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09/12 - 18:16hs

Motorola DEXT: o smartphone social
Com software MOTOBLUR e sempre "plugado" à internet, aparelho foi feito sob medida para os viciados em redes sociais

Rafael Rigues

"Smartphones". Taí uma categoria de aparelhos que precisa urgentemente de um novo nome. Estes aparelhos, verdadeiros computadores de mão permanentemente conectados à internet em alta velocidade e capazes de fazer o que quisermos dado o aplicativo certo, estão para o telefone assim como uma Lamborghini está para as primeiras "carruagens sem cavalo".

Num smartphone moderno a navegação na web, e-mail e (cada vez mais) compartilhamento de mídia e redes sociais são os itens mais importantes, com a boa e velha telefonia representando apenas uma pequena parte de uma extensa lista de recursos. O Motorola DEXT (conhecido nos EUA como CLIQ), primeiro smartphone Android da Motorola, se encaixa nesta categoria.

O design do DEXT não chama a atenção mas é agradável, com laterais em um cinza-escuro metálico que lembra minério de ferro polido. A frente é toda dominada pela tela sensível ao toque, com 3.1 polegadas. Ela tem tecnologia capacitiva e é tão sensível quanto a de um iPhone: basta um leve toque ou gesto para o aparelho responder na hora, não é necessário "cutucá-la" como nas telas resistivas. Não há a infame "canetinha", a tela foi feita para ser usada com os dedos.

Deslizando a tela para o lado você encontrará um teclado QWERTY completo, com teclas bastante confortáveis e um direcional com botão de ação no lado esquerdo, que podem vir a calhar em jogos. Por causa do teclado o DEXT é "grandalhão": mede 11,4 x 5,8 x 1,56 cm e pesa 163 gramas. Mais fino que um Nokia N95, mas mais grosso que um iPhone.

Os botões na lateral esquerda (liga/desliga e câmera) são pequenos e difíceis de acionar (especialmente o liga/desliga), já que ficam na mesma "altura" que o restante da carcaça. O controle de volume, na lateral direita, é um pouco melhor. No topo há um conector para fones de ouvido (no padrão 3.5 mm), sob medida para quem pretende utilizar o aparelho como Media Player. A conexão do aparelho com o computador e a recarga da bateria são ambas feitas com um cabo micro USB, incluso.

Na traseira o DEXT tem uma câmera de 5 MP, com autofoco e capaz de macro, que tira boas fotos sob a luz do dia. Entretanto não há flash, o que impossibilita fotos noturnas. As opções são poucas: apenas alguns efeitos de cor como sépia e preto e branco, que também podem ser aplicados ao vídeo. Este, aliá, desaponta: a resolução é de apenas 320 x 240 pixels. Na melhor das hipóteses serve para o YouTube.

Instrumento social

Mas o principal destaque do Motorola DEXT não é o seu hardware, mas sim o software. Além do sistema operacional Android, desenvolvido pelo Google, ele vem com software criado pela Motorola batizado de MOTOBLUR, desenvolvido para ficar de olho em todas as redes sociais de que você participa e jogar na tela principal qualquer atividade que aconteça, seja um recado deixado por um amigo no Facebook ou uma foto enviada pela namorada para o Picasa.

As informações são atualizadas automaticamente, usando a conexão de dados com sua operadora. A integração do MOTOBLUR vai além da tela principal: consulte as informações de um amigo no Livro de Endereços, por exemplo, e você vai ver a última mensagem postada por ele no Twitter junto com o telefone e endereço de e-mail. Bata uma foto com a câmera e em dois cliques é possível enviá-la para o Orkut.

Toda essa "sociabilidade" do aparelho tem seu preço, em dados e autonomia de bateria: configurado para monitorar uma conta no Twitter, uma no GMail, uma no Orkut e duas fontes de notícias, o consumo médio de dados era de 5 MB por dia. Isso apenas com o MOTOBLUR, sem contar o tráfego gerado por navegação web, Google Maps e YouTube. Por isso, podemos afirmar que um Motorola DEXT só faz sentido quando combinado com um plano de dados, de preferência ilimitado para que você possa aproveitar todos os recursos sem medo.

Da mesma forma, tanta atividade de rede (seja 3G ou Wi-Fi) esgota rapidamente a bateria. Com tudo (Wi-Fi, 3G, Bluetooth, GPS) ligado e uso típico, a autonomia média foi de cerca de 8 horas. Desligar Wi-Fi e Bluetooth ajuda a esticar essa marca para cerca de 10 horas, mas quem vive sempre em movimento deve colocar o carregador, ou ao menos o cabo USB (ele pode ser recarregado ligado ao micro), na bolsa.

Com Android, mil funções

O sistema operacional Android, do Google (aqui na versão 1.5) tem excelente desempenho: raramente o aparelho "engasga" antes de responder a algum comando. Como no Windows Mobile, não existe o conceito de "fechar" um programa (como o navegador) antes de abrir outro, tudo roda em segundo plano. Mas ao contrário do Windows Mobile, o sistema não fica mais lento com o tempo, nem trava ou "dá pau" quando você abre programas demais ou um deles resolve se comportar mal.

A seleção de aplicativos pré-instalados inclui vários serviços do Google, como Google Maps, GMail, Agenda e YouTube. Curiosamente, no aparelho que testamos o buscador padrão era o Yahoo! (dos EUA) e não o Google. Assim como os iPhones, smartphones Android também tem sua loja de aplicativos, o Android Market.

Segundo o Google são mais de 16 mil aplicativos disponíveis, embora nós brasileiros tenhamos acesso a apenas uma parte da loja, com os aplicativos gratuitos. Ainda assim há muitos aplicativos interessantes, como o leitor de e-Books Aldiko e o software de astronomia Google Sky Map, que usa a bússola do aparelho para indicar quais constelações você está vendo no céu, entre muitos outros.

Com bom desempenho, os milhares de aplicativos Android e o forte apelo social, o Motorola DEXT é uma boa opção se você procura um smartphone versátil e que lhe permita estar sempre em contato, não importa como ou onde você esteja.

Serviço

Nome: Motorola DEXT (MB220)
Fabricante: Motorola
Preço sugerido: R$ 1.500 sem subsídios da operadora. Inclui cartão de memória de 8 GB
Prós: Rápido, muitos aplicativos extras, integração com redes sociais
Contras: Baixa autonomia de bateria, praticamente exige um plano de dados


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