Na Photo Image 2011, fabricantes de câmeras mostram suas apostas para fazer os usuários tirarem fotos melhores (e gastarem mais)

As câmeras semi-profissionais, aquelas que permitem que o usuário ajuste diversos parâmetros e troque lentes dependendo do efeito desejado nas fotos, devem ganhar mais espaço entre nas vitrines das lojas que vendem câmeras digitais no Brasil. Nos estantes dos principais fabricantes que estão na Photo Image Brazil 2011, feira de equipamentos para foto e vídeo que acontece até amanhã em São Paulo (SP), há pelo menos um modelo de câmera desta categoria que serve como isca para usuários amadores aposentarem os modelos mais simples, as chamadas câmeras compactas.

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No estande da Sony, por exemplo, a atração principal é a NEX-C3, uma das menores câmeras do mundo com lentes intercambiáveis (modelos em que as lentes são encaixadas na câmera e, portanto, podem ser trocadas por outros tipos comprados à parte). Apesar de não ser uma câmera profissional, ela permite fotografar com resolução de 16.2 megapixels, filma em alta resolução (720p), tira fotos panorâmicas (inclusive em 3D) e permite adicionar efeitos às fotos, como desfocar o fundo e suavizar a pele das pessoas fotografadas. Esta e outras câmeras digitais lançadas na feira podem ser vistas na galeria de fotos abaixo:

Além dos resultados alcançados pela câmera, e conferidos pelo iG durante a cobertura da feira, a NEX-C3 chama a atenção pela simplicidade de uso. Por meio de um menu de configurações, chamado de “Modo de foto”, é possível ajustar todos os parâmetros, como abertura do obturador, sensibilidade da câmera à luz (ISO) e tempo de exposição. A diferença é que, ao acessar todos esses controles, o usuário encontra uma breve explicação sobre a serventia de cada um deles. “Tornar a câmera mais fácil de usar quebra algumas barreiras para o consumidor comum”, diz Thiago Onorato, gerente de produto de Digital Image da Sony Brasil.

Com uma estratégia similar à da Sony, a Nikon apresentou na feira os modelos D3000 e D3100. Ambas vem com um modo chamado “Guide” (Guia, na tradução para o português), um menu interativo que permite configurar, passo a passo, todos os parâmetros necessários para chegar ao resultado desejado. Funciona assim: o usuário escolhe a opção “Funcionamento avançado”. A tela colorida da câmera passará a mostrar algumas opções de resultados desejados, como desfocar o fundo, aumentar o foco, entre outros. Depois de selecioná-los, a câmera está pronta para a ação.

“Conforme o usuário tem acesso a mais recursos, pensam em investir em outra câmera que proporcione uma foto melhor”, diz Henrique de Freitas, gerente sênior de vendas da divisão de eletrônicos de consumo da Samsung. Na Photo Image, a empresa também lançou uma câmera semi-profissional, a NX-11, que também tenta facilitar os ajustes manuais da câmera. Ela é o primeiro modelo a chegar ao Brasil que oferece o botão iFunction, que permite acesso rápido a todas as configurações da câmera. Ao contrário dos modelos dos concorrentes, no entanto, há pouca explicação disponível sobre cada item a ser configurado.

Fabricação local ajuda a baixar o preço

O preço é outra barreira apontada pelos usuários para comprar uma câmera com recursos mais avançados – na maioria das vezes elas custam acima entre R$ 2,5 mil e R$ 4 mil. A Sony, por exemplo, acaba de anunciar que a NEX-C3 será fabricada no Brasil. Ela investiu R$ 80 milhões para produzir a câmera em sua fábrica em Manaus (AM), o que reduziu o preço do equipamento em 30% - ela chegará às lojas por R$ 2 mil.

A Sony pretende vender cerca de 20 mil unidades da NEX-X3 no Brasil em um ano após o lançamento. De acordo com dados da consultoria GfK, o mercado de câmeras com lentes intercambiáveis ainda representa apenas 1% no País . “Apesar de o mercado de câmeras profissionais ainda ser pequeno no Brasil, é um mercado crescente e importante para nós”, diz Onorato, da Sony.

A Nikon é outra empresa que aposta no mercado de câmeras semi-profissionais no Brasil. Apesar de ser velha conhecida de fotógrafos profissionais de todo o País, a empresa montou sua operação brasileira em abril deste ano e, segundo Koji Maeda, presidente da Nikon no Brasil, a meta é “evangelizar os brasileiros”, quando o assunto é usar câmeras avançadas para fotografar. “O mercado brasileiro de fotografia ainda é muito jovem, podemos ajudá-lo a crescer”, diz Maeda. Apesar disso, a empresa não tem planos de fabricar o produto no Brasil.

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