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20/03 - 19:31hs

Norte-americano cria "inseto cibernético"
Mariposa criada em laboratório tem um implante substituindo parte do corpo. Exército dos EUA quer insetos de controle remoto para usar como pequenos espiões

Rafael Rigues

Há cerca de dois anos a DARPA, agência de pesquisas em projetos avançados do Departamento de Defesa dos EUA, publicou um edital curioso procurando empresas e institutos de pesquisa capazes de criar "insetos ciborgues": como um dos requisitos, os candidatos deveriam produzir minúsculos dispositivos eletro-mecânicos (MEMS - Micro Eletro-Mechanical Systems) e implantá-los no inseto ainda na fase de pupa, para integração ao resto do organismo durante o crescimento do animal.

Foi exatamente o que o professor Robert Michelson, da Universidade de Tecnologia da Geóriga (Georgia Tech), conseguiu recentemente: nesta semana ele publicou os resultados de seu trabalho com a "cibernetização" de uma mariposa Manduca: o tórax do animal foi comprimido e um dispositivo inserido no lugar original de um dos segmentos. Quando o inseto cresceu, o aparelho foi integrado ao resto do organismo como esperado.

Com o programa, batizado de Hi-MEMS, a DARPA quer tornar realidade aquela frase "ah, se eu fosse uma mosca naquela sala..." e criar insetos que possam ser equipados com sensores variados, capazes de captar a presença de substâncias químicas, sons e até imagens, e usá-los na busca por armas e terroristas dentro de cavernas e edifícios.

O próximo passo é provar que o calor e energia mecânica gerados pelo inseto durante seu movimento podem ser usados para fornecer energia elétrica aos dispositivos. Portanto, na próxima vez que um inseto começar a voar insistentemente ao seu redor, tenha cuidado: você pode estar sendo observado.


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