Parentes e amigos enfrentam problemas para lidar com perfis de pessoas falecidas nas redes sociais

Em agosto de 2011, Mari Viana, empresária, perdeu o marido E. Viana em um acidente de moto numa rodovia próxima à cidade de Pato Branco (Paraná), onde moravam. Apaixonado por motos, ele mantinha um blog sobre suas viagens na web e diversos perfis em redes sociais. Após o acidente, Mari teve que decidir o que fazer com os perfis do marido na web. “Eu queria manter, porque ele conheceu muita gente na internet por conta do blog”, diz ela.

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No entanto, Mari se incomodava porque o perfil de Viana no Facebook continuava sendo sugerido como amigo para novos usuários, que acabavam por enviar solicitações de amizade. “É constrangedor. Você tem que repetir a história para todas as pessoas”, diz Mari.

Por meio de uma pesquisa na web, ela descobriu que poderia transformar o perfil dele em um memorial, tornando a página acessível apenas para os amigos já aceitos. “Foi muito fácil e eles me responderam em dois dias.”

Desde 2009, o Facebook permite que os parentes e amigos de usuários falecidos preservem sua página para que mensagens de carinho possam ser deixadas pelos amigos. “O mural permanece intacto para que os amigos e parentes possam deixar publicações em memória do usuário, mas somente amigos confirmados podem localizar o perfil na busca”, explica o Facebook em comunicado.
O único problema, segundo Mari, é que, depois que vira memorial, o perfil não pode ser alterado, mesmo se o usuário tiver a senha da pessoa falecida. “Antes de tornar um memorial, às vezes eu acessava a página para apagar algum comentário inconveniente publicado, mas depois meu acesso foi bloqueado”, diz Mari.

Com mais de 800 milhões de usuários cadastrados em todo o mundo, o Facebook é uma das redes sociais preferidas dos internautas para compartilhar fotos e atualizações com seus amigos. Como parentes e amigos nem sempre querem manter o perfil de uma pessoa falecida no ar, também é possível notificar a rede social para que o perfil seja cancelado. Para isso, basta preencher um formulário por meio do site .

Perfis esquecidos

É incomum, no entanto, que os usuários passem a senha de acesso às redes sociais em vida para amigos e parentes, com medo de ter sua privacidade invadida. Por conta disso, grande parte dos perfis acabam abandonados. Foi o caso do perfil da irmã de Debora Della no Orkut. Após a morte da irmã, em setembro de 2006, Debora tentou várias vezes cancelar o perfil na rede social, sem sucesso. “Não era o desejo da minha família manter o perfil dela, mas ficou no ar, porque não consegui entrar em contato com o Orkut. Isso é uma falha do serviço”, diz Debora.

Segundo o Google, empresa que mantém o Orkut, existe um formulário online , por onde qualquer pessoa pode notificar a morte de um usuário. Ao contrário do Facebook, não há a opção de transformar o perfil em um memorial. “Os familiares amigos podem manter a conta ativa, caso queiram”, diz o Google, em comunicado. Neste caso, no entanto, é preciso ter a senha cadastrada.

No caso do Google+, nova rede social do Google, não há um formulário para comunicar a morte de um usuário. Segundo o Google, o perfil na rede social - assim como a conta única do usuário no Google e os serviços associados a ela – continuam ativos por nove meses. Em caso de inatividade neste período, o sistema exclui o perfil automaticamente. Twitter e Linkedin também oferecem formulários para solicitar a exclusão do perfil de uma pessoa falecida.

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