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31/10 - 18:18hs
O smartphone da moçada
Com Windows Live Messenger e Hotmail, o MOTO Q11, da Motorola, tenta conquistar o público jovem
Rafael Rigues
Embora os smartphones sejam tradicionalmente associados ao mundo corporativo, eles podem ser úteis em várias outras situações. Se aproveitando do fato de que eles são uma excelente ferramenta de comunicação (com voz, e-mail, navegação web e mensagens de texto), e sabendo que a comunicação constante é um dos pilares da juventude atual, a Motorola está lançando o MOTO Q11, o primeiro smartphone desenvolvido para o “público jovem”.
A primeira diferença é o visual em preto polido, com detalhes coloridos nas laterais (azul metálico no modelo que testamos), bastante atraente. A tela LCD, de 2.4 polegadas com resolução de 320 x 240 pixels, ocupa toda a metade superior da frente do aparelho (e pega marcas de dedo com extrema facilidade). Logo abaixo há duas teclas de ação, direcional com botão central e um teclado QWERTY com 37 teclas, que inclui atalhos para aplicativos de uso constante, como navegador, e-mail, media player e câmera.
Na lateral esquerda há um conector para fones de ouvido (com um plugue padrão de 3.5 mm) e um conector Micro-USB, usado para transferência de dados entre o smartphone e o PC. A entrada para cartões de memória, no padrão MicroSD, fica atrás da tampa traseira, ao lado da entrada para o SIM Card e logo acima da bateria. Os cartões podem ter até 16 GB, e um modelo de 1 GB acompanha o aparelho.
O Q11 também tem uma câmera de 3.15 MP (na traseira), equipada com Flash e zoom digital de 8x. Internamente, também há interfaces Bluetooth 2.0, Wi-Fi (802.11 b ou g, com velocidade de 11 ou 54 Mbit/s) e GPS integrado. No geral, trata-se de um pacote bem completo em termos de recursos.
O sistema operacional é o novo Windows Mobile 6.1. A interface é diferente da usada em um smartphone comum e baseada no conceito de “painéis deslizantes”, cada um dedicado a uma tarefa específica. Por exemplo, há um painel “geral” que mostra data, hora e status da conexão Wi-Fi, um painel de comunicação, que mostra chamadas perdidas, mensagens sms e novos e-mails, o painel Windows Live, que mostra seu status e mensagens do Messenger, um de configuração e por aí vai.
Para alternar entre os painéis, basta usar as setas para cima ou para baixo no direcional. E para alternar entre as “páginas” em um mesmo painel, usa-se as setas para a esquerda e direita. O painel “Guia de Introdução” tem as informações necessárias para aprender a usar cada um dos recursos do aparelho. Se quiser, ele pode ser removido depois que você já estiver “craque”.
Uma das vantagens do Windows Mobile é a imensa quantidade de programas disponíveis para o sistema, de jogos a software para empresas. Com um pouco de pesquisa na internet, é possível encontrar programas para satisfazer qualquer necessidade, e levar o aparelho bem além de seus recursos “de fábrica”.
A internet no seu bolso
Embora não seja compatível com redes 3G, o MOTO Q11 tem interface Wi-Fi para acesso rápido à internet, além do acesso “2G” via Edge. O navegador padrão, a versão de bolso do Internet Explorer (Pocket IE) é inadequado para acesso a sites modernos e só funciona bem com sites "mobile" bastante limitados. Esta é uma falha do sistema operacional, e não do aparelho. Se o alvo do Q11 é o público jovem (para quem a web é um segundo lar), a Motorola deveria ter incluído um navegador mais capaz já de fábrica.
A solução existe e se chama Opera Mobile (na versão 8.65), que lida muito melhor com a internet do nosso dia-a-dia, mas é um software pago que custa US$ 24. Com ele os sites aparecem com a formatação intacta, na maioria dos casos (animações em Flash não são exibidas, por exemplo), e os vários níveis de zoom permitem decidir se você quer uma “visão geral” da página ou ler um trecho específico. Se você realmente pretende usar o Q 11 para acessar a internet, o Opera é um investimento essencial.
O cliente MSN embutido, um dos grandes destaques do aparelho, funciona muito bem. É possível manter múltiplas conversas simultaneamente (cada uma em sua aba), fazer chats, enviar e receber arquivos, imagens e até mesmo pequenos clipes de voz. No geral, ele não deixa muito a desejar em relação à versão para desktop, e ainda tem a vantagem de não ter propaganda.
O tecladinho realmente agiliza a digitação das mensagens, mas é preciso se acostumar. As teclas são muito pequenas, tem cerca de 5 x 5 mm cada. Para errar menos a dica é digitar com a ponta, e não com a polpa, dos dedos e ter paciência.
Uma característica que diferencia o Q11 de outros smartphones no mercado é seu cliente Hotmail com suporte à tecnologia “Push”, mais comum no mercado corporativo. Em um programa de e-mail tradicional, você tem que pedir manualmente uma checagem da caixa postal para receber as novas mensagens. Em um cliente “Push”, como o do Q11, as mensagens são entregues automaticamente no aparelho assim que chegam ao servidor. Você nunca mais vai perder um recado porque se esqueceu de baixar seus e-mails.
Pra que lado eu vou?
O MOTO Q11 também traz software de navegação, o MotoNAV, que utiliza o receptor GPS embutido para determinar sua posição e traçar rotas entre pontos na cidade (ideal na hora de encontrar o bar onde estão os amigos). Os mapas estão na memória do aparelho, então não há consumo do plano de dados durante uma consulta. O programa é capaz de indicar o caminho mais curto ou mais rápido até um local, e também traça rotas a pé ou de carro.
Para auxiliar na determinação da posição, o aparelho usa o sistema A-GPS, que combina informações de satélite com sua posição em relação às torres de telefonia mais próximas para determinar sua localização mais rapidamente. Segundo a Motorola, no total o programa tem 230 cidades brasileiras completamente navegáveis, com 4 mil pontos de interesse (atrações turísticas, bares, restaurantes, etc) cadastrados. Não há taxa para uso de funções como navegação com instruções em voz alta, ou atualização dos mapas.
Como na maioria dos aparelhos, o GPS não funciona dentro de prédios ou locais fechados, já que precisa “ver” os satélites em órbita para determinar sua posição. Ao ar livre isto foi feito rapidamente, mas o aparelho insistia em me dizer que eu estava em um endereço a 200 metros do meu local real. Na hora de traçar uma rota do trabalho para casa, o software reclamou dizendo que o número de meu prédio não existe (e moro na cidade de São Paulo), mas indicou bem o caminho até um local próximo o suficiente.
Câmera, áudio e vídeo
A câmera do Q 11 é capaz de capturar imagens com resolução de até 2048 x 1536 pixels e vídeo com resolução de 320x240 pixels a 15 quadros por segundo. Fotos diurnas são boas, e as em ambiente interno bem iluminado aceitáveis. Em situações de pouca luz, tanto no modo foto quanto no modo vídeo, a imagem apresentou ruído que formava um padrão nitidamente visível de "linhas verticais" sobre a imagem de ponta a ponta.
A qualidade da imagem na fotografia noturna (como em vários outros celulares) é péssima, com ruído excessivo e pouca luz. O flash, na verdade um LED branco muito brilhante, tem curto alcance e só ajuda em retratos em close. A qualidade de imagem no modo vídeo é boa o suficiente para colocar os clipes no YouTube, mas o volume do som é muito baixo.
Um recurso interessante é o modo panorama, onde a câmera costura três fotos para formar uma imagem só. É tudo automático: basta bater a primeira foto (a da esquerda) e mover o aparelho para a direita. O software detecta automaticamente a mudança da cena e captura as duas imagens restantes (central e direita) assim que o enquadramento estiver adequado. Uma moldura azul no topo da tela ajuda a alinhar as coisas. A junção das fotos é boa, mas infelizmente a resolução da imagem final é baixa, apenas 748 x 272 pixels. É insuficiente para impressão, mas serve pra decorar o blog ou página no Orkut.
O “zoom digital de 8x” na verdade usa o velho truque de recortar um trecho de uma imagem maior para dar a ilusão de aproximação. Se por um lado isso não prejudica a qualidade, diminui a resolução pela metade a cada passo. Uma imagem sem zoom tem resolução de 2048 x 1536 pixels, com zoom de 2x ela cai para 1024 x 768, a 4x vai para 512 x 348 e a 8x chega a apenas 256 x 192 pixels, o que já é insuficiente para impressão.
Para reprodução de áudio e vídeo, o Q11 conta com o Windows Media Player. Vídeos podem ser vistos em tela cheia, e as músicas podem ser filtradas por artista, álbum, gênero ou organizadas em playlists. Além da saída tradicional para fones de ouvido, também é possível direcionar o som para fones de ouvido Bluetooth, como os MOTOROKR S9 (vendidos separadamente)
Segundo a Motorola, a bateria do MOTO Q11 dura 195 horas em espera, ou sete horas e meia em conversação, um bom tempo. A recarga, como em todos os aparelhos recentes da Motorola, é feita via USB, com um carregador de tomada incluso.
Embora não tenha grandes destaques entre os múltiplos aparelhos no mercado, o Q11 cumpre o que promete e merece atenção pelo preço baixo para aparelhos da categoria, R$ 899 (sugerido pelo fabricante, pode variar de acordo com planos e ofertas de sua operadora). Se você procura por seu primeiro smartphone, ele é uma boa opção.
Serviço
Produto: MOTO Q11
Fabricante: Motorola
Preço: R$ 899 (pode variar com os descontos e planos de cada operadora
Prós: Ampla gama de recursos, interface fácil de usar, tela grande
Contras: Teclado um pouco espremido, navegador básico demais
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