Tecnologia permite pagamentos aproximando celulares de caixas e tem 200 milhões de usuários em todo o mundo

Desde o início do ano, com a realização de feiras como Consumer Electronics Show e Mobile World Congress, os fabricantes vêm lançando alguns celulares com chips de NFC (Near Field Communication), tecnologia que permite fazer pagamentos com o celular, entre outros tipos de interação. Com um aparelho preparado, em vez de cartão magnético, o usuário aproxima o celular de uma base instalada na loja para fazer o pagamento de uma compra. A transação demora apenas alguns segundos.

Com mais de 200 milhões de usuários em todo o mundo, principalmente em países como Estados Unidos e Japão, o NFC demora a chegar a países como o Brasil, apesar de a tecnologia ter sido criada em 2004. O problema, segundo especialistas em debate durante a Futurecom 2011, é a segurança: como a transmissão dos dados armazenados no chip, que incluem número do cartão de crédito, senha e nome completo, é feita por meio de radiofrequência, as informações podem ser interceptadas por terceiros.

“A grande questão do NFC está em como as empresas se prepararão para garantir a segurança das transações”, disse Ricardo Porto Ferro, gerente de mobile e acessos do iG . A solução é adotar uma criptografia mais segura para os dados, o que não é motivo de preocupação em outros países, já que o índice de fraudes em transações bancárias, como a clonagem de cartões, é baixo. Outro fator que atrapalha a chegada no NFC por aqui, segundo Ferro, é a indefinição sobre qual empresa será responsável por atender o usuário em caso de uma falha na transação: a loja, a fabricante do celular ou a operadora. “Os brasileiros têm a cultura de sempre ligar para a operadora em caso de qualquer problema no celular”, disse Ferro.

Compras pelo celular tendem a crescer

Durante o painel na Futurecom 2011, os especialistas também discutiram como os sites de comércio eletrônico devem se adaptar para aumentar as vendas por meio de dispositivos móveis, como smartphones e tablets. Um dos desafios, segundo eles, está em desenvolver sistemas inteligentes que consigam monitorar a transação do usuário e, se algum problema acontecer (na maioria das vezes, a causa é a conexão de dados), impedir, por exemplo, que o usuário seja cobrado duas vezes.

Outra estratégia está em criar desenvolver aplicativos para vários sistemas operacionais ou web apps, como são chamadas as versões móveis de sites com “cara” de aplicativos. O Mercado Livre, por exemplo, acaba de lançar seu primeiro aplicativo para aparelhos BlackBerry, embora apenas 2% dos acessos ao site (e também das vendas) aconterecem a partir de dispositivos móveis. “Nos próximos meses vamos lançar aplicativos para iPhone, Android, Symbian e Windows Phone”, disse Helisson Lemos, diretor geral do Mercado Livre para o Brasil, ao iG .

Para alcançar ainda mais internautas móveis, Lemos divulgará, nos próximos meses, a interface de programação de aplicativos (API) do Mercado Livre, de modo que desenvolvedores de aplicativos possam inserir a comunidade de venda online dentro de qualquer aplicativo. “Vamos homologar todos os aplicativos, mas queremos multiplicar os acessos”, disse Lemos. Nos últimos seis meses, o Mercado Livre registrou 67 milhões de Page views a partir de celulares.

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