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17/12 - 17:17hs
Motorola MILESTONE: o rei dos Android
Com hardware poderoso e a versão 2.0 do sistema do Google, novo smartphone da Motorola tem fôlego para deixar sua marca em um mercado concorrido
Rafael Rigues
Recém-lançado nos EUA o Motorola DROID é o segundo smartphone da empresa baseado no sistema operacional Android, do Google, e o primeiro a chegar ao mercado com a versão 2.0 do software. Sua estréia nos EUA foi marcada por uma campanha de marketing agressiva, que proclamava que "O DROID faz o que o iPhone não faz" e gerou expectativa entre os usuários e a imprensa especializada.
Menos de dois meses após o lançamento no exterior, o DROID desembarca no Brasil com uma nova identidade: Motorola MILESTONE. Fora a diferença nos padrões de telefonia (o MILESTONE é um telefone GSM, o DROID é CDMA), praticamente todo o resto é idêntico, tanto em termos de hardware como software. Com o aparelho em mãos, chegou a hora de responder à pergunta: será que ele corresponde às expectativas?
Aparência sóbria, hardware poderoso
Medindo 11,5 x 6 x 1,3 cm e pesando 165 gramas, o MILESTONE tem design controverso. "Quadradão", em preto e com detalhes em dourado, ele tem um "quê" de anos 70 que divide opiniões: há quem o ache sóbrio e sofisticado, e há quem jure que é brega. Assim como seu irmão menor, o Motorola DEXT, o MILESTONE tem um teclado QWERTY integrado, mas que comparado ao do modelo anterior é um retrocesso.
O problema é que apesar de macias as teclas são pequenas, planas, todas tem exatamente o mesmo tamanho (com exceção da barra de espaços) e a distância entre elas é mínima, o que dificulta a digitação, especialmente para quem tem dedos grandes. O direcional mudou para o lado direito e além de plano é retangular, mais alto do que largo, o que faz com que invariavelmente seja confundido com um leitor de impressões digitais.
Inicialmente, o que mais chama a atenção no MILESTONE é a tela multi-toque. Não só pelo tamanho (são 3.7 polegadas) como pela resolução, de impressionantes 854 x 480 pixels. É muito mais que a média dos outros smartphones Android no mercado ou mesmo do iPhone, que é de 320 x 480 pixels. Na prática, isso significa mais espaço útil: é possível ver a página inteira de um portal como o iG, por exemplo, no navegador sem ter de rolá-la lateralmente.
O processador ARM Cortex A8 de 550 MHz garante o desempenho. Se há uma coisa que o MILESTONE não faz é "engasgar", seja para carregar um programa, abrir um arquivo ou um site cheio de imagens e animações. O aparelho aceita cartões de memória micro SD de até 32 GB, usados para armazenar fotos, vídeos e músicas, e um cartão de 8 GB vem incluso na embalagem. No quesito telecomunicações o MILESTONE também é completo, com Wi-Fi 802.11 b/g, 3G HSDPA (downloads a até 10.2 Mb/s, dependendo da rede da operadora), GPS com bússola e Bluetooth 2.1.
A Motorola inclui um acessório curioso na embalagem: um "dock" de mesa, que não só recarrega a bateria como o coloca em uma espécie de "modo de cabeceira" assim que ele é encaixado à base: a tela passa a mostrar automaticamente a hora atual, horário dos despertadores programados e previsão do tempo. Diga adeus ao seu rádio-relógio.
A câmera do MILESTONE tem 5 MP, com autofoco e "flash" dual-LED. Infelizmente a qualidade de imagem deixa a desejar: fotos sob a luz do sol são muito boas, mas basta o tempo ficar nublado e já é possível notar uma quandidade de ruído nas áreas escuras além do aceitável. Cenas pouco iluminadas também ficam "lavadas" e tendem a ser mais escuras do que deveriam.
O Flash, como em todo celular, não ajuda muito: ele "estoura" quaisquer objetos próximos demais da câmera, deixando-os absolutamente brancos, e não tem alcance suficiente para os objetos mais distantes. Também é possível gravar vídeos, com resolução equivalente à de um DVD: 720 x 480 pixels a 30 quadros por segundo. A qualidade de imagem é boa, mas a duração dos clipes é limitada a 30 minutos no máximo. Ferramentas de compartilhamento permitem enviar vídeos para o YouTube (e fotos para o Picasa) diretamente a partir do celular.
A autonomia de bateria, um dos principais problemas com o DEXT, foi melhorada. No DEXT, ela mal chega a 7 horas de uso "típico" durante o dia (Wi-Fi e Bluetooth ligados, download automático de e-mails do GMail a cada 30 minutos, algumas chamadas e uma hora de navegação web), mas com o Milestone conseguimos mais de 10 horas. Truques como desligar o Wi-Fi e Bluetooth quando não forem necessários e reduzir o brilho da tela ajudam a esticar esse tempo ainda mais.
Versatilidade no software
O MILESTONE é o primeiro smartphone a utilizar a versão 2.0 do sistema operacional Android. Em relação à versão 1.5 usada em aparelhos como o Motorola DEXT as principais diferenças são um sistema de busca universal, suporte nativo a servidores Microsoft Exchange (essencial para quem pretende acessar e-mail e calendário da empresa no aparelho), uma versão aprimorada do navegador com suporte a HTML 5 e uma nova versão da loja de aplicativos (o Android Market), mais organizada.
Falando no Market, o MILESTONE é compatível com todos os aplicativos (e já são mais de 20 mil, segundo dados do Google) disponíveis para o sistema operacional Android. Infelizmente, nós brasileiros só vemos uma parte da loja, composta por aplicativos gratuitos. Ainda assim, há opções suficientes para todos os gostos, não importa se sua "praia" é astronomia ou música.
A Motorola também inclui com o aparelho o MotoNAV, um software de navegação que transforma o MILESTONE em um GPS Automotivo. Os mapas ficam armazenados na memória do aparelho, o que ajuda a economizar no tráfego de dados. Infelizmente o software é gratuito por apenas 60 dias, e após isto é necessário pagar uma licença de navegação, válida por um ano, para ter direito a funções como a atualização de mapas e navegação com instruções por voz.
O MILESTONE não tem o MotoBLUR, software que a Motorola desenvolveu para uso no DEXT e que dá ao usuário do aparelho acesso rápido e permanente a todas as suas redes sociais favoritas. A ausência pode ser explicada pelos diferentes perfis dos aparelhos: o DEXT é mais "descolado", voltado a um público jovem enquanto o MILESTONE, com seu visual sóbrio, praticamente grita: "eu sou uma ferramenta corporativa".
Uma curiosidade: o aparelho que testamos esquentava consideravalmente na parte traseira, mais especificamente em uma "faixa" logo abaixo da lente da câmera, exatamente sobre o processador. O calor era perceptível tanto após uso prolongado da conexão 3G quanto após o uso de aplicativos que fazem uso intenso do processador, como o jogo Speed Forge 3D.
Tal calor não chegou a ser desconfortável, mas com certeza é algo incomum entre os smartphones que testamos nos últimos dois anos. O mesmo comportamento foi observado em outras unidades do MILESTONE, então não pode ser atribuído a um defeito específico do aparelho em testes.
Vai matar o iPhone ou não vai?
A combinação de um hardware poderoso (tela de altíssima resolução, processador veloz) com o sistema operacional Android 2.0 faz do MILESTONE um aparelho excepcional: é sem dúvida o melhor Android atualmente disponível no mercado, e com certeza um dos membros da "elite" dos smartphones.
Alguns (como sua operadora nos EUA, a T-Mobile) insistem em posicioná-lo como um concorrente direto do iPhone, o que considero um equívoco: são aparelhos diferentes, com propostas diferentes: o iPhone é uma central multimídia imbatível, enquanto o MILESTONE é o terminal web sob medida para quem precisa estar sempre conectado. Se você se encaixa neste perfil, vai gostar dele.
Serviço
Nome: Motorola MILESTONE
Fabricante: Motorola
Preço: R$ 1.899 (sugerido pelo fabricante, sem subsídios de operadora)
Prós: Hardware poderoso, Android 2.0, funciona como GPS automotivo
Contras: Câmera desaponta, teclado pouco ergonômico
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