Pacote Google Apps tenta desafiar domínio do Office nas empresas

Michael O'Brien, vice-presidente de tecnologia da informação da Journal Communications, preferiria que os funcionários da empresa de mídia de Milwaukee nunca mais usassem os programas do pacote Office da Microsoft.

Ele instalou o Google Apps for Businesses, que oferece processador de texto, planilhas, e-mail e agenda, para 400 pessoas e disse que pretendia "converter" mais 900.

Segundo ele, como o Google Apps realiza várias das funções do Office através de um navegador e não de um software local, ele é mais barato de possuir e operar do que o pacote da Microsoft. Mais 1.400 pessoas trocarão as planilhas, documentos e e-mail da Microsoft pelo Google em dezembro.

O'Brien disse que também estava vendo uma diferença no comportamento. Muitas pessoas podem ver e trabalhar no mesmo conteúdo juntas, e acessar seus memorandos e agendas de vários equipamentos diferentes ligados à internet. Assim, as pessoas estão começando a trabalhar juntas compartilhando documentos armazenados na nuvem. De acordo com ele, mesmo nesse estágio inicial "isso começou a nos modificar".

Venkat Panchapakesan e David Girouard, do Google Apps for Business: serviço encontra dificuldades para bater Office, da Microsoft
NYT
Venkat Panchapakesan e David Girouard, do Google Apps for Business: serviço encontra dificuldades para bater Office, da Microsoft
O que está acontecendo na Journal Communications é uma pequena vitória do Google e seu desafio de computação em nuvem à lucrativa divisão Office da Microsoft, que produz o Word e o PowerPoint. Porém, mais de quatro anos depois do lançamento do Google Apps for Businesses, ainda não se sabe que estrago o Google está fazendo no negócio da Microsoft.

A Microsoft afirma que a iniciativa do Google é praticamente invisível. Contudo, executivos do Google sustentam que mais empresas, de maior porte, estão assinando o serviço na nuvem. Talvez o mais importante para o Google seja a forma pela qual o Apps o ajuda a construir redes sociais dentro das empresas. Se for bem-sucedido, ele seria uma ameaça à maior divisão da Microsoft, criando outra linha de frente na sua luta com o Facebook para dominar a vida online dos usuários.

"Inerentemente, as empresas têm a ver com pessoas e relações", disse David Girouard, que chefia a divisão Apps do Google. Coisas previsíveis, como descobrir os suprimentos necessários para manufaturar "não eram o mínimo em jogo", afirmou. "É preciso ter um sistema social, no qual um cara pode apresentar um ideia sobre um novo fornecedor e recebe comentários de várias pessoas rapidamente."

Embora Girouard diga que cinco mil empresas por dia assinem com o Google Apps, poucas empresas grandes fizeram o mesmo, muito provavelmente porque algumas pessoas não confiam completamente num serviço baseado em nuvem, porque gostam da Microsoft ou não querem forçar os funcionários a aprender um novo sistema.

Assim, o Google deu o próximo grande passo e está se concentrando principalmente em companhias menores. O Google maximiza a atratividade de documentos, agendas e planilhas a um custo de US$ 50 anuais por pessoa. Muitas firmas dizem que isso é de 50 por cento a 80 por cento mais barato do que o Office. O Google tem recursos suficientes para avançar devagar, já que seu serviço de buscas rende mais de US$ 30 bilhões.

Mas a Microsoft também tem recursos suficientes. Somente a divisão Office tem uma receita de US$ 5,6 bilhões. A maior parte dos programas corporativos é vendida por consultorias, como IBM ou Accenture, mas o Google ainda tem de usar um sócio. "Eles entraram em contato com outras companhias, mas elas não acharam que valesse a pena", argumentou David M. Smith, analista da Gartner. Ele estima que o Google ganhe apenas US$ 150 milhões por ano com o Apps, o que não é bastante para cobrir os custos. O Google afirma ter lucro.

Ao contrário, ele usa o negócio numa "guerra assimétrica" com a Microsoft. "O Google gasta US$ 1 para fazer a Microsoft gastar US$ 10 se defendendo, pois esta foi atrás daquela no negócio de buscas." A Microsoft desdenha a situação. "Vendemos uma cópia do Office 2010 por segundo _ foram mais de cem milhões até agora", afirmou Tom Rizzo, alto executivo da divisão Office. "Nove entre dez clientes que usam o Google mantém o Office em seus computadores."

A Microsoft abriu um segmento de documentos online em junho, com preços que vão de US$ 2 a US$ 27 mensais por empregado que use o serviço. Rizzo, com dez anos de casa, não revelou como vão as vendas, mas disse que "acho que isso tem o potencial de ser o produto de crescimento mais rápido do qual já fiz parte".

Bradley Horowitz, vice-presidente encarregado pelos produtos do Google+, a nova rede social da empresa, disse que a realidade a longo prazo da computação em nuvem será o fim de qualquer divisão entre empresa e cliente. "Escritório e casa se fundiram numa coisa só. As pessoas em casa já têm acesso a supercomputadores enormes por meio do Google, elas não vão tolerar ferramentas antigas no trabalho."

O Google Apps é centrado no Gmail, usado a custo zero por centenas de milhões de pessoas. A versão gratuita vem com anúncios e poucos recursos. A versão paga não tem anúncios e a empresa garante uma qualidade sustentada do serviço e oferece recursos como uma maneira de publicar vídeos corporativos.

A Capgemini, consultoria de tecnologia, usa os Apps num call center guatemalteco porque os funcionários estavam acostumados às versões gratuitas. Isso reduziu o tempo de treinamento. A Virgin America usa o sistema Gmail para seus 2.100 funcionários, mas deixa que as pessoas decidam se querem usar o Microsoft Office. "Quando as pessoas utilizam uma ferramenta, demora um tempo para convencê-las de que vale a pena mudar", explicou Dean Cookson, diretor de informática da Virgin. "A questão é achar a coisa sensacional que a nova ferramenta faz."

Há pouco tempo, o Google permitiu que as empresas criassem páginas corporativas dentro do Google+, sua rede social parecida com o Facebook. Enquanto a versão para consumidores do Google+ tem um recurso chamado "Circles", que permite manter separadas as postagens que compartilha com os amigos das trocadas com a mãe, o Circles corporativo pode ser empregado para criar departamentos e equipes virtuais, ou para colaboração em projetos, incluindo e-mail, documentos ou vídeo.

Assim que o Google+ aperfeiçoar recursos como segurança e codificação, disse Horowitz do Google, "ele mudará a maneira como as pessoas trabalham, compartilham coisas e se comunicam. Eu terei conversas de trabalho ao redor de cem bebedouros por dia."

Na Journal Communications, a equipe de O'Brien usou o Circles para treinar as pessoas na transição do Microsoft Office para o Apps. "Colocamos seis equipes diferentes em seis salas", com links de vídeo entre si. "As pessoas podiam entrar em salas diferentes e aprender coisas diferentes com qualquer um nas outras salas." Ele acha que usar o Circles para estabelecer equipes específicas de repórteres vai melhorar a colaboração entre os setores de jornais e televisão da companhia.

Girouard disse que o Google Apps lançaria mais recursos com o Google+ nos próximos meses. "Estamos indo em direção a um lugar no qual toda produtividade é inerentemente social. Perguntas como 'o que fazer agora?' e 'quem precisa tomar uma decisão hoje?' são conduzidas de forma ineficaz agora. É por isso que existem tantas reuniões nas empresas." De acordo com ele, as redes comerciais nas empresas podem ser mais rápidas, menos formais e mais eficientes. A rede social "é a próxima fase do que vamos fazer nas empresas", disse Girouard.

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