolor – que agora faz parte do consórcio de empresas que promove o AllJoyn, a AllSeen Alliance – anunciou que estava trazendo sua tecnologia Qeo para o projeto, unindo esforços com a AllSeen Aliance em vez de fragmentar a indústria. A Linux Foundation também faz parte do extenso grupo de empresas que apoia a AllJoyn.

ZigBee é padrão em alta

Bluetooth, Wi-Fi, 3G e 4G já são padrões estabelecidos na indústria, mas na Internet das Coisas eles ganham a companhia de outros nomes, como o ZigBee. Esse termo designa um conjunto de especificações para a comunicação sem fio entre dispositivos eletrônicos, com ênfase na baixa potência de operação, na baixa taxa de transmissão de dados e no baixo custo de implantação. Resumidamente, é um chip que, por ser mais barato e gastar menos energia, vem ganhando adeptos no mercado.

A adoção de um padrão envolve dinheiro e negociações. Por isso pode haver uma guerra de padrões. Mas o mais normal é que ocorra uma seleção natural”, afirma Raul Colcher

A tecnologia utilizada é similar à das redes Wi-Fi e Bluetooth, mas se diferencia pelo menor consumo de energia e por ter um alcance reduzido, entre outras características. A Hue, linha de lâmpadas inteligentes da Phillips, é um exemplo de produto que utiliza ZigBee para se conectar à ponte, um dispositivo que funciona como cérebro do sistema de iluminação. Essa ponte é capaz de se conectar também ao aplicativo instalado no smartphone ou no tablet do usuário. Conectado à lâmpada, à ponte e ao dispositivo móvel, o usuário pode mudar as cores das lâmpadas LED ou ainda programá-las para ligar ou desligar em um determinado horário.

Colcher, do IEEE, diz que a história mostra que dificilmente um único padrão vence. O que acaba acontecendo é que eles se dividem em nichos. “A adoção de um padrão envolve dinheiro e negociações. Por isso pode haver uma guerra de padrões. Mas o mais normal é que ocorra uma seleção natural, daqueles que mais se adaptam às necessidades do mercado”, afirma.

Segurança é desafio

Dois pontos fundamentais e que estão totalmente correlacionados na Internet das Coisas são a segurança e a privacidade. Conforme alerta Colcher, em mundo onde tudo pode ser conectado, a rede vira alvo não apenas para pessoas e empresas, mas para governos. “Em um cenário com centrais nucleares, sistemas de energia e de água conectados, o potencial de destruição caso esses sistemas sejam invadidos é assustador”, explica. Para o engenheiro, essas são questões primordiais já que, atualmente, em uma realidade bem menos conectada do que com a Internet das Coisas, o que temos mal responde às necessidades básicas de segurança e privacidade.

A Intel também está de olho na questão da segurança. Max Leite, diretor de inovação da empresa no Brasil, explica que, desde queque adquiriu a McAffe, em 2010, a Intel vem trabalhando em soluções de segurança que rodam no nível mais baixo da camada de software, como o McAfee Embedded Control, e de hardware.

No caso do hardware, um dos projetos de maior destaque na Intel é o Quark SoC X1000. Ele é um dos mais seguros SoCs (sigla que significa em português sistema-em-um-chip), tem baixo consumo de energia e é projetado para reduzir custos de dispositivos de ponta que possam ser seguramente gerenciados. A Intel, assim como a Qualcomm, atua junto ao Industrial Internet Consortium (IIC), um grupo aberto que quer ajudar a indústria a conectar mais facilmente dispositivos inteligentes.

Não existe Internet das Coisas sem segurança. A segurança não é opcional”, explica Ghassan Dreibi

Ghassan Dreibi, gerente de Desenvolvimento e Negócios de Segurança da Cisco América Latina, afirma que para a Internet das Coisas se tornar uma realidade não basta apenas conectar, é preciso controlar e ter visibilidade da rede. “Não existe Internet das Coisas sem segurança. A segurança não é opcional. E ela começa com a identificação única do que está conectado. O segundo ponto é o controle do dispositivo, o que ele pode acessar nessa rede. O terceiro ponto é a segurança tradicional, ou seja, colocar barreiras para evitar que toda a infraestrutura seja prejudicada em caso de um ataque”, explica.

Wi-Fi e 3G devem ser mais confiáveis

Henrique Amaral, executivo de servidores e storage da IBM Brasil, e Dreibi apontam outro desafio para a Internet das Coisas: a infraestrutura de rede. Para que os objetos se conectem à internet como se imagina é preciso que tenhamos mais Wi-Fi e conexões como 3G e 4G espalhadas pelo País.

“É preciso pensar no custo e na qualidade dessas redes. O brasileiro tem o péssimo hábito de pensar em curto prazo e lança estruturas com capacidade mais fraca. O desafio é convencer o mundo, o governo, as empresas e os usuários a investir em algo duradouro, que sirva como plataforma de verdade, para que a gente possa pensar nos serviços”, afirma Dreibi.

Amaral, da IBM, explica que infraestrutura e mobilidade são essenciais para que os dados que vão trafegar entre os objetos conectados possam ser interpretados e de fato mudar a forma como o ser humano se relaciona com tudo que está a sua volta, do celular à cidade em que ele mora.

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