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23/03 - 17:53hs
Confusão com China não deve afetar finanças do Google
Faturamento no país não deve passar de US$ 600 milhões esse ano
André Cardozo, iG São Paulo
A polêmica entre o Google e o governo chinês dura mais de dois meses e ganhou novos capítulos nos últimos dias. Ontem, o Google redirecionou as buscas do site chinês para a versão de Hong Kong, que opera sob leis diferentes. O governo chinês não perdeu tempo e passou a filtrar também as pesquisas feitas no mecanismo de Hong Kong. Mas, qualquer que seja o resultado dessa disputa, pelo menos para o Google não haverá grande prejuízo financeiro.
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| Sede do Google na China: manifestantes depositaram flores para mostrar apoio à empresa |
O faturamento da empresa no ano passado foi de US$ 23,6 bilhões. A empresa não divulga resultados financeiros por país, mas a importância da China para os negócios do Google, no momento, é pequena. Em entrevista a CNBC logo após o início da polêmica (em inglês), o advogado-geral do Google, David Drummond, classificou como “imateriais” os recursos vindos das operações chinesas. Essa visão é corroborada por especialistas de mercado, que calculam entre US$ 250 milhões e US$ 600 milhões a previsão de faturamento das operações na China em 2010.
Se não é um grande problema financeiro agora, o conflito com o governo chinês pode prejudicar o Google no longo prazo. O país asiático é o maior mercado de internet do mundo e fechou o ano de 2009 com 384 milhões de internautas, dos quais 346 milhões navegam em conexões de banda larga. Aparentemente, a decisão do Google não tem motivações políticas, já que o governo americano declarou que não se envolveu de nenhuma forma na questão.
O Google na China
Atualmente o Google possui uma estrutura modesta na China, pelo menos para os padrões da empresa. São quatro escritórios, nas cidades de Pequim, Xangai, Guanzhou e Hong Kong. Ao todo, eles empregam cerca de 700 funcionários, 3,5% dos 20 mil empregados do Google no mundo todo.
A fatia de mercado do Google no mercado de buscas na China está bem abaixo da presença global da empresa. O Google tem 35%, contra 58% do incontestável líder Baidu. Globalmente, o Google responde por 85% das buscas, contra 2,6% do Baidu, segundo dados da Net Applications.
A princípio, a decisão do Google de redirecionar as buscas para Hong Kong não afetará os empregos dos funcionários chineses. A empresa afirmou que continuará com operações comerciais e de desenvolvimento de software no país.
A polêmica
O conflito entre o Google e o governo chinês começou no dia 12 de janeiro deste ano, quando o Google afirmou ter sido alvo de ataques de hackers localizados na China. Segundo a empresa, o principal objetivo do ataque era acessar contas de e-mail de ativistas de direitos humanos chineses. Devido a esses ataques, o Google anunciou que iria rever sua atuação no país, que incluía uma versão da ferramenta de busca com filtros de conteúdo, exigidos pelo governo chinês.
De sua parte, o governo chinês negou qualquer participação nos ataques, mas não abriu mão dos filtros que censuram buscas por temas considerados impróprios, como aqueles ligados a direitos humanos. O resultado dessa polêmica foi que, no dia 22 de março, o Google resolveu redirecionar os acessos à sua ferramenta de busca chinesa (Google.cn) para o site de Hong Kong (Google.hk).
Com informações de agências internacionais.
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