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26/01 - 17:01hs

Poder para todos
Com desempenho superior aos atuais Core 2 Duo, novos processadores Intel Core i5 chegam ao mercado com preços que não estouram o orçamento doméstico.

Rafael Rigues

No final de 2008 a Intel colocou no mercado os primeiros processadores da família Core i7. Baseados em uma nova arquitetura batizada de "Nehalem" eles tinham desempenho bastante superior aos Core 2 Duo já disponíveis na época, e ainda assim consumiam menos energia. Mas como toda tecnologia de ponta, custavam caro, o que limitou seu uso a estações de trabalho ou PCs "topo de linha" para gamers abastados.

Mas uma das verdades do mundo da tecnologia é que o topo de linha de hoje estará ao alcance do grande público amanhã. Recém chegados ao mercado, os novos processadores Intel Core i5 são baseados na mesma arquitetura "Nehalem" dos Core i7, mas voltados ao desktop doméstico, e posicionados no mercado no mesmo espaço atualmente ocupado pela linha Core 2 Duo. A promessa da Intel é simples: alto desempenho com preço acessível. Mas como os novos chips se saem na prática?

Sobre a bancada

Testamos o processador Core i5 661 (um modelo dual-core rodando a 3.3 GHz), um modelo "de entrada", em uma máquina gentilmente cedida pela Intel, baseada na placa-mãe Intel DH55TC com 4 GB de RAM DDR3-1333. A contraparte no teste foi um desktop HP equipado com um processador Intel Core 2 Duo E8400 (dual-core, rodando a 3 GHz) com 2 GB de RAM.

Já de início, uma diferença curiosa: a máquina Core 2 Duo tem vídeo (Intel GMA 3100) integrado ao chipset da placa-mãe (Intel Q33). A máquina Core i5 também tem vídeo integrado (Intel HD Video), mas ele está no próprio processador. Há modelos de Intel Core i5 com (série 600) e sem (série 700) vídeo integrado, e uma mesma placa-mãe pode comportar qualquer um dos dois. Quem gosta de montar a própria máquina deve prestar atenção a este detalhe: caso opte por um processador sem vídeo, você terá de adicionar ao sistema uma placa de vídeo tradicional.

Para começar o teste, escolhemos uma série de tarefas destinadas a "estressar" o processador com cálculo intenso, como a renderização de cenas 3D usando softwares como o Cinebench R10 e o POV Ray 3.7 beta 35a. Ambos os programas usam a técnica de "ray-tracing", que calcula a aparência de cada ponto da imagem em cada objeto da cena a partir de sua interação com os raios de luz que o atingem, processo computacionalmente intensivo e demorado.

No Cinebench, a máquina Core i5 teve desempenho 41% superior ao modelo com Core 2 Duo ao trabalhar com apenas um dos núcleos ativados, e o ganho chegou a 72% com os dois núcleos trabalhando. Já no teste de OpenGL, que leva em conta o vídeo integrado, a diferença foi ainda maior: o Intel HD Graphics teve desempenho 205% superior ao Intel GMA 3100 da máquina Core 2 Duo. Não é nenhuma placa nVidia ou ATI, mas é um ganho considerável sobre a geração anterior.

No POV Ray, usamos o arquivo de benchmark padrão incluso com o programa e fizemos a renderização de uma imagem tanto com uma quanto com as duas CPUs. Com apenas uma CPU o Core i5 completou a tarefa em 5 minutos e 3 segundos, quase três minutos antes da máquina com o Core 2 Duo. Com as duas CPUs a tarefa foi concluída em 1 minuto e 57 segundos, contra 3 minutos e 22 segundos no Core 2 Duo

O Core i5 também se mostrou versátil na reprodução de vídeo em alta definição, mais especificamente "Full HD" (1920 x 1080 pixels): não houve perda de quadros (que para o espectador parece "pulos" na imagem) e o uso de CPU nunca passou de 10%. Na prática, isso significa que dá para assistir vídeo enquanto a máquina roda outras tarefas em segundo plano (gravar um DVD, rodar um anti-vírus, etc) sem medo. A máquina Core 2 Duo também rodou nosso clipe de testes sem problemas, mas com uso de CPU muito maior, 25%.

Por fim, testamos a conversão de vídeo, tarefa muito comum nos dias de hoje. Empresas como a nVidia propõem soluções que usam suas placas de vídeo para acelerar (enormemente) a conversão, mas para tirar proveito disto é necessário uma placa de vídeo dedicada e software compatível. Quando feito contando apenas com o processador (o que é mais comum) o processo é bem mais lento.

Convertemos o filme Batman Begins, com 2 horas e 20 minutos de duração, de um DVD para um arquivo DiVX de 700 MB (próprio para reprodução em aparelhos como smartphones) usando o software AutoGK, e novamente o Core i5 se destacou, completando a tarefa em 1 hora cravada, 18 minutos à frente de seu concorrente.

Trocando em miúdos...

O que estes números todos significam na prática? Simples: você consegue fazer mais coisas em menos tempo, especialmente se lida com multimídia, como edição de imagens e vídeo e modelagem 3D. Mesmo usuários domésticos tem a ganhar, com o melhor desempenho na reprodução de vídeos em alta definição e mais agilidade na hora de converter vídeos para assistir no smartphone ou media player portátil.

Quem pretende fazer um "upgrade" de um micro já existente para um processador Core i5 precisa planejar bem o caminho: os novos processadores são incompatíveis com as placas-mãe atualmente usadas em máquinas Core 2 Duo, e você irá precisar de uma nova placa. Talvez tenha também de trocar a memória, já que placas como a DH55TC usam pentes de RAM DDR3 em vez da atual DDR2. Mas o restante dos componentes poderá ser aproveitado.

Mas para quem pretende comprar uma máquina pronta, a decisão de "pular" logo para um Intel Core i5 é mais fácil. Segundo a Intel, os novos chips vão aparecer já nas próximas semanas em PCs de fabricantes como Acer, Dell, CCE, HP, Intelbrás, Megaware, Positivo e Sony. Os preços começam na faixa de 2 mil reais para desktops e 2,3 mil reais para notebooks.


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