Terminou neste domingo, 17, o Campus Party, maior e mais importante evento de entretenimento eletrônico do país. A meca geek foi instalada na Bienal do Ibirapuera, em São Paulo, e reuniu desde segunda-feira, 11, mais de 5500 participantes, entre inscritos, imprensa e convidados.
Após 7 dias de “enclausuramento” digital, os 1800 inscritos que acamparam nas dependência do pavilhão recolheram suas coisas e voltaram para casa. Na manhã deste domingo o clima no local era de despedida e certa tristeza.
Nunca um evento de tal proporção foi realizado no Brasil. O Campus Party, tradicionalmente espanhol, acontece há 7 anos e esta foi a primeira vez que a América Latina pôde receber uma estrutura do gênero.
Os números impressionaram e até surpreenderam a organização. A edição de 2009 já foi confirmada, mas nenhum detalhe adicional foi divulgado. Sabe-se, entretanto, que a Rede Globo propôs uma parceria aos responsáveis pelo evento para a próxima edição.
Durante toda a semana os participantes gozaram de um total de 300 oficinas, palestras e apresentações especiais. Entre os nomes mais importantes que passaram pelos corredores do Campus Party Brasil estão o Tenente Coronel Aviador Marcos César Pontes, o primeiro brasileiro a ir ao espaço, John "Maddog" Hall, presidente da Linux International e Steven Johnson, um dos mais importantes pensadores do ciberespaço da atualidade.
Entre os 3300 inscritos estavam entusiastas por tecnologia de 18 países, a maioria interessada em assuntos relacionados a software livre. “Eu vim para cá, principalmente, por causa das discussões acerca das questões que envolvem o software livre”, disse Frank Sipoli, 42, de Guaratuba, Paraná. Ele e seu filho Santiago Sipoli, 16, acamparam durante os 7 dias na Bienal. A segunda área mais movimentada do evento foram as bancadas de games. Em virtude da proibição dos torneios de Counter-Strike, que faziam parte da programação oficial, os jogadores presentes manifestaram sua indignação colando cartazes com os dizeres “liberam o Counter-Strike”. A organização optou por tirar o jogo da sua agenda por causa de uma decisão judicial que proibiu a venda do título no Brasil.
Na noite desse sábado, apesar do cansaço, alguns “ativistas digitais” organizaram o que batizaram de “Passeata Nerd”. O objetivo da movimentação era criticar o projeto de lei do Senador Eduardo Azeredo, cujo principal intuito é criar mecanismos que possibilitem a monitoração da rede. Frases de impacto como “defenda a liberdade e privacidade na internet” estampavam as faixas e cartazes que os participantes carregavam a tiracolo. A concentração aconteceu em frente ao palco principal e foi embalada pela música "Killing In The Name", do Rage Against the Machine.
A adesão do público ao evento confirma a predisposição do brasileiro a assuntos relacionado à internet. A idade média dos participantes foi de 23 anos e do total de inscritos 26% eram mulheres. A estatística impressionou a organização, acostumada com uma presença feminina menor na Espanha; na última edição do evento no país, aproximadamente, 87% do público eram homens.
E para quem achou que a proibição dos programas P2P (Torrent, Emule etc) seria um empecilho para quem optou passar uma semana acampado no Ibirapuera, os números confirmam o contrário. Cerca de 70% do tráfego da rede foram de uploads e apenas 30% de downloads. Isso significa que a produção e troca de conteúdo durante os 7 dias foram maiores do que aquisição de material por intermédio da web, mesmo com o link de 5 gigabytes disponibilizado aos participantes.
Curiosidades
Um evento como o Campus Party acumula números que impressionam pela sua dimensão estratosférica. Veja abaixo algumas estatísticas interessantes:
- Cerca de 2800 computadores foram registrados durante o evento;
- Os cabos da rede de internet tinham 25 quilômetros e os de rede elétrica, aproximadamente, 26 quilômetros;
- Ao todo eram 4000 tomadas, 14 quilômetros de cabo de vidro e 9 quilômetros de fibra ótica;
- Cerca de 75 mil volts de energia foram gastos durante o encontro;
- Mais de 15 mil post foram produzidos sobre o evento e mais de 130 mil pessoas visitaram o blog oficial do Campus Party;
- Durante a edição brasileira aconteceu a quebra do recorde mundial de overclocking (diminuição da temperatura por meio de nitrogênio liquido de modo que se torne possível aumentar a velocidade e performance de um computador).
O Campus Party Brasil 2009 já foi confirmado e até o final deste ano outras edições acontecem fora da Espanha.
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