Depois de pressão dos fabricantes, governo cedeu e retirou proposta de obrigatoriedade do Ginga em parte das TVs ainda este ano

Os fabricantes de TVs terão que incluir o Ginga, software que permite a interatividade por meio da TV digital, em 75% de todos os televisores de tela fina fabricados no País a partir de 2013. Com a decisão, anunciada por meio de portaria interministerial nesta sexta-feira (24), o governo obriga a adoção do sistema desenvolvido no Brasil em praticamente todas as TVs fabricadas no País até 2014, ano da Copa do Mundo no Brasil. As empresas que desrespeitarem a portaria perderão os incentivos fiscais oferecidos no Processo Produtivo Básico (PPB) de TVs.

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Fabricantes terão que colocar Ginga em TVs de tela fina a partir do ano que vem
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Fabricantes terão que colocar Ginga em TVs de tela fina a partir do ano que vem
Desenvolvido na PUC-Rio, o Ginga permite que os telespectadores interajam com a programação da TV e acessem aplicativos, de maneira similar às TVs conectadas . As aplicações desenvolvidas podem ser transmitidas junto com o sinal da TV digital (UHF) e permitem que os usuários acessem informações sobre os programas que estão assistindo, participem de enquetes e façam compras por meio da TV. Os recursos que dependem do envio de informações para um servidor, porém, só funcionam em TVs com conexão a internet.

Com a publicação da portaria, o governo voltou atrás na decisão de obrigar os fabricantes de TV a incluir o Ginga em pelo menos 30% dos produtos já em 2012 - opção cogitada nos últimos meses. Por meio da Eletros, associação dos fabricantes de produtos eletroeletrônicos, os fabricantes se opuseram à obrigatoriedade imediata do Ginga e propuseram incluí-lo em apenas 10% do total de TVs conectadas fabricadas em 2012. As TVs conectadas representam cerca de 20% do total de TVs fabricadas no País, assim o Ginga estaria em apenas 2% do total.

Com a nova proposta publicada hoje, o governo estabelece que a inclusão do Ginga em 10% das TVs ainda este ano é opcional. A cota de TVs com interatividade será de 75% em 2013 e aumentará para 90% em 2014. Da cota estipulada, o governo frisa que todas as TVs com conexão de internet terão que, a partir do ano que vem, oferecer a interatividade por meio do Ginga.

Para saber se um televisor oferece o Ginga e, portanto, interatividade por meio da TV digital, o consumidor deve procurar o selo DTVi no aparelho. Além de televisores, as lojas também oferecem set-top boxes com Ginga que, ao ligados em TVs sem suporte à TV digital, também oferecem acesso aos recursos. O Ginga também pode ser encontrado em alguns modelos de celulares com TV digital.

Ginga enfrenta outros entraves

Um dos aspectos questionados pelos fabricantes sobre a cota de TVs com Ginga está na disponibilidade do sinal de TV digital no Brasil que está disponível em apenas 166 dos 5,5 mil municípios, de acordo com o Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD). Ou seja, na maioria dos municípios, os telespectadores ainda não podem assistir imagens em alta definição, nem aproveitar os recursos de interatividade que o Ginga oferece.

Outro problema é a falta de conteúdo interativo no Brasil. De acordo com Valdecir Becker, doutor em TV digital pela Universidade de São Paulo (USP), as emissoras utilizam apenas 20% dos recursos de interatividade que o Ginga oferece atualmente . Entre as emissoras de TV, a maioria delas apenas envia informações sobre a grade de programação, mas ainda não permitem que o usuário compre produtos ou interaja com os programas.

"As aplicações ainda são pobres, porque as emissoras não encontraram uma forma de ganhar dinheiro com a interatividade", disse Luiz Fernando Gomes Soares, pesquisador da PUC-Rio e criador do Ginga, ao iG . Segundo ele, a decisão do governo de impor a adoção do Ginga nas TVs fabricadas no Brasil ajudará a popularizar a interatividade no Brasil. Ele defende que o governo tome a frente do projeto de TV interativa, com o desenvolvimento de aplicativos para redes de TV públicas, como a TV Brasil.

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