Sociedade Brasileira da Computação quer que tecnologia seja uma carreira atraente para mulheres

Um projeto da Sociedade Brasileira da Computação quer estimular meninas entre 10 e 16 anos a optar por carreiras em áreas relacionadas à Tecnologia da Informação (TI). Chamado de “Meninas Digitais”, o projeto inclui um fórum para estudantes de escolas do Ensino Fundamental e Médio com palestras de estudantes de graduação em tecnologia, como Ciências da Computação e Sistemas da Informação, e de profissionais que já trabalham na área em empresas.

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“Temos três ou quatro meninas em cada classe de Ciências da Computação, mas precisamos aumentar este número”, diz Cristiano Maciel, professor da Universidade Federal do Mato Grosso e coordenador nacional do “Meninas Digitais”. Segundo estudo da Microsoft em parceria com a SBC, o interesse das mulheres pela área de TI cai desde a década de 1980, quando as mulheres representavam metade das turmas de cursos relacionados a TI. Hoje, a média de mulheres nestes cursos é de apenas 10%.

Participantes do projeto
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Participantes do projeto "Meninas Digitais" ganham oportunidade de entrar em contato com profissionais de TI

O projeto “Meninas Digitais” é parte de um projeto conjunto entre a SBC e a Women in Technology (WIT), organização que estimula a presença de mulheres na área de tecnologia. O modelo adotado é inspirado em uma iniciativa global da Microsoft, conhecida como Digigirls. Por meio do projeto, a empresa leva meninas para passar um dia com alguns de seus funcionários em diversas cidades do mundo e participar de oficinas sobre como desenvolver sistemas e lidar com ferramentas de internet.

Mulheres são mais sociais

Segundo Maciel, a falta das mulheres inibe os rapazes, que passam a interagir menos durante as aulas e discutir pouco durante a execução dos projetos. Quando chegam ao mercado de trabalho, a situação se repete nas empresas, o que prejudica a comunicação entre as áreas e a execução dos projetos de TI. “Queremos deixar claro que os homens estão sentindo falta delas na área de tecnologia. A presença da mulher ajuda a sociabilizar o grupo”, diz Maciel.

Segundo Karin Breitman, diretora de publicações da SBC e uma das entusiastas do projeto, o projeto “Meninas Digitais” surgiu depois que a pesquisa conjunta com a Microsoft mostrou que as meninas decidem se afastar de carreiras na área de tecnologia bem cedo, ainda pré-adolescentes. “O momento da virada acontece muito cedo. Até os 12 anos, as meninas são muito interessadas em participar de Olimpíadas de Matemática e de Informática na escola”, diz Karin.

Quando ficam um pouco mais velhas, um dos motivos apontados para escolher outras carreiras é a chance de evitar a “temida” matemática. “Elas não sabem que boa parte dos cursos está menos relacionada com matemática e mais com administração ou aspectos sociais”, diz Maciel. Outro motivo é o medo de enfrentar o preconceito dos homens no dia a dia de trabalho . Eles são maioria em todos os cursos de engenharia.

Apesar de divulgação, as duas edições do fórum
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Apesar de divulgação, as duas edições do fórum "Meninas Digitais" receberam poucas participantes

Duas cidades, 190 meninas

O primeiro fórum “Meninas Digitais” aconteceu em Natal (RN), em abril deste ano, durante a 31ª edição do congresso da SBC. Mais de 120 meninas de escolas públicas, vinculadas a um projeto de inclusão digital local, participaram do evento. As meninas assistiram a palestras de executivas do Google, da Microsoft e de estudantes de graduação de universidades locais. “Queremos mostrar que as mulheres que escolhem a área de TI também são vaidosas, namoram e são felizes”, diz Karin, da PUC-Rio.

Alguns meses depois, Maciel realizou a segunda edição do “Meninas Digitais”, desta vez em Cuiabá (MT). Cerca de 50 alunas de escolas particulares participaram do evento. A SBC também divulgou o evento em escolas públicas da cidade, mas a secretaria de educação não deixou que as alunas faltassem à aula para comparecer. “Elas fizeram muitas perguntas sobre como conciliar a vida familiar com a profissão e sobre o que faz um profissional da área de TI”, diz Maciel.

Depois das duas primeiras edições do fórum, 46 professores vinculados à SBC decidiram ajudar o projeto e Maciel criou uma lista de discussão por meio da internet. “Queremos multiplicar o projeto em todo o Brasil. Já jogamos as sementes”, diz Maciel. Se o projeto der certo, em breve universidades de todo o País promoverão fóruns para estimular a presença feminina em cursos voltados à tecnologia.

A próxima edição do “Meninas Digitais” será realizada em Curitiba (PR), em julho de 2012, quando será também realizado o próximo congresso da SBC. Se conseguir patrocínio, Maciel pensa em levar os professores que replicarem o projeto em outras cidades do País para ajudá-lo no terceiro “Meninas Digitais” e também para contar a experiência a outros professores que participarão do congresso. “As pessoas às vezes não sabem o que fazer para ajudar, mas a discussão fomentará novas ideias”, diz Maciel.

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