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04/06 - 17:31hs
Palm acerta em cheio com novo smartphone
Palm Pre é bonito, elegante, cheio de recursos inovadores e superior ao iPhone em vários pontos
David Pogue / New York Times
Você já viu aquele filme onde um par de perdedores adoráveis se une para derrotar o arrogante atleta que é a estrela da escola? Se não, está prestes a ver. Se chama "Palm Pre vs. iPhone".
A estrela do grande sucesso deste verão é a Palm. Ao longo dos anos, esta que já foi uma grande empresa perdeu o talento para tudo, menos para burradas nos negócios. Críticos já estavam prevendo sua morte. E então o novo Palm Pre apareceu.
O Pre, que chega às lojas nos EUA no dia 6 de junho, é um smartphone multitouch elegante e agradável. É como um iPhone remixado. Isto não é surpresa, já que seu principal mentor foi Jon Rubinstein, que se juntou à Palm após trabalhar com Steve Jobs durante 16 anos. Uma vez lá ele contratou 250 engenheiros da Apple e de outras empresas, e os desafiou a criar um iPhone melhor que o iPhone.
Só o fato de que o Pre chega perto de ser bem sucedido em sua missão é estonteante. Como vários outros "matadores de iPhone" já demonstraram, a maioria dos esforços para replicar o iPhone termina em produtos horrendos, projetados por um comitê.
O Pre tem os recursos de costume: Wi-Fi, GPS, 3G (banda larga móvel), Bluetooth (incluindo áudio), uma câmera muito boa com um flash minúsculo, sensor de luz ambiente, sensor de proximidade, sensor de inclinação, saída padrão (3.5 mm) para fones de ouvido, tela sensível ao toque de 3.1 polegadas (com a mesma resolução de 320 x 480 pixels do iPhone, mas ocupando menos espaço). A parte difícil é fazer tudo isso parecer simples e unificado -- e no geral a Palm acertou em cheio.
Hardware: o Pre é uma cápsula achatada de plástico preto brilhante, coberto com um acabamento duro e resistente a riscos. Quando está desligado, a tela desaparece completamente, transformando-o em uma espécie de "talismã" sem nenhum grande destaque. Ele tem exatamente o tamanho certo: é menor que o iPhone -- 1.2 cm mais curto, embora 0,6 centímetros mais espesso -- e portanto mais confortável de usar como um telefone.
Preço: o Pre custa, nos EUA, US$ 200 após descontos, amarrado a um contrato de dois anos com a operadora Sprint.Co-estrela da Palm em nosso filme, esta operadora oferece um plano melhor que o oferecido pela AT&T no iPhone. Por exemplo, o plano de US$ 70 mensais (com 450 minutos de ligações) inclui acesso à internet e mensagens de texto ilimitadas. O equivalente na AT&T não inclui mensagens de texto. O plano "completamente ilimitado" da Sprint custa US$ 100 por mês -- no geral uma economia de US$ 240 em um ano em relação à AT&T.
E estes planos incluem os excelentes serviços Sprint Navigation (GPS com instruções passo-a-passo, nomes de ruas falados e mais) e streaming de programas de TV e rádio (algo muito legal se você está em uma área com boa cobertura).
Entrada de texto: Ao contrário do iPhone, o Pre tem um teclado de verdade. A tela desliza para cima, revelando quatro fileiras de minúsculas teclas. Elas são mesmo muito pequenas, o teclado de um BlackBerry é gigante em comparação. Ainda assim, as teclas convexas com acabamento emborrachado tornam mais fácil (e menos frustrante) digitar nele do que em uma tela de vidro.
Telefone: para fazer uma chamada no Pre, abra o teclado e comece a discar. Quer dizer, digitar. o sistema busca os contatos correspondentes no seu livro de endereços imediatamente. Ou você pode configurar teclas para discagem rápida. A qualidade de áudio nas chamadas está dentro da média. A campainha, entretanto, é baixa demais. Espere ouvir muita gente reclamando disso.
Software: O sistema operacional novinho em folha do Pre, batizado de Web OS, é atraente e fluido. Ele pega muita coisa emprestada do iPhone -- como o gesto de "pinçar" a tela com dois dedos para ampliar ou reduzir uma imagem ou o "empurrão para o lado" para apagar um item em uma lista -- mas tem personalidade própria.
Por exemplo, além da belíssima tela a faixa de plástico preto abaixo dela também é sensível ao toque. Passe o dedo da direita para a esquerda, por exemplo, para voltar à tela anterior. Arraste para cima para chamar uma faixa de acesso rápido aos aplicativos. Ela armazena os ícones dos cinco programas que você usa com mais frequência (por exemplo: telefone, calendário, mail) para que você possa alternar entre eles sem ter de retornar a uma "tela inicial" central antes.
Isso é importante, porque o Pre pode manter múltiplos programas abertos ao mesmo tempo. Ouça rádio via web enquanto lê um documento em PDF, ou compare duas mensagens de e-mail -- não dá para fazer isso no iPhone.
Quando você pressiona o pequeno botão brilhante abaixo da tela, todas as janelas abertas se encolhem em "cartões" individuais. Você pode alternar entre programas movendo-os de um lado para o outro, ou fechar um programa "jogando fora" o cartão correspondente com um rápido gesto para cima. Ainda bem que isso é divertido: se você tiver cerca de 10 cartões abertos, uma mal-educada mensagem de "falta de memória" aparece.
Toques geniais estão em todo canto. Enquanto assiste um vídeo, você pode passar o dedo para a esquerda ou direita para voltar ou avançar alguns segundos. Horários vazios no seu calendário se encolhem para economizar espaço, marcados por uma faixa que diz "três horas livres". Quando você amplia um documento do Word, o texto é reposicionado para que você nunca tenha que rolar a tela lateralmente.
Bateria: Todo mundo reclamou da bateria lacrada do iPhone. A bateria do Pre, entretanto, pode ser trocada facilmente. Ainda bem, porque sua autonomia é o que mais desaponta no Pre. Dependendo do quanto eu usava o aparelho, ela acabava no fim da tarde ou na hora do jantar.
A Palm diz que estes são resultados "excepcionalmente ruins", provavelmente causados pela pouca cobertura da Sprint na região onde vivo, já que a constante busca pelo sinal consome energia rapidamente.
A fabricante alega que a bateria aguenta cinco horas de conversação ou 12 horas como MP3 player, mas admite que um dia inteiro é o máximo que você vai conseguir.
Música: A maioria dos telefones faz um péssimo trabalho como reprodutor de música. Especialmente se comparados ao iPhone que é, afinal de contas, um iPod de verdade. Mas aparentemente o Pre também é.
Quando você o conecta a um Mac ou PC, o Pre aparece no iTunes rotulado como "iPod". Você pode sincronizar sua coleção de músicas, fotos e vídeos (exceto os itens com proteção anti-cópia) com o aparelho, e o iTunes nunca vai notar que está sendo enganado. Os advogados da Apple devem estar tendo chiliques.
Programas integrados: Você provavelmente mantém o calendário da família no Google Calendar, o calendário do trabalho em um servidor Exchange ou no Outlook e alguns eventos com os amigos no Facebook. O Pre consolida todas estas agendas online em um calendário único, organizado por cores.
Ele faz a mesma coisa com seus vários livros de endereços online. No fim você tem apenas uma entrada para, digamos, Zé da Silva, contendo toda a informação de contato de múltiplas fontes. O Pre também pode consolidar várias contas de e-mail em uma caixa de entrada única, ou agrupar suas listas de contatos do AIM e Google Talk. Funciona bem e faz muito sentido.
Loja de aplicativos: Uma boa parte do apelo do iPhone é a App Store: 35.000 programas baratos ou a preço de banana para baixar como quiser. A loja de aplicativos do Pre começa pequena -- Há um leitor de matérias do NY Times, streaming de rádio via Pandora, listagem de filmes no Fandango e por aí vai.
A Palm pretende aprovar milhares de novos aplicativos nas próximas semanas, mas eles não serão tão diversos ou poderosos quanto os do iPhone (especialmente os jogos). No começo, pelo menos, a Palm está limitado o acesso dos programadores a todo o potencial do Pre.
OK. O Pre é um feito espetacular. Vai de 0 a 100 em uma única versão. Mas vai matar o iPhone?
Bobinhos! O Pre será um sucesso, mas o iPhone não vai a lugar algum. Antes de mais nada, a dianteira de 20 milhões de unidades da Apple só vai crescer quando o novo sistema operacional 3.0 (e, presume-se, um terceiro modelo de iPhone) chegarem em breve. Em segundo lugar, a audiência da Palm para seu novo modelo ainda é limitada aos Estados Unidos. O Pre exige uma rede CDMA, então funciona em poucos países.
Em terceiro, mesmo o Pre tem seus pontos irritantes. Abrir certos programas pode ser muito lento -- às vezes oito ou nove segundos -- e não há barra de progresso ou ampulheta para lhe avisar que o aparelho está "pensando".
Não há slot para cartões de memória para expandir os 8 GB de memória interna, e não há Correio de Voz visual (Visual Voicemail, que lista os recados como se fossem e-mails). O engenhoso recurso de busca universal, que vasculha os programas, livro de endereços e a internet simultâneamente, não analisa seus e-mails ou calendário. E ainda há alguns bugs a exterminar.
Por fim, o Pre não é tão simples quanto o iPhone. Todos estes recursos extras, por definição, significam que há mais coisas para aprender.
Então, será que os destaques do Pre (software e hardware belíssimos, tamanho compacto, teclado, bateria removível, flash, multi-tarefa, consolidação de calendários) superam seus pontos fracos (autonomia de bateria, lentidão ocasional, volume da campainha)?
Com certeza. Se a história do retorno das cinzas da Palm for mesmo como o roteiro de um filme, então esta última reviravolta nos coloca rumo a um final feliz e tanto.
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