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11/02 - 20:28hs
Começa a Campus Party
Milhares de entusiastas "acampam" durante seis dias no pavilhão da Bienal em SP para participar de oficinas, palestras e demonstrações sobre temas ligados à internet e tecnologia
Rafael Rigues
Começou hoje em São Paulo a edição nacional da Campus Party, evento que reunirá durante seis dias mais de três mil pessoas em palestras, oficinas e demonstrações sobre assuntos ligados à tecnologia como desenvolvimento de software, modificações de hardware, robótica, astronomia, jogos, música, blogs e internet. Esta é a primeira edição do evento fora de seu país de origem, a Espanha, onde já acontece há 11 anos.
Meia hora antes da abertura dos portões já havia uma longa fila de centenas de pessoas aguardando a entrada. Muitas delas carregando várias malas e, não raro, vários computadores desktop completos. A cena aplacou dois dos maiores medos da organização quando da decisão de trazer a festa para o Brasil: o medo de que os brasileiros não quisessem "se mudar" para dentro de um evento de tecnologia e de que eles não estivessem dispostos a trazer seus computadores com eles, preocupados com a violência em uma grande cidade.
Cerca de 60% dos 3.300 participantes (ou "campuseros") inscritos retiraram suas credenciais já no primeiro dia, e 22% do público é composto por mulheres, uma surpresa para a organização: segundo Paco Ragageles, co-fundador da Campus Party espanhola, lá a participação feminina não chega a 13% do público total. A idade média do público é de 23 anos.
1.800 campuseros ficarão acampados durante os seis dias do evento. Para isso a organização transformou o segundo andar do prédio da Bienal em uma "mini-cidade" com cerca de 900 barracas. Não há lugares pré-determinados: à medida que chegam os inquilinos escolhem o local que mais lhe agrada e tomam posse. Inevitavelmente, logo começam a surgir as personalizações: plaquinhas de "ocupado" rabiscadas em uma folha de papel colada à porta, identificação em código de barras, gravuras decorando as "paredes" e bandeiras do Brasil, de times de futebol e até uma do MST.
O espaço é exíguo: dentro de cada barraca cabem basicamente um campusero e sua mochila, ou dois se ambos não se importarem com um pouco de calor humano. A infra-estrutura inclui apenas o necessário: tomadas (para recarga dos inúmeros laptops e aparelhos eletrônicos), rede wi-fi e banheiros com chuveiros, além de um refeitório. Ao fim do evento, os participantes que pagaram por suas incrições poderão levar as barracas para casa, como lembrança.
Na área de games, mal o evento havia começado e já surgiam os primeiros "casemods". Um participante exibia um PC em forma de uma cabeça de dragão, com chifres enormes, olhos vermelho-sangue e dentes ameaçadores. Outros tinham máquinas pintadas com temas variados, ou com janelas de acrílico exibindo os componentes internos, iluminados por neon. Aqui e ali, alguns PCs enormes que precisam ser refrigerados a água (invariavelmente tingida em uma cor fluorescente, para maior impacto) para funcionar corretamente. Muitos dos monitores tem 19 ou 20 polegadas, e não é incomum ver micros com dois ou mais deles, trabalhando em uma configuração "dual head".
Infelizmente um dos eventos programados para a área, um campeonato de Counter Strike, foi cancelado em respeito à recente decisão judicial que proíbe a comercialização e distribuição do jogo em território nacional. Mas como a decisão não afeta outros jogos de tiro, os eventos com Unreal Tournament 3 e Call of Duty 4, entre outros jogos, continuam na programação.
Na área de exposições, um dos projetos mais interessantes é um jogo de luta chamado "Kung Fu Kick Ass": os participantes tem seus movimentos e imagem filmados e transferidos para dentro do jogo, transformando-se nos personagens principais. Os socos e chutes sob as câmeras são transformados em golpes contra inimigos como Bruce Lee, Arnold Schwarzenegger e o Presidente norte-americano George W. Bush. É o conceito do Nintendo Wii, de diversão e atividade física, levado ao próximo passo.
Blogueiros da Intel passeiam pela vizinhança montados em Segways, registrando o que há de mais interessante no blog da empresa. Um dos projetos mais aguardados, o robô Quasi, desenvolvido pela Universidade de Carnegie-Mellon nos EUA, ainda não estreou: sua chegada ao prédio da Bienal atrasou por problemas alfandegários, mas tudo já foi resolvido e a partir de amanhã o simpático humanóide estará conversando com os participantes.
A tão falada conexão de 5 Gb/s à internet existe, mas se engana quem pensa que vai conseguir toda esta banda só para si. A maioria dos micros tem placas de rede capazes de lidar com conexões de no máximo 10 ou 100 Mb/s, e ainda não são comuns os modelos que conseguem operar a 1 Gb/s. Além disso, a banda é compartilhada entre todos os usuários, o que resulta em uma velocidade real de transmissão de dados bem menor. Na área "campus blog", onde todas as mesas tem um ponto de rede cabeada, consegui cerca de 2,3 Mb/s. Número respeitável, sem dúvida, mas um pouco desapontador considerando que algumas empresas já oferecem links domésticos de 4 ou 8 Mb/s a preços razoáveis.
As incrições para as oficinas e palestras da Campus Party já estão encerradas, mas a visitação às áreas de exposição e lazer é aberta ao público. O evento acontece até domingo, 17/02, das 10:00 às 21:00 no pavilhão da Bienal no Parque do Ibirapuera, em São Paulo.
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