No lugar do .com ou .net, empresas poderão usar qualquer palavra, mas têm que pagar caro pelo registro

Empresas de qualquer lugar do mundo agora podem substituir domínios com sufixo .com, .net, entre outros, pela própria marca ou uma palavra relacionada. A possibilidade faz parte da nova política de domínios anunciada pela Icann, entidade responsável pela coordenação dos nomes de domínio da internet. Ter um domínio personalizado na internet, no entanto, custa caro: até o final do processo, a empresa desembolsa cerca de R$ 500 mil.

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Em breve, internautas acessarão sites com domínios terminados em qualquer palavra no lugar de .com
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Em breve, internautas acessarão sites com domínios terminados em qualquer palavra no lugar de .com
Além das empresas, a nova política prevê que empresas de registro de domínios também possam criar novas opções para os clientes. “Uma empresa pode criar um domínio terminado em .musica, por exemplo, e vendê-lo para outras que atuam neste mercado”, disse Demi Getschko, presidente do CGI, ao iG .

O CGI está intermediando o contato entre as empresas brasileiras e a Icann, além de prestar serviços de provedor de infraestrutura, necessário para o registro deste tipo de domínio.

Conhecidos como domínios de topo ou de raíz, os domínios com sufixo personalizado começam a valer apenas em 2013, segundo previsão do CGI. Isso porque a Icann ainda recebe as solicitações das empresas de todo o mundo que desejam registrar seus próprios domínios de raiz. O prazo para entrega termina em 29 de março, quando a entidade colocará em consulta pública todos os domínios solicitados.

“Os internautas poderão mostrar sua oposição, por exemplo, ao registro de um domínio por uma empresa que não faz parte de determinado segmento”, diz Getschko. O processo de avaliação, consulta pública e registro do domínio da Icann demora cerca de um ano e, a partir de então, é preciso pagar uma taxa de R$ 45 mil por ano à Icann para manter o domínio.

Microsoft e ESPN já solicitaram domínios de topo

Atualmente, a Icann mantém cerca de 300 domínios de raiz registrados em todo o mundo, entre eles .com, .net e .travel. “Esperamos que o número de domínios de raiz dobre nesta primeira fase da política de domínios”, diz Getschko. Empresas brasileiras já solicitam o registro de domínios de acordo com a nova política, mas o CGI não revelou quantas empresas participam do processo.

De acordo com Ari Meneghini, diretor do Interactive Advertising Bureau (IAB Brasil), as empresas ainda discutem as vantagens de registrar um domínio de raiz. As empresas, principalmente aquelas que atuam em diversos países, pretendem usar o domínio personalizado para aumentar o reconhecimento da marca. Contudo, o preço e as restrições da legislação de domínios de topo ainda são motivo de preocupação.

ESPN é uma das empresas com atuação global que já pediram registro de domínio de raiz
Reprodução
ESPN é uma das empresas com atuação global que já pediram registro de domínio de raiz
“Em princípio não há nenhum problema na nova política de domínios, mas ainda estamos discutindo com os associados”, diz Meneghini. O IAB já promoveu uma reunião sobre o assunto entre os diretores e pediram que os associados enviem seus comentários sobre a nova política. Segundo Meneghini, empresas como ESPN e Microsoft já entregaram os pedidos de registro de domínios de topo.

Preço alto tenta evitar falsos candidatos

O preço de quase R$ 500 mil só para registrar o novo domínio faz parte da estratégia da Icann para evitar a repetição do registro indevido de domínios. Nos final dos anos 1990, quando a web se popularizou, muitas empresas registraram domínios com nomes de empresas conhecidas que, quando decidiram lançar seus sites, tiveram que comprar os domínios já registrados. “Muitas empresas passaram a registrar domínios em diversos sufixos apenas para proteger sua marca”, diz Getschko.

Com o tempo, a proteção de domínios virou um negócio à parte. No caso do domínio .xxx , destinado a sites de conteúdo adulto, a maior parte dos registros são de empresas que não atuam neste mercado. “As empresas de registro de domínio .xxx vivem mais desses registros do que de sites de conteúdo adulto”, diz Getschko.

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