Apesar de disputarem o mercado de aplicativos, plataformas podem ser tornar complementares no futuro

A conexão à internet está se tornando um dos recursos mais procurados na hora da compra de uma nova TV. Segundo a consultoria GfK, as vendas de TVs com este recurso aumentaram mais de 300% em 2011, chegando a cerca de 2,4 milhões de unidades – no total, foram vendidos cerca de 13 milhões de televisores no Brasil no ano passado. A participação de mercado das TVs conectadas também aumentou no período: passou de 7% para 19% em apenas um ano.

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TVs conectadas da Samsung oferecem aplicativos de previsão de tempo
Divulgação
TVs conectadas da Samsung oferecem aplicativos de previsão de tempo
“A venda de TVs com conexão à internet está crescendo mais rápido do que a de TVs 3D”, diz Gisela Pougy, diretora de negócios da GfK, ao iG . Um dos motivos é o preço das TVs, que vem caindo rapidamente nos últimos meses. Se antes um brasileiro gastava, em média, R$ 3,2 mil para comprar uma TV conectada, hoje encontra modelos à venda por R$ 2,3 mil – ou seja, 25% mais baratos.

As TVs com conexão à internet chegaram às lojas do Brasil no final de 2009. Elas permitem acessar conteúdos como previsão do tempo e notícias por meio de widgets e, em alguns modelos (Samsung e LG), o sistema já permite instalar aplicativos por meio de uma loja virtual. Com estes aplicativos, o espectador ganha acesso a redes sociais e serviços de TV sob demanda, mas também pode navegar na web por meio de um navegador ajustado para a TV.

A popularidade das TVs com este recurso pode ofuscar a chegada do Ginga , sistema que permite receber aplicativos das emissoras por meio do sinal digital, nas TVs a partir de 2013. No início deste ano, o governo obrigou todos os fabricantes a embarcarem o sistema , criado em universidades brasileiras, em pelo menos 75% dos televisores fabricados no Brasil. Como o Ginga também suporta aplicativos , poderia se tornar um concorrente das TVs conectadas no Brasil.

TVs conectadas x Ginga

Todos os aplicativos e serviços oferecidos em TVs conectadas funcionam sobre uma plataforma , que muda a cada fabricante. “Os fabricantes querem lojas de aplicativos proprietárias, para que eles possam lucrar com o download de aplicativos”, diz Luiz Fernando Gomes Soares, pesquisador da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e criador do Ginga. Os conteúdos distribuídos em uma loja não podem ser oferecidos na loja de outra fabricante, exceto se o desenvolvedor reescrever o código do aplicativo para torná-lo compatível.

Clube NCL, criado pela PUC-Rio, têm 49 aplicativos para Ginga em português
Reprodução
Clube NCL, criado pela PUC-Rio, têm 49 aplicativos para Ginga em português
No caso do Ginga, os desenvolvedores podem oferecer aplicativos para TVs de qualquer marca, desde que o sistema embarcado na TV siga as especificações oficiais. Os espectadores podem baixar os aplicativos por meio de sites de internet, como o Clube NCL, da PUC-Rio.

Nada impede, no entanto, que fabricantes criem lojas de aplicativos próprias para o Ginga que desenvolveram. É o caso da Totvs, que criou o Sticker Center , um loja acessada por um botão dedicado do controle remoto de TVs.

O Ginga também se diferencia por permitir o envio de aplicativos pela emissora, junto com o sinal de TV digital. Com isso, as pessoas podem acessar notícias, fotos e jogos, mesmo sem ter uma TV com conexão à internet. No entanto, ela é necessária quando é preciso enviar dados de volta para a emissora, como ao responder enquetes.

As TVs conectadas, por outro lado, oferecem uma interface mais simples e fácil de usar para os usuários, além de maior quantidade de aplicativos. Nas TVs da Samsung, por exemplo, estão disponíveis mais de 380 programas. No Clube NCL, primeira loja de aplicativos para Ginga, são apenas 49 aplicativos.

De mãos dadas

Segundo especialistas ouvidos pelo iG , a tendência é de que o Ginga e as plataformas de TVs conectadas se tornem complementares no futuro. De acordo com a portaria interministerial do governo, que obrigou a presença do Ginga em 75% das TVs a partir de 2013, todas as TVs conectadas deverão estar dentro da cota estabelecida. Assim, qualquer pessoa que comprar uma TV conectada a partir de 2013 também terá acesso a interatividade por meio do Ginga.

“O que for conteúdo interativo enviado pela emissora rodará no Ginga e as outras aplicações serão usadas nas plataformas de TV conectada”, diz Valdecir Becker, doutor em TV digital pela Universidade de São Paulo e pesquisador nesta área há 10 anos. Desta forma, o Ginga mostraria apenas os aplicativos com sinopse, notícias, fotos e enquetes relacionadas à programação da emissora, enquanto outros aplicativos, como do Facebook, Netflix e Skype, rodariam nos sistemas desenvolvidos pelas fabricantes de TVs.

Para a Samsung, que está investindo em seu próprio sistema Ginga para TVs, os recursos de interatividade também serão usados para que as pessoas acessem serviços de governo eletrônico. “Enquanto o Ginga será usado com mais frequência para a prestação de serviço, as Smart TVs oferecerão uma maior quantidade de conteúdo de entretenimento”, diz Benjamin Sicsú, vice-presidente de novos negócios da Samsung no Brasil.

Alguns fabricantes já analisam, inclusive, a possibilidade de oferecer aplicativos para Ginga em suas lojas de aplicativos para TVs conectadas. De acordo com Marcelo Ferreira Moreno, professor do departamento de informática da Universidade Federal de Juiz de Fora (Minas Gerais), os responsáveis pelo Clube NCL têm sido procurados. “Com o aumento de interesse em oferecer aplicações por meio da TV, já recebemos propostas de integração do Clube NCL com as lojas das SmartTVs”, disse Moreno, ao iG .

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