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24/09 - 16:14hs
Microsoft reinventa o Zune para se livrar de imagem negativa
Novo "Zune HD" esbanja tecnologia e não deixa nada a desejar em relação ao iPod Touch
David Pogue / New York Times
Ao longo dos anos, a menção à palavra "Microsoft" desencadeia uma gama de emoções. Alguns levam em consideração a forma como a empresa atingiu o sucesso, e sentem raiva. Outros se lembram de como a empresa "pega emprestadas" as idéias de outras companhias, e ficam indignados. Alguns se lembram de uma briga recente com o Windows, e se sentem frustrados.
Mas quando você experimentar o novo media player da Microsoft, o Zune HD, poderá sentir uma outra emoção que as pessoas não costumam associar à Microsoft: simpatia.
Porque? Já chego lá.
O novo Zune, que substitui os modelos antigos, é a versão da Microsoft para o iPod Touch - uma belíssima tela multi-toque domina a frente. Seu belo corpo em metal pesa quase nada, e ainda assim dá uma sensação de solidez. Quase não tem botões: ele é operado como um iPod Touch: navegue tocando em itens na tela, amplie fotos ou páginas web com um gesto com os dedos, gire imagens girando o aparelho, e por aí vai. O software é fluido, lindo e incrivelmente ágil.
O novo Zune tem uma tela OLED brilhante, nítida e com ótimas cores. Marcas de dedos são um problema, como em todo aparelho touchscreen, mas apenas quando a tela está desligada. Ele é mais estreito e mais "baixo" que o iPod Touch, e só um pouquinho mais grosso. Está disponível (por enquanto apenas nos EUA) nas cores preto ou prata, mas na loja online da Microsoft é possível encomendar um Zune HD com várias opções de painéis traseiros ilustrados por artistas. O modelo de 16 GB sai por US$ 220 e o de 32 GB por US$ 290 (preços nos EUA). Para comparação, o iPod Touch vem em modelos de 8, 32 e 64 GB, por US$ 200, US$ 300 e US$ 400.
O "HD" no nome significa duas coisas. Em primeiro lugar, e como nos modelos anteriores, o Zune HD pode sintonizar rádio FM (os fones servem como antena), mas agora ele também pode sintonizar estações de rádio em alta definição (HD Radio).
O HD Radio foi uma iniciativa encabeçada por estações de rádio AM e FM alguns anos atrás para competir com o surgimento do rádio via satélite. Hoje em dia, nos EUA, 1.900 estações transmitem programação em "HD" gratuitamente. As transmissões são melhores que as de AM ou FM, e nunca há estática. Melhor ainda, muitas destas estações transmitem um segundo ou terceiro "canal fantasma" para mais variedade na programação.
O canal de "antigas" da WCBS-HD em Nova Iorque, por exemplo, tem dois destes canais "multicast". A programação principal consiste em sucessos dos anos 80, e o canal secundário tem uma versão em melhor qualidade da programação do canal de notícias AM da mesma estação. O Zune é um dos primeiros aparelhos portáteis que pode captar as estações em HD. Ainda assim, este não é um recurso "matador". As estações podem ser difíceis de encontrar, sem falar que a maioria dos consumidores sequer sabe o que é HD Radio.
A sigla HD também se refere aos filmes em alta definição (com resolução de 720p) que você pode comprar na loja online da Microsoft. A loja é um grande passo para a Microsoft, que espera eventualmente integrá-la entre XBox, Zune e até mesmo celulares com Windows Mobile. A idéia é "compre um filme em um aparelho, assista em outro".
Mas, por enquanto, a seleção de títulos é pequena. A loja tem cerca de 6 milhões de músicas, 10.000 programas de TV e 500 filmes. Não parece pouco, mas a iTunes Store tem o dobro de músicas, cinco vezes mais programas de TV e 15 vezes mais filmes.
Enquanto isso, a Microsoft continua usando seu ridículo sistema de "Microsoft Points" (Pontos Microsoft) para o pagamento. Um programa de TV custa 160 pontos, um filme em alta definição custa 480. Eles estão pensando que eu sou algum tipo de casa de câmbio para ficar fazendo a conversão de cabeça? Além disso, os pontos são comprados em blocos que nunca batem exatamente com o valor da compra. Sempre sobra um restinho, que a Microsoft embolsa.
Por si só, a tela do Zune não é capaz de exibir vídeo em alta definição. Mas conecte o aparelho a uma Zune Dock (US$ 90) e você poderá tocar os vídeos em uma TV de alta definição (cabos componente e HDMI são inclusos com a dock). A Dock também permite exibir fotos, reproduzir músicas e sintonizar estações de rádio em seu sistema de entretenimento doméstico. A imagem e som são ótimos, embora retroceder e avançar o vídeo usando o controle remoto incluso seja algo meio imprevisível.
Mas a música ainda é o coração do Zune, especialmente se você assinar o plano de "tudo o que você quiser baixar por US$ 15 mensais". Entretanto, alguns vêem estes planos de assinatura como uma armadilha: no dia em que você parar de pagar a mensalidade, sua coleção de músicas inteira deixa de funcionar.
Mas o plano da Microsoft diminui em parte o problema: a cada mês você pode escolher 10 músicas e ficar com elas para sempre (e 90% das músicas no catálogo não tem proteção anti-cópia). Melhor ainda, você pode ouvir sua "playlist infinita" se logando em zune.net a partir de qualquer Mac ou PC, onde estiver. Para quem ouve muita música é uma oferta irresistível.
Enquanto isso, o software do Zune (apenas para Windows) é cheio de recursos interessante que o ajudam a descobrir novas músicas das quais pode gostar com base naquelas das quais você já gosta. E se você assina o plano de US$ 15 por mês, pode baixar à vontade. Belas fotos das bandas e trechos de texto passeiam pela tela enquanto você ouve as músicas, pelo menos até a tela se apagar para economizar bateria (que, segundo a Microsoft, dura 33 horas).
O navegador web, e seu teclado virtual, são uma novidade no Zune. Se você estiver em um local com uma rede Wi-Fi poderá visitar seus sites favoritos, aproximar a imagem para ler o texto e tudo mais, igualzinho ao iPod Touch. Funciona bem, mas é básico: só dá para abrir uma aba/página por vez, e não dá para tocar vídeos do YouTube, animações em Flash ou estações de rádio do Pandora. Não há um programa de e-mail no Zune, mas o iPod Touch também não tem um.
Claro, há um elefante na sala, chamado "iTunes App Store". No momento, ela contém 75.000 programas gratuitos ou baratos (muitos deles jogos), que você pode baixar diretamente para o Touch e são extremamente atraentes.
Sim, o Zune tem uma loja de aplicativos. E hoje ela tem exatamente nove títulos. Não nove mil ou novecentos, 9 mesmo. Calculadora, previsão do tempo... Space Invaders, "uau!". A Microsoft diz que mais programas virão, e promete que todos serão grátis, o que é legal. Infelizmente, por enquanto a Microsoft pretende escrever estes programas ela mesma - ela não pretende convidar desenvolvedores do mundo todo a participar - então a loja de aplicativos do Zune vai continuar pequena.
Há outros dissabores menores. Por exemplo, ajustar o volume é mais complicado do que deveria: é necessário apertar um botão na lateral para chamar uma série de controles na tela. Há vários bugs e defeitinhos "1.0", como quando meu PC só voltou a "conversar" com o Zune após ser reiniciado algumas vezes. E não há nenhum alto-falante, nem um pequenininho. Cara, sinto falta disso.
No geral, a Microsoft fez realmente um belíssimo trabalho com este player e seu software. Mas voltando ao início: porque simpatia?
Porque, após três anos, centenas de milhões de dólares em propaganda e, sim, várias inovações, o Zune conseguiu míseros 1.1% do mercado de media players nos EUA;
É uma coisa fracassar por ganância, ou se você tomou decisões de design desastrosas, ou se não se importou com os detalhes. Mas nada disso se aplica ao Zune. Se ele fosse lançado em um universo paralelo onde o iPod nunca existiu, o Zune seria considerado um Deus.
O problema, na verdade, é a dianteira do iPod - Seu catálogo de música, filmes, aplicativos e acessórios é ridiculamente superior ao do Zune, e este tem uma reputação de ser o "media player de perdedores e caras esquisitos". Entre a população com menos de 25 anos, o Zune é uma piada.
Mas é uma piada velha. O Zune HD não é perfeito, mas é tão divertido, refinado e satisfatório quanto seu rival. A questão é se a Microsoft vai resistir por tempo suficiente para fechar o abismo relativo ao catálogo, ecosistema e imagem perante o público.
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