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17/11 - 18:32hs

O celular que faz tudo

Samsung Omnia combina uma interface sensível ao toque e uma impressionante lista e recursos em um aparelho muito elegante.

Rafael Rigues

Acordo Ortográfico

Vamos direto ao ponto: olhando para o Omnia, o mais novo smartphone da Samsung, é impossível não se lembrar do iPhone. A aparência geral, com uma grande tela sensível ao toque que ocupa praticamente toda a frente do aparelho, é similar e ele tem quase o mesmo tamanho (11,2 x 5,69 x 1,25 cm, 122 gramas), embora o aparelho da Apple pareça ser mais fino graças à ilusão causada pelas bordas afiladas.

O Omnia vem em uma embalagem que inclui, além do aparelho, um cabo de dados, adaptador de fones de ouvido, fones de ouvido intra-auriculares (com adaptadores para se encaixar melhor no ouvido do usuário) e um carregador, além do manual e CD com software para sincronia de dados com o PC. Ele não vem com um cartão de memória, mas isto não é um problema: o aparelho tem 8 GB de memória interna, que pode ser expandida com cartões MicroSD, se necessário.

A lista de recursos é bastante extensa, mas o ponto central é, claro, a tela de toque com 3.2 polegadas. Com resolução de 240 x 400 pixels (metade da resolução do iPhone) ela produz boas imagens, nítidas e com bom ângulo de visão, embora tenha visibilidade muito ruim sob a luz direta do sol: a imagem fica "lavada", como se estivesse atrás de uma densa névoa.

A magia do toque

A tela é capaz de reconhecer múltiplos toques simultaneamente, e na maioria dos casos o aparelho "vibra" levemente a cada toque, confirmando um comando. A Samsung assimilou bem a idéia de que uma tela sensível ao toque não é nada se não houver programas que façam bom uso dela, e não se acanhou em modificar aspectos do sistema operacional Windows Mobile 6.1 ou substituir aplicativos para tirar o máximo deste recurso.

Um exemplo disto é a tela principal. Em vez da tradicional “Today Screen” de outros aparelhos, o Omnia mostra apenas um papel de parede ao gosto do usuário. Na lateral esquerda, uma barra contém “widgets”, pequenos aplicativos que você arrasta com o dedo para o desktop, criando uma tela principal personalizada: você escolhe se quer uma lista de e-mails recentes ou um media player, e onde estes itens irão ficar. O conceito lembra bastante o “Dashboard” do Mac OS X.

Um menu secundário, com ícones grandes, permite acesso a recursos como lista de chamadas, agenda, câmera e navegador web. Um outro menu pode ser personalizado com atalhos para seus programas favoritos. A câmera é totalmente controlada com toques na tela, bem como o media player. O navegador, uma versão do Opera, tem boa parte dos truques do iPhone, como o zoom na página com uma "batidinha" do dedo na tela e a rolagem de página com um gesto do dedo para cima ou para baixo.

Infelizmente, os aplicativos padrão do Windows Mobile, ou de terceiros, não seguem o mesmo ritmo. Não é preciso usar o Omnia por mais do que alguns minutos para dar de cara com interfaces feitas para controle com uma caneta, com ícones minúsculos e impossíveis de acertar com o dedo. Até mesmo o teclado virtual é difícil de usar com o aparelho "de pé" se você tem dedos grandes, embora deitar a tela facilite as coisas, já que o teclado se reajusta sozinho para ocupar toda a largura da tela.

Para resolver este problema, a Samsung inclui com o aparelho uma caneta retrátil (e uma cordinha para pendurá-la no celular), que mais parece um tubo de rímel. É uma solução longe do ideal já que deixa o usuário confuso, sem saber quando usar os dedos ou a caneta. Cansado de alternar entre os dois métodos, a tendência é que ele adote o "mais compatível", a caneta, e abandone a opção mais confortável e natural (os dedos).

O Omnia ainda tem um terceiro modo de interação, que a Samsung chama de "mouse óptico". É um sensor (que parece um quadrado preto) entre os dois botões logo abaixo da tela. Passar o dedo ali movimenta uma "setinha" na tela, e pressioná-lo gera um clique, exatamente como um mouse tradicional. Mas porque alguém iria querer perder tempo arrastando um cursor pela tela, quando é muito mais rápido e prático tocar diretamente no ícone, é um mistério.

Fotos de qualidade

A câmera do Omnia, equipada com um sensor de 5 megapixels e flash, é excelente e faz fotos para ninguém botar defeito, mais do que suficientes para substituir sua câmera doméstica em boa parte das situações.

Entre seus recursos estão o foco automático, detecção de faces e detecção de sorrisos. Seus 14 modos de cena simplificam o ajuste da câmera para as mais variadas condições, e os múltiplos efeitos, que vão do tradicional “Sépia” a um divertido recurso de troca de cores, permitem dar aquele “toque artístico” às fotos.

As fotos diurnas tem exposição adequada, boa nitidez e distorção mínima. De noite, o Omnia produz fotos melhores que a média de outros smartphones, mas as imagens apresentam ruído considerável, visível na forma de "linhas" na imagem, principalmente nas áreas escuras.

O Omnia faz desde fotos em close extremo (macro), a 4 cm do objeto fotografado, até panoramas onde até oito fotos são combinadas em uma única imagem. Tudo automaticamente, basta bater a primeira foto e mover a câmera para enquadrar o resto da cena. Também há um modo de captura sequencial, onde até 9 fotos são feitas em sequência, e um modo mosaico, onde duas ou quatro imagens podem ser combinadas em uma composição.

Infelizmente, nos modos panorama, mosaico e de captura sequencial a resolução das imagens é limitada. Panoramas tem no máximo 192 pixels de altura, e mosaicos e sequências tem 320 x 240 pixels, em ambos os casos um tamanho insuficente para impressão. Com os 8 GB de memória interna do Omnia, você nunca vai deixar de fotografar por falta de espaço: depois de algumas dezenas de cliques, o contador na tela indicava espaço suficiente para mais de sete mil imagens na resolução máxima.

Vídeos feitos com a câmera tem resolução de 640x480 pixels e 30 quadros por segundo, algo ótimo. Durante a gravação, a atualização da imagem na tela fica "lenta", mas isso felizmente não se reflete no vídeo. É possível filmar com macro e usar o zoom digital durante a gravação (coisa rara).

Já filmagens noturnas são outra história: o Omnia usa o LED Flash como uma "lanterna" para iluminar a cena, mas ele não tem potência suficiente. No final das contas, só dá pra ver objetos que estejam dentro de um estreito círculo no centro da imagem, a no máximo 50 cm de distância da lente.

Um curioso modo de gravação “lento” transforma cenas normais em clipes em slow-motion: cada segundo filmado se transforma em seis segundos gravados, embora a resolução da imagem seja reduzida pela metade. Ainda assim, pode ser um recurso interessante para gravar cenas rápidas como esportes, por exemplo.

GPS incompleto

Ao contrário de aparelhos de concorrentes como a Nokia e Motorola, o Omnia não tem software de navegação. Ele tem, sim, GPS e software de mapas (uma versão do Google Maps), que é capaz de indicar sua posição no mapa e traçar rotas entre dois ou mais pontos da cidade, mas não conta com o recurso de navegação: as instruções "passo-a-passo" (em inglês, turn-by-turn) em voz alta e em português. "Vire à direita", "siga em frente", etc.

Além disso, o Google Maps exige uma conexão de dados (EDGE, 3G ou Wi-Fi) para download dos mapas, o que consome parte da sua cota mensal de tráfego contratada junto à operadora. Além disso, se você estiver em um lugar sem conexão (vulgo "meio do nada"), vai ficar sem mapas também.

Música e vídeo pra viagem

Com uma tela grande e 8 GB de memória interna, é natural pensar no Omnia como uma boa opção como um "Personal Media Player", para ouvir músicas e assistir vídeos durante uma viagem. O software que controla todas estas funções, batizado de "Touch Player", tira bom proveito da tela de toque, com botões grandes e menus deslizantes.

No quesito áudio ele tem os recursos básicos, como listas de reprodução, seleção por artista/álbum/gênero, navegação por capas dos álbuns, etc. Estranhamente, não há opções para equalização de áudio. O aparelho não tem saída direta de fone de ouvido (no padrão 3.5 mm), mas vem com um adaptador que lhe permite usar seus fones favoritos. O alto-falante interno tem volume suficiente para animar uma sala ou quarto de hotel, mas soa um pouco abafado.

Já quando o assunto é vídeo o aparelho traz, já na caixa, o logotipo DiVX, assegurando a compatibilidade com o mais popular formato de vídeo na atualidade. Mas na hora de tocar tais vídeos (convertidos para o perfil DiVX Portable com o encoder oficial da DiVX Networks) tive problemas: o player de vídeo caía, me deixando apenas com uma mensagem de erro. Consegui tocar arquivos no formato H.264 (MPEG-4), mas em filmes com resolução próxima à de um DVD, como 640 x 480 pixels, o vídeo "engasgava", tanto no som quanto na imagem.

Segundo a Samsung, a bateria do Omnia tem autonomia de até 500 horas em espera, e 5 horas e 50 minutos em conversação. Claro, o uso de recursos mais avançados, como gravação/reprodução de vídeo e navegação em redes 3G (especialmente) diminui este tempo. A recarga pode ser feita na tomada, com o carregador incluso no pacote, ou em qualquer computador: basta plugar o aparelho a uma porta USB.

Com preço sugerido de R$ 1.799 (que pode variar de acordo com planos e pacotes de sua operadora), o Omnia é uma boa opção para quem procura a elegância de uma interface sensível ao toque em um aparelho com hardware poderoso. A câmera é uma das melhores que já vi em um smartphone, e graças ao sistema operacional Windows Mobile 6.1 há uma enorme quantidade de aplicativos no mercado para expandir ainda mais seus recursos. Ele é um “matador de iPhone”? Não creio. Mas em alguns momentos, chega a superar seu concorrente.

Serviço
Nome:
Samsung SGH-i900 “Omnia”
Fabricante: Samsung
Preço: R$ 1.799 (sugerido pelo fabricante)
Prós: tela sensível ao toque, excelente câmera, 8 GB de memória interna
Contras: inconsistências na interface, reprodutor de vídeo instável.


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