Estabelecimentos públicos devem instalar software para que a polícia identifique os usuários

PEQUIM - O governo chinês ordenou que estabelecimentos públicos que oferecem acesso à internet por Wi-Fi instalem um software que permite à polícia identificar os usuários do serviço, informou a imprensa estatal nesta quinta-feira.

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O software, que também oferece à polícia uma lista dos sites visitados pelos usuários, custa entre US$ 3,1 mil e US$ 9,3 mil. Por conta disso, estabelecimentos como bares, restaurantes, cafés e livrarias decidiram suspender o serviço de acesso à internet, apesar de sua popularidade.

Em Pequim, donos de cafés e restaurantes foram informados de que serão multados se continuarem a oferecer o serviço de Wi-Fi sem o software instalado. "Em casos mais sérios", eles terão a internet cortada por até seis meses.

Donos de cafés em Xangai e Hangzhou entrevistados pelo jornal oficial China Daily disseram que também foram notificados sobre a nova medida do governo. O software foi criado para fiscalizar "atividades ilícitas", segundo o jornal.

"É um requerimento dos órgãos de segurança pública. Por que temos que pagar por isso?", questionou o gerente do UBC Coffee, em Pequim. "Por motivos que todos conhecem, estamos suspendendo temporariamente nosso serviço de Wi-Fi", anunciou a livraria Kubrick, também na capital.

A reportagem do China Daily levanta questões sobre a ligação entre a polícia e a fabricante de softwares Rainsoft, fundada em 1998, que colabora com os órgãos de segurança pública em várias províncias chinesas.

A China tem o maior número de usuários de internet no mundo, ou 485 milhões. O governo chinês tenta constantemente controlar as atividades na web, bloqueando o acesso ao conteúdo considerado "sensível" politicamente.

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