No Brasil, quantidade de aparelhos com acesso à rede deve atingir 5 milhões até 2012

Desde que a web começou a se popularizar, em meados dos anos 1990, uma série de projetos tentaram unir internet e televisão. Começando com a finada WebTV, da Microsoft, várias empresas tentaram, em vão, unir a ampla gama de funções da internet com a conveniência da TV.

A novidade é que, nos últimos anos, essa união começa a se tornar viável e a atrair um número relevante de consumidores. Avanços na banda larga, na capacidade de processamento dos aparelhos de TV e nos sistemas de navegação na web estão tornando o uso da internet na TV mais atraente.

No Brasil, o mercado de TVs com internet está em crescimento. "Em 2010, foram vendidos cerca de 500 mil aparelhos de TV com internet. Neste ano a projeção é de 2,5 milhões. E, em 2012, essa marca deve ser de 5 milhões de aparelhos", diz Rafael Cintra, gerente-sênior da divisão de TVs da Samsung Brasil. Atualmente, o mercado brasileiro de TVs, incluindo todos os tipos de televisor, gira em torno de 10 milhões de aparelhos vendidos por ano.

TVs com internet são cada vez mais populares no Brasil
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TVs com internet são cada vez mais populares no Brasil
Neste ano, 25 dos 45 modelos de TV lançados pela Samsung vêm com acesso à internet, contra 13 modelos em 2010. O modelo mais barato, de 32 polegadas e tela LED, custa R$ 1.999.

Segundo Cintra, a expectativa do mercado é que, em dois anos, todos os aparelhos de TV já saiam de fábrica com acesso à internet. "O interesse pela internet na TV já é grande hoje. O consumidor está mais preocupado com TVs conectadas do que com a tecnologia 3D, por exemplo", afirma.

Vídeo sob demanda é a atividade mais popular

As TVs com internet trazem uma grande variedade de funções, como navegação na web, uso de redes sociais, jogos, aplicativos de receitas e outros tipos de programa. Mas, segundo os fabricantes consultados pelo iG , a atividade mais popular é o vídeo sob demanda (uso da TV para ver vídeos em sites como YouTube e portais e também alugar filmes em sites como Netmovies e Netflix).

"Pessoas de uma geração mais antiga costumam começar a usar sua TV conectada pelo vídeo sob demanda, já que esse conceito é mais familiar. Esse tipo de serviço, portanto, serve como porta de entrada para outras funções da TV, como os aplicativos", diz Daniel Almeida, gerente da área de TVs da LG Brasil.

Leanback: a versão do YouTube para TVs com internet
Reprodução
Leanback: a versão do YouTube para TVs com internet
Cerca de metade das TVs lançadas pela LG este ano têm acesso à internet. O modelo mais barato, com tela de 32 polegadas, custa R$ 2.099.

Segundo Almeida, os aplicativos das TVs com internet costumam ser mais usados por um público mais antenado, já familiarizado com o conceito. "O conceito de aplicativos dos smartphones ajuda o consumidor a entender sua função na TV conectada.

Com o aplicativo vem a ideia de que uma tarefa específica pode ser mais bem executada por um programa do que por uma solução mais genérica, o navegador", afirma. Segundo Almeida, os aplicativos ampliam as funções da TV. "Por meio desses programas é possível divertir, educar e informar. Tudo na televisão", diz.

Banda larga é maior obstáculo

Com os preços das TVs em queda e o maior interesse dos consumidores, o maior obstáculo para a popularização das TVs com internet é a banda larga brasileira. "A qualidade da banda larga no Brasil vem melhorando, mas o acesso a ela ainda é um pouco restrito. E para aproveitar ao máximo as TVs com internet, é necessário uma banda larga de, pelo menos, 2 Mbps", afirma Marcelo Varon, gerente de Internet Video da Sony Brasil.

Segundo Varon, uma banda larga de 2 Mbps é o valor mínimo recomendado para para navegar na web e ver vídeos com qualidade menor (padrão SD). Para assistir a vídeos em alta definição, o valor mínimo recomendado é de 5 Mbps.

TV com internet é tendência global

O crescimento das TVs com internet também acontece em países mais desenvolvidos. No estudo Bringing TV to Life: The Race to Dominate the Future of TV , realizado em sete países (Estados Unidos, Alemanha, Austrália, Brasil, Reino Unido, Espanha e Itália) a consulturia Accenture observa que, embora o consumo de vídeo linear ainda seja predominante, cada vez mais os consumidores estão consumindo vídeo em vários dispositivos e assistindo TV e usando outro aparelho ao mesmo tempo.

A Accenture observa ainda que o valor de mercado da Netflix, líder em aluguel de vídeo pela internet nos Estados Unidos, é muito superior ao de muitos canais de TV tradicionais. O estudo conclui que os canais de TV tradicionais devem remodelar seus modelos de negócio para se adaptar à maior flexibilidade que o consumo de vídeo  

Na França, 25% dos lares possuem TVs com algum tipo de conexão à internet. De acordo com dados do instituto Gfk, até 2014, 70% dos televisores daquele país terão conexão à internet. Segundo Didie Dabin, conselheiro em novas tecnologias, inovação e serviços da Embaixada da França no Brasil, o acesso à internet é feito tanto pelas próprias TVs como por equipamentos auxiliares.

Loja de eletrônicos nos EUA: interesse dos americanos por TVs com internet aumenta
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Loja de eletrônicos nos EUA: interesse dos americanos por TVs com internet aumenta
"Na França são muito populares adaptadores que, uma vez conectados a TVs, permitem o acesso à internet. Assim, não é necessário trocar de aparelho para acessar a rede", disse em entrevista ao iG . Segundo Dabin, a banda larga média na França é de 20 Mbps, o que garante uma boa qualidade de transmissão dos vídeos.

Já nos Estados Unidos, um estudo da consultoria Parks Associates concluiu que o número de americanos que querem comprar uma TV com internet dobrou em menos de um ano.

Com isso, de acordo com a Park Associates, um em cada quatro lares americanos deve comprar uma TV com internet ainda este ano.

Segundo Tricia Parks, CEO da consultoria, o crescimento do interesse por TVs com internet é maior entre os jovens, atraídos por benefícios como redes sociais e serviços de aluguel de filmes e seriados.

 * Colaborou Claudia Tozetto

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