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22/07 - 17:08hs

Atualização para BlackBerry era, na verdade, spyware oficial

Programa distribuído por operadora deveria capturar todas as mensagens recebidas ou enviadas pelos usuários e reenviá-las a uma central

Geek

Por Antonio Blanc

O cenário a seguir é o pesadelo de todo especialista em segurança: usuários de um smartphone recebem a notificação de uma “atualização” que melhoraria o desempenho de seus aparelhos. Interessados, milhões instalam o software para só descobrir tarde demais que na verdade tal atualização é spyware. E, o que é pior, feito pela própria operadora de celular.

Infelizmente, o pesadelo virou realidade para 145 mil usuários de BlackBerry nos Emirados Árabes Unidos. E a mensagem não veio de nenhum criminoso tentando se passar por uma fonte legítima: ela foi enviada pela Etisalat, a operadora de telefonia local responsável pelos aparelhos. E para piorar, o spyware não foi distribuído por acidente. Tudo indica que se trata de uma operação intencional.

O caso começou a ser desvendado quando os usuários começaram a reclamar de uma redução drástica na vida útil da bateria, queda no desempenho e crashes nos aparelhos atualizados. Intrigada, a Research In Motion (RIM), fabricante do BlackBerry, resolveu investigar e descobriu que a tal atualização era na verdade um programa em Java, criado para copiar mensagens que chegavam aos aparelhos e reenviá-las a uma central. Segundo a BBC, o programa foi desenvolvido pela SS8, uma empresa norte-americana baseada na Califórnia especializada na criação de soluções para vigilância.

A Etisalat, por sua vez, insiste que a atualização era necessária para uma “melhoria no serviço”, algo que a RIM afirma não ser possível com software desenvolvido por terceiros, como as operadoras. A empresa criou um programa que pode ser usado para remover a atualização dos aparelhos afetados.

O caso vem à tona pouco tempo depois da Amazon também exercitar seus poderes de “grande irmão” e remover, ironicamente, todas as cópias dos livros “1984” e “A Revolução dos Bichos”, de George Orwell, dos leitores de e-Book Kindle de seus usuários. Segundo a empresa, isso aconteceu por um equívoco durante a negociação dos direitos autorais: a editora que os cedeu à Amazon não os possuía, tornando a licença para publicação das obras em formato eletrônico inválida. Os usuários, entretanto, estão furiosos. Definitivamente não é uma boa hora para ser um consumidor no mundo dos eletrônicos sempre conectados.


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