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26/01 - 14:29hs
Campus Party 2010: Mitnick alerta que a 'arte de enganar' de hoje tem objetivo monetário
Ao invés de enganar apenas sistemas, os hackers buscam ludibriar as pessoas que operam as máquinas para conseguir acesso a determinadas informações.
Geek
Por Jacqueline Lafloufa, direto da Campus Party 2010
Kevin Mitnick, famoso hacker norte-americano que roubou dados de grandes empresas como Nokia e Motorola e que foi um dos mais procurados pelo FBI, esteve nesta terça- feira na Campus Party apresentando a palestra “A arte de enganar”, que lotou o palco principal e suas proximidades com diversos campuseiros.
Um dos pontos frisados por Mitnick é que o real problema da segurança nas grandes corporações é o ‘fator humano’ – por mais que hardware e software garantam a segurança, muitas vezes um usuário incauto inadvertidamente “entrega” senhas ou instala aplicativos maliciosos, ignorando as precauções necessárias. Isso acontece principalmente porque os funcionários raramente se preocupam com a segurança, e querem apenas “fazer o seu trabalho”.
A esse tipo de ataque em que o hacker utiliza da ingenuidade ou falta de preocupação do usuário, Mitnick deu o nome de “engenharia social”. Uma forma fácil, com baixo custo e alto índice de efetividade de invadir sistemas.
Assim, para Mitnick, a melhor forma de garantir a segurança em uma rede seria combinar tecnologia e treinamento de pessoal, instruindo os usuários sobre as formas mais comuns de captura de informações e treinando-os sobre as melhores formas de guardar senhas e dados confidenciais.
Em coletiva de imprensa anterior a sua apresentação, Mitnick também afirmou que ferramentas que garantem privacidade total ou parcial de conteúdo – como o famoso ‘cadeado’ do orkut ou perfis privados do Twitter – não são 100% garantidos, já que sempre existe alguém tentando burlar as regras de segurança e, assim, poderiam conseguir acesso a um conteúdo que não deveria ser público. A sugestão dele? Não publique nestas redes nada que não possa ser largamente conhecido.
O famoso hacker também não se considera um ícone, e se vê como uma pessoa normal, apesar de sua importância. Questionado se pretendia voltar a ser um hacker, respondeu com humor: “Eu sou um hacker, mas agora sou pago pra isso”. Mitnick, que começou a invadir sistemas quando isso ainda não era considerado um crime e era visto apenas como uma ‘diversão nerd’, prevê que os ‘novos hackers’ estão em busca de formas de monetizar seu ‘poder’. “Agora não é mais sobre diversão, é sobre dinheiro”, alertou.
O vídeo da apresentação de Mitnick será disponibilizado pela equipe da Campus Party no site oficial do evento, em www.campusparty.com.br.
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