Editoras e Apple estão brigando pelos termos de distribuição das publicações no iPad

PARIS - O estreito controle da Apple sobre o conteúdo de mídia em seu iPad está atraindo oposição de alguns dos mais poderosos jornais e revistas na França, que pretendem se unir para tentar impedir a gigante da tecnologia de ditar os termos de distribuição.

O esforço das oito publicações, entre as quais o diário Le Figaro e o jornal esportivo L'Équipe, é o mais recente sinal da crescente desilusão dos grupos editorais mundiais quanto ao que avaliam como termos rígidos e comissão elevada da Apple (30%).

O grupo de publicações francesas, que também inclui o jornal financeiro Les Echos e a revista Nouvel Observateur, lançou um quiosque digital para vender edições individuais no iPad e em breve oferecerá assinaturas e pacotes de produtos. As empresas estão negociando com a Apple de forma coletiva e não venderão seus produtos no quiosque que a Apple pretende lançar no mês que vem, conhecido como Newsstand, sem antes obter grandes concessões.

"No mundo da Internet, estamos diante de protagonistas infinitamente poderosos, como Apple, Google e Facebook, muito mais fortes que nós, as editoras," disse Pascale Pouquet, diretor de mídia no Figaro, o segundo maior jornal francês. "Fazia sentido que tentássemos estabelecer uma dinâmica de poder mais favorável e um relacionamento mais igualitário com eles," acrescentou.

O consórcio reúne publicações que costumam concorrer ferozmente. O sofisticado diário Le Monde é a ausência mais notável. Louis Dreyfus, presidente do conselho do grupo, disse que o jornal acredita que sua marca seja forte o bastante para atrair usuários online sem ter de se incomodar com um processo decisório coletivo, que tende a ser lento.

Desde que a Apple começou a vender assinaturas, em fevereiro, o setor de mídia conquistou algumas concessões. Em junho, a fabricante do iPad abandonou um controverso plano de exigir que os veículos de mídia oferecessem seus preços de assinatura mais baixos em sua loja online.

Mas a empresa não relaxou o controle sobre os dados dos assinantes: as publicações só obtêm acesso às informações de um usuário caso este clique em um botão que as autoriza especificamente.

Por Leila Abboud e Gwénaëlle Barzic

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