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01/02 - 12:55hs
Campuseiros reclamam de falhas na segurança da Campus Party
Apesar de parecer estar mais reforçada esse ano, com catracas e detector de metais, a segurança do evento não deixa os campuseiros mais tranquilos.
Geek
Por Jacqueline Lafloufa,
direto da Campus Party 2010
Organizar um evento onde circulam constantemente mais de 6 mil pessoas não é nada fácil. Entre a parafernália trazida pelos geeks constam monitores, CPUs, notebooks, netbooks e toda sorte de gadget. E controlar a entrada e a saída de tudo isso é um trabalho bastante complicado. Por isso, a segurança este ano foi reforçada – mas ainda assim, campuseiros reclamam de “buracos”, o que não ajuda a amenizar o clima de intranquilidade ao deixar seu equipamento desatendido.
Provavelmente em resposta às críticas sobre a segurança das edições anteriores da Campus Party, foram colocados logo na entrada seguranças e detectores de metais. Cada campuseiro que trouxe sua própria máquina teve os equipamentos etiquetados, onde constava o número do RG do campuseiro. Ao sair da arena, o número da etiqueta do equipamento precisa ser o mesmo do RG na credencial. No portão para a área de camping (único acesso a ela) também existem catracas e mais seguranças, que checam os equipamentos na entrada – mas não na saída, um dos contra-sensos apontados pelos campuseiros, já que assim é fácil sair com os pertences de outros acampantes.
Campuseiros mais desconfiados preferem carregar notebooks em mochilas ou bolsas, e aqueles que trouxeram desktops se agrupam e pedem aos colegas para vigiarem as máquinas enquanto saem para comer ou ir ao banheiro. “Essa segurança está muito maquiada”, alertou Luis Leão, desenvolvedor de software mineiro, que conhece a Campus Party desde a primeira edição. Para ele, a conferência dos dados estava falha, e o detector de metais provavelmente se encontrava desligado.
Para testar a real proteção oferecida pelos detectores e pela conferencia dos seguranças, os campuseiros Ricardo Morastico, desenvolvedor de jogos, Caio Henrique Pinheiro, designer gráfico, e Herlon Majolo, analista de suporte, gravaram em vídeo uma simulação de roubo, na qual tentaram deixar a arena com um MacBook em mãos. O notebook, na verdade, estava registrado em nome de Pinheiro, mas a conferência dos seguranças não percebeu que o RG de quem retirava o equipamento não era o mesmo da etiqueta. O vídeo que mostra a simulação pode ser encontrado no atalho bit.ly/9fMeWC
Eles também contaram que procederam de forma semelhante na edição de 2009, mas não divulgaram o vídeo. “Enviamos para a organização da Campus Party”, conta Majolo. Morastico especula também que os detectores de metais estão desligados, e que a revista feita pelos seguranças é bastante falha. Para comprovar, mostrou à reportagem da Geek uma faca serrilhada de cerca de 20 cm, “contrabandeada” por outro campuseiro que não quis se identificar. A faca, uma arma branca, não deveria estar dentro da arena de acordo com as regras da Futura Networks.
Outros equipamentos não autorizados também foram encontrados nas bancadas e na área de camping, como aquecedores elétricos e cafeteiras. Bolsas e mochilas das equipes de imprensa também não estão sendo checados com o devido rigor: basta negar que existe um equipamento na mochila ou bolsa que os seguranças deixam passar.
A equipe de reportagem da Geek fez a experiência: conseguiu trazer um aquecedor de água do tipo “rabo quente” para dentro da Arena sem ser perturbada. Nenhum segurança sequer perguntou se havia “algo a declarar” na entrada. Logo depois, a equipe também conseguiu sair com um notebook emprestado de um campuseiro, cujo número do RG não batia com a da credencial de imprensa: bastou dizer ao segurança que não havia nada na bolsa, que era facilmente reconhecível como sendo especial para notebooks e que estava visivelmente pesada. Em outra experiência, o repórter da Geek saiu com dois notebooks, mas só mostrou um – ou seja, é possível roubar a máquina do colega, bastando para isso guardá-la na mesma bolsa que a sua. Todas as experiências foram feitas na segunda e na terça-feira.
Perguntados sobre ocorrências de furtos na Campus Party, os seguranças negam. “Está tudo redondinho”, disse um deles. Lembra apenas de um caso isolado, onde um notebook que não havia sido cadastrado foi barrado pela equipe de segurança. Na noite de sexta-feira, quando alguns campuseiros já deixavam o acampamento com malas e bolsas, a segurança foi aparentemente reforçada, e grandes filas se formavam na saída da arena.
O responsável geral pela segurança do evento não foi encontrado pela reportagem da Geek para comentar o assunto.
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