iPhone 6 deve ter versão com tela de 5,5 polegadas para competir com aparelhos de Samsung, Nokia, LG e outros

Apple deve lançar smartphone de tela grande
Stella Dauer
Apple deve lançar smartphone de tela grande

Julho marca o início do segundo semestre, período em que a Apple costuma lançar novas versões do seu smartphone. Como sempre, a marca da maçã não nega nem confirma que está trabalhando na sexta versão do seu iPhone.

E, enquanto isso, os rumores só aumentam. Um dos boatos mais fortes é de que a Apple estaria correndo atrás dos concorrentes e preparando um smartphone de tela grande: 5.5 polegadas, além de um modelo com tela de 4,7 polegadas, ambos maiores do que o iPhone 5S.

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Desde que foi lançado, o iPhone pouco mudou no quesito display. Até o 4S, o aparelho sempre teve tela de 3.5 polegadas. Foi somente no iPhone 5 que as dimensões aumentaram um pouco e o aparelho passou a ter 4 polegadas. Enquanto isso, o Galaxy S5, da Samsung, maior concorrente da Apple na categoria, já tem 5.1 polegadas e uma linha do que se convencionou chamar de phablet – smartphone que parece um tablet. O mais recente smartphone da série, o Galaxy Note 3, tem tela de 5.7 polegadas.

As telas grandes não são um modismo, mas uma tendência mundial que começou na China e rapidamente atingiu outros países e que veio para ficar. É o que diz uma pesquisa recente da Kantar, consultoria em conhecimento do consumidor.

De acordo com a consultoria, o público adolescente e jovem adulto, de 16 até 34 anos, é o grande consumidor de smartphones no Brasil. Para estes usuários, o tamanho da tela dos aparelhos vem ganhando importância ano após ano. Em 2012, 38% dos consumidores tinham celulares com telas de até 2.9 polegadas, já em 2013 o número caiu para 15%. Em contrapartida, as telas de 4 a 4.4 polegadas ganharam mais admiradores, de 7% no ano anterior, passaram a 19% em 2013.

Mais tela, mais entretenimento

Diretor de produto da Samsung, Roberto Soboll acredita que o divisor de águas no portfólio da marca sul-coreana que inventou o phablet na verdade é o Galaxy S2, lançado em 2011 já com tela de 4.3 polegadas. Em entrevista ao iG , o executivo conta que foi diante do sucesso desse aparelho que a empresa decidiu, naquele momento, apostar em produtos de telas maiores e não em outro atributo dos smartphones. “Sabendo que o smartphone ia fazer muito mais que uma ligação, percebemos que o tamanho do display viria a ser relevante”, afirma. No mesmo ano, a Samsung anunciava seu primeiro phablet, o Galaxy Note com tela de 5.3 polegadas.

Na época, assim como hoje, já era possível perceber que o smartphone se tornava uma central para outras atividades, muito além das chamadas telefônicas. “O celular continua sendo usado para se comunicar, mas por WhatsApp e aplicações do tipo. Cada vez menos usamos os recursos de voz”, comenta Soboll.

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São essas e outras funcionalidades, especialmente as de produtividade e de entretenimento, que levaram a Nokia, agora Microsoft Devices, a apostar nas telas grandes e trazer aparelhos dessa subcategoria rapidamente para o Brasil. Neste ano, a marca lançou no País dois smartphones de seis polegadas, o Lumia 1520 e o Lumia 1320.

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Conforme destaca Clarissa Lettieri, gerente de produtos e portfólio da Microsoft Devices Brasil, se antes as pessoas temiam os smartphones de tela grande por serem menos anatômicos para falar e para guardar na calça ou na bolsa, hoje isso não existe mais. Tanto a Microsoft Devices como outras fabricantes conseguiram criar produtos que mesmo grande são confortáveis e leves e que se adaptam aos mais diferentes usos que o cliente possa fazer. Como as televisões, os celulares inteligentes perderam a moldura para que a tela ganhasse espaço.

Além disso, tanto Clarissa quanto Soboll concordam que os smartphones de telas grandes se tornaram os preferidos para quem busca produtividade e, principalmente, entretenimento: navegar na internet, acessar as redes sociais, ver vídeos e jogar jogos. No Brasil, onde a televisão ainda reina, as telas grandes se tornaram ainda mais atrativas quando o smartphone apresenta a funcionalidade da TV digital aberta. A Samsung é uma das várias fabricantes que vêm modificando seus produtos para oferecer esse recurso ao cliente brasileiro.

Galaxy Note III é a versão mais recente do phablet da Samsung
André Cardozo/iG
Galaxy Note III é a versão mais recente do phablet da Samsung

Categoria que chegou para ficar

Muito embora as telas grandes venham ganhando o coração do consumidor brasileiro, Cynthia Vieira, Diretora de Conta da Kantar Worldpanel, alerta para o crescimento ainda lento se comparado a outros mercados, emergentes ou não. Segundo a executiva, os smartphones com telas maiores de quatro polegadas ainda não possuem a fatia de mercado que em outros mercados mais maduros. Ainda que, conforme ressalta Soboll, quando se trata de smartphones, o brasileiro queira adotar o quanto antes a tecnologia.

Por aqui, os smartphones de tela grande acabam sendo opção para quem já comprou o primeiro celular inteligente e está indo para o segundo. Ou seja, aquele usuário que reconhece os benefícios de um smartphone e que vai em busca de uma opção ainda melhor, no qual ele possa usufruir de tudo que o dispositivo oferece.

No entanto, conforme ressalta Cynthia, o Brasil ainda é um país com muitos features phones, celulares comuns, e barreiras que dificultam a migração. Dentre elas, a executiva destaca a infraestrutura de rede, as tarifas e o alto preço dos aparelhos.

Segundo pesquisa recente da Kantar, um usuário de um celular comum não está disposto a investir altas quantias na hora de trocar de aparelho, enquanto aqueles que já são usuários de smartphone são mais ousados: mais de 50% deles investem mais de R$ 600,00 para ter um novo aparelho. Além disso, em regiões como o Brasil, um smartphone custa em média 282% a mais que um celular comum.

No entanto, por mais que no Brasil o crescimento seja mais moderado, as próprias fabricantes empurram o mercado para essa direção na medida em que lançam aparelhos com telas cada vez maiores. E não só isso: que aproveitam melhor as funcionalidades de um celular inteligente com esse aumento de área.

Clarissa, da Microsoft Devices, lembra que a nova versão do sistema operacional da empresa, o Windows Phone 8.1, dá o usuário a possibilidade de inserir uma coluna a mais de atalhos nos smartphones de tela grande. Além disso, ela acredita que a principal diferença de preço não está nas telas, mas em outros atributos que tornam os aparelhos mais ou menos poderosos.

Lumia 1320 tem tela de seis polegadas
André Cardozo/iG
Lumia 1320 tem tela de seis polegadas

Mais resolução, o futuro das telas grandes?

Enquanto o mercado brasileiro caminhar a passos mais lentos que o restante do mundo, é difícil dizer que as telas grandes se tornaram o padrão e que os celulares com telas de quatro polegadas ou menos vão deixar de existir.

Muito embora acredite que isso possa acontecer, uma vez que uma maior demanda por display pode baratear os aparelhos de tela grande, Soboll, da Samsung, acredita que a próxima onda é a resolução da tela. Segundo ele, os fabricantes apostarão em smartphones com telas grandes e com mais qualidade, que entreguem mais resolução para vídeos e jogos, funcionalidades que hoje já são um dos grandes motivos de compra dos brasileiros.

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