Processador, memória e tamanho são itens que influenciam o preço do produto

Muita gente vai aproveitar o Natal para comprar seu primeiro notebook ou trocar o laptop por um mais novo. A escolha de um notebook, que sempre dependeu de fatores com processador e memória, ganhou nos últimos anos mais um ingrediente. Cada vez mais, o consumidor tem que escolher entre notebooks convencionais e híbridos, laptops que também funcionam como tablets.

LEIA TAMBÉM:
Dicas para escolher seu smartphone neste Natal

No guia abaixo, o iG comenta este e outros fatores importantes na escolha de um notebook. Confira.

FOTOS: opções de notebook para este Natal


Preço

A faixa mais básica do mercado é composta por notebooks com apenas 2 GB de RAM e processadores Intel Celeron ou AMD Dual Core, encontrados por preços de até cerca de R$ 1.500. É até possível rodar o Windows 8.1 com essa configuração, mas pode haver lentidão com frequência. 

Na faixa entre R$ 1.500 e R$ 2.500 estão os notebooks mais interessantes para quem não quer gastar muito e ter um produto com vida útil maior. Nessa faixa já são comuns notebooks com processadores Core i3 e i5 e 4 GB ou 6 GB de RAM, configuração boa para rodar o Windows 8.1 com conforto.

Acima de R$ 2.500 começam a aparecer os notebooks mais sofisticados. A diferença nesses casos costuma ser o processador (Core i7 ou Core-M), mais memória RAM e presença de placa gráfica dedicada, na maioria dos casos da NVidia. Esses modelos de notebook compensam mais para quem vai usar o produto para rodar programas pesados ou games.

Notebooks comuns ou híbridos?

De dois anos para cá, os notebooks convencionais passaram a divir espaço com aparelhos híbridos, ou seja, projetado para funcionarem também como tablets.

O método para converter o notebook em tablet muda de um modelo para outro. Em alguns notebooks a tela é destacada do teclado, em outros a tela desliza sobre o teclado e em alguns notebooks ela gira 360 graus, como nos produtos da linha Lenovo Yoga e Sony Fit Multiflip. 

Em todos os casos, vale a pena enfatizar que esses produtos são projetados para funcionar primordialmente como notebooks e serem usados como tablets de vez em quando. A experiência de uso como tablet, portanto, não é tão boa quanto a de um iPad ou um bom tablet com Android. A duração de bateria de um notebook híbrido também costuma ser inferior à de um tablet. Além disso, híbridos com boas configurações podem chegar a preços de mais de R$ 5.000.

Por essas razões, se você realmente precisa de um tablet e vai usar esse aparelho com frequência, é melhor ter dois produtos separados e optar por um tablet com Android ou um iPad. Já se precisa principalmente de um notebook fácil de carregar e que, ocasionalmente, será usado como tablet, a aposta em um híbrido pode ser mais interessante.

Tela

Mesmo se escolher um notebook convencional, o comprador ainda terá que tomar outra decisão. A tela deve ou não ser sensível ao toque? A interface do Windows 8.1 foi projetada para lidar bem com telas de toque. Mas, na prática, a tela sensível ao toque em um notebook comum não tem tanto apelo assim.

Para começar, é cansativo ficar com os braços estendidos por muito tempo. Além disso, a interface clássica do Windows, também presente no Windows 8.1, não é amigável para gestos com os dedos e tem ícones e menus muito pequenos. Um terceiro fator é que a tela do notebook inevitavelmente acumula manchas de dedos, o que pode incomodar alguns usuários.

No fim das contas, a tela sensível ao toque em um notebook comum é útil apenas em tarefas básicas como navegação entre fotos e aplicativos. Portanto, se você não está naquele grupo que gosta de novidades e quer apenas um notebook convencional para navegar na web e abrir programas clássicos do Windows, uma tela comum dá conta do recado.

Outra característica importante na tela de um notebook é relacionada a reflexos. Há notebooks com telas convencionais e brilhantes que refletem muito a luz (conhecidas em inglês como telas glossy ou antiglare) e laptops com telas antirreflexivas (conhecidas como telas matte).

De modo geral, a tela antirreflexiva cansa menos a vista e não reflete objetos e luzes. Já a tela convencional glossy tem a vantagem de ter cores mais brilhantes e melhor desempenho em ambientes com pouca luz. Assim, se a ideia for ver muitos filmes no escuro, a tela glossy se sai melhor. Já para longas sessões de trabalho em ambientes com muitas luzes de teto e outros objetos que possam causar reflexo, a melhor tela é a antirreflexiva (matte).

Outro critério da tela a se observar é a resolução. A resolução padrão de mercado para notebooks de 14 polegadas atualmente é de 1.366 x 768. Alguns notebooks mais caros têm resoluções no padrão Full HD (1.920 x 1.080). 

Sistema operacional

O Windows 8 foi muito criticado por mudar completamente o visual do Windows, mas o fato é que ele está aí, já atualizado para a versão 8.1. Mesmo com todas as mudanças, o sistema da Microsoft ainda é a opção mais adequada para a maioria dos usuários.

Quem não gostou das mudanças do Windows 8 pode se contentar com o fato de que é possível usar o sistema no modo desktop clássico, similar ao Windows 7 e versões anteriores. Vale observar, no entanto, que o Windows 10 deve ser lançado no ano que vem . Por isso, se você é daqueles que gosta de ter um computador com o sistema mais recente, o ideal é esperar até o ano que vem para comprar o seu.

Fora do mundo Windows, há quatro opções: Linux, Mac OS, Chrome OS e Android. Vamos a cada uma delas:

Mac OS - O Mac OS, da Apple, é um sistema fácil de usar, moderno e rápido. Mas os computadores da empresa são caríssimos no Brasil e seu uso acaba ficando restrito a alguns segmentos, como profissionais das áreas de design, áudio e vídeo.

Linux - O Linux pode ser encontrado em poucos notebooks, na forma da distribuição Ubuntu. O Ubuntu é um sistema fácil de usar e com um visual parecido com o Windows clássico. O Ubuntu já vem com programas para tarefas básicas, como navegador e tocador de áudio e vídeo.

Além disso, há pouquíssimos vírus para Linux e quem tem Ubuntu não precisa se preocupar tanto com a segurança do note. Mas, caso precise instalar programas ou periféricos menos comuns, o comprador pode acabar esbarrando nas complexidades do mundo Linux. 

Chrome OS - Criado pelo Google, o Chrome OS vem aos poucos aparecendo em mais notebooks. Em termos práticos, o Chrome OS é basicamente um navegador Chrome com alguns recursos a mais. O sistema é rápido (carrega em poucos segundos) e relativamente seguro, já que não executa arquivos executáveis usados para distribuir vírus (embora haja algumas ameaças digitais na forma de extensões do Chrome). Outro ponto atrativo é o preço, abaixo de R$ 1.000.

Visual do Chrome OS é baseado no navegador Chrome
Wikimedia Commons/NotinREALITY
Visual do Chrome OS é baseado no navegador Chrome

O ponto negativo é que o Chrome OS não permite instalar programas convencionais do Windows e depende da internet para muitas atividades.

O sistema tem tocador de músicas, vídeos e outros recursos básicos que funcionam offline, mas não tem ferramentas para recursos mais avançados.

Por isso, ele é mais indicado como segunda máquina ou para quem realmente só vai usar o note para navegar na web e acessar aplicativos e serviços da internet. No Brasil, Samsung e Acer vendem notebooks com Chrome OS, chamados de chromebooks.

Android - Criado para smartphones e tablets, o Android começa a aparecer também em notebooks. O Android não precisa de muita memória nem processador poderoso para rodar, o que na prática quer dizer que notebooks com esse sistema tendem a ser mais baratos e ter preços abaixo de R$ 1.000.

A economia, porém, não compensa. O Android é um sistema projetado para smartphones e tablets e, mesmo com as modificações feitas pelos fabricantes, não é a melhor opção em notebooks. Se puder, gaste um pouco mais em um modelo com Chrome OS ou Windows.

Processador

Quase todos os notebooks com Windows e Linux (e todos com Mac OS) atualmente no mercado usam processadores da linha Core, da Intel. Os processadores dessa linha são o Core i3, i5 e i7 (o mais poderoso). A maior parte dos notebooks no mercado usa processadores Core de quarta geração (Haswell, de 2013). Mas alguns modelos mais sofisticados já vêm com os novos processadores da linha Core-M (Broadwell, lançada em setembro deste ano). Esses modelos tendem a ser mais caros.

Broadwell é a mais nova linha de chips da Intel
Divulgação
Broadwell é a mais nova linha de chips da Intel

O processador é o componente mais caro do computador. Por isso, se um determinado notebook está fora do seu orçamento, uma boa estratégia para economizar é procurar um modelo com configuração parecida, mas com processador menos poderoso.

De modo geral, mesmo um processador Core i3 é o suficiente para rodar bem o Windows 8, desde que acompanhado pela quantidade certa de memória RAM (mais sobre isso abaixo).

Há também no mercado notebooks com processadores AMD. Esses modelos costumam custar na faixa de R$ 1.200 e vir com chip AMD Dual Core, um processador básico.

Memória RAM

É possível rodar o Windows 8 com 2 GB de RAM, mas a experiência de uso é ruim. Por isso, prefira modelos com no mímimo 4 GB de RAM. Se for rodar aplicativos mais pesados ou games, vale a pena investir em um laptop com 6 GB ou mais de memória RAM. Já no caso do Chrome OS, 2 GB são suficientes para rodar bem o sistema.

Armazenamento

O espaço em HD não costuma ser um diferencial significativo. Notebooks básicos costumam vir com pelo menos 500 GB de espaço. Para se ter uma ideia, 10 GB são suficientes para guardar cerca de duas mil músicas ou 15 filmes com qualidade de DVD em formato DivX, o mais usado na internet.

Evidentemente, um HD maior significa mais espaço para guardar arquivos. Mas os gigabytes a mais não fazem diferença na prática para quem apenas usa o computador para navegar na web, ouvir música e ver filmes. Um espaço maior em HD faz diferença apenas para quem baixa muitos filmes da internet ou instala muitos jogos no computador. Vale lembrar ainda que, se necessário, sempre dá para aumentar o espaço do notebook comprando um HD externo.

Alguns notebooks vêm com armazenamento em memória SSD no lugar dos discos rígidos convencionais. Diferentemente de um HD comum, discos SSD não têm partes móveis. Esse é um dos motivos pelos quais o acesso a dados guardados em discos SSD é mais rápido. A memória SSD, no entanto, é mais cara. Por isso, alguns notebooks vêm com uma pequena memória SSD (16 GB ou 32 GB), além do HD convencional. Outros notebooks  têm apenas a memória SSD, normalmente com valores de 128 GB ou 256 GB. Esses produtos, no entanto, tendem a ser mais caros.

Conexões

Notebooks básicos com telas de 14 ou 15 polegadas costumam vir com três portas USB. Na hora da compra, é importante considerar que as portas USB são usadas para conectar uma grande variedade de periféricos (multifuncionais, pen drives, HDs externos, celulares, mouses com fio ou com adaptador wireless). Por isso, verifique a posição das portas para se certificar que seus periféricos poderão ser encaixados com conforto.

Alguns notebooks têm conexão USB 3.0, cerca de dez vezes mais veloz do que a 2.0. Essa conexão, porém, só é interessante para quem transfere arquivos muito pesados e também depende da compatibilidade do periférico (na maioria dos casos, um HD externo). 

Saiba mais sobre o USB 3.0

Uma porta interessante é a HDMI. Por meio de um cabo compatível, notebooks com essa porta podem enviar áudio e vídeo com alta qualidade diretamente para uma TV moderna (de LCD, LED, plasma ou OLED).

Esse é um recurso interessante para quem baixa vídeos no computador ou usa serviços de aluguel de vídeos online e deseja assistir aos filmes em uma tela maior. Boa parte dos notebooks vem também com uma entrada para cartões de foto, principalmente no padrão SD.

Tamanho

De modo geral, notebooks com telas de 14 ou 15 polegadas costumam oferecer a melhor relação entre custo e benefício. Este tamanho de tela é adequado para uso doméstico, como substituto do desktop, e também permite que o notebook seja transportado com alguma facilidade.

Notebooks com telas de 16 polegadas podem ser interessantes para gamers. Mas o preço muito alto deixa esses equipamento em desvantagem em relação a PCs de mesa com configuração parecida.

Notebooks com telas de 13,3 polegadas vêm ganhando espaço com usuários que querem um laptop fácil de carregar e com tela de bom tamanho. Muitos dos aparelhos com telas desse tamanho são ultrabooks, ou seja, são finos e leves e muitas vezes têm HDs do tipo SSD. Por isso, costumam ser um pouco mais caros do que um notebook básico de 14 polegadas.

Há ainda os notebooks com telas de 11,6 polegadas ou menos. Muitos deles são híbridos de notebook e tablet. São boas opções para quem quer um computador fácil de carregar, mas o preço dos modelos com configuração mais robusta pode passar de R$ 5.000. Com esse valor, pode ser mais negócio comprar dois aparelhos: um notebook básico e um tablet. 

Placa gráfica

A maioria dos notebooks vem com placas de vídeo da linha Intel HD Graphics (modelo Intel HD Graphics 4000). Essa linha de placas é suficiente para rodar bem aplicações básicas e até mesmo jogos menos exigentes.

Mas quem pretende usar o notebook para jogos ou aplicações de vídeo pesadas deve optar por um modelo com placas de vídeo NVidia GeForce ou AMD Radeon. A quantidade de memória dessas placas dedicadas para processamento de vídeo normalmente é de 2 GB. Apenas notebooks mais sofisticados, com preços de R$ 3.000 ou mais, costumam vir com esses tipos de placa.

Teste na loja

Alguns itens de um notebook, como tamanho e precisão do teclado, qualidade dos materiais usados e design, só podem ser avaliados com precisão ao vivo. Por isso, se for possível, vá até uma loja e use os notebooks por alguns minutos. Esse teste no local é a garantia de que você está comprando o aparelho com o teclado mais confortável e as medidas exatas para sua mesa.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.