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31/08 - 14:35hs

"O importante é que o código funciona", diz criador do Linux sobre o Android
Em passagem pelo Brasil durante a LinuxCon Brazil 2010, Linus Torvalds falou sobre o futuro do Linux e das suas versões para servidores, computadores e celulares

Claudia Tozetto, iG São Paulo

Para um auditório lotado durante a abertura da LinuxCon Brazil 2010, Linus Torvalds, criador do Linux, afirmou que aprova o Android sistema operacional do Google para celulares. “O importante é que o código funciona”, disse Torvalds.

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O Google desenvolveu o Android a partir do núcleo (kernel) do Linux. O Android, no entanto, concorre com outras versões de Linux para dispositivos móveis, incluindo o MeeGo, sistema criado pela Nokia e pela Intel. As duas empresas apresentaram essa nova versão em fevereiro de 2010.

Para Andrew Morton, mantenedor do núcleo do Linux e também funcionário do Google, o Android tem funcionalidades bastante diferentes do núcleo do Linux. Assim, desenvolver o Android foi “uma decisão certa do Google".

Para Torvalds, só o tempo mostrará se o Google está certo em desenvolver sua própria versão de Linux para celulares. “Não me preocupo com o Android. Se o Google perceber que estava errado, ele optará por uma abordagem diferente no futuro.”

Mercado

Apesar de o Linux ser popular entre os desenvolvedores e estar presente em celulares e servidores de empresas, ainda falta muito para que ele se torne a escolha dos usuários de desktops e notebooks. “O Linux tem versões muito fáceis de usar hoje em dia. O problema é que ele é diferente do Windows e as pessoas não querem mudar seus hábitos”, diz Torvalds.

Segundo Jim Zemlin, diretor executivo da Linux Foundation, os usuários devem experimentar o Linux. “Agora que muitos aplicativos e serviços são acessados por meio da web, ficou muito mais fácil para qualquer pessoa usar o Linux”, diz Zemlin.

Reprodução
Windows domina mercado de sistemas operacionais, segundo NetMarketShare

Segundo dados de julho de 2010 da consultoria NetMarketShare, o Linux detém 0,93% de participação no mercado mundial de sistemas operacionais. O Windows, fabricado pela Microsoft, se mantém em primeiro lugar, com 91,32% do mercado. “Sou um técnico, não me importa qual a penetração de mercado do Linux”, diz Torvalds.

O futuro do Linux

Torvalds diz que não sabe se trabalhará para sempre com o Linux. “Eu não me importo com os usuários, sou egoísta. Só faço isso porque quero me divertir em frente à tela do computador.”

O próximo passo, segundo Torvalds, será criar uma base única de código para o núcleo do Linux rodar em qualquer dispositivo. Com celulares, servidores, computadores e notebooks com um mesmo núcleo, os dispositivos se tornarão mais interoperáveis. “Você tem um único núcleo, só embute os serviços de cada dispositivo.”

Para conseguir isso, no entanto, o Linux precisa de mais desenvolvedores. “É inevitável que um usuário colabore conosco, participe da comunidade Linux”, diz Zemlin. Entre as regiões que mais colaboram estão a América do Norte, a Europa e a Austrália. Outros países com línguas muito diferentes, como o Japão, agora colaboram menos. “Eles precisam de alguém para traduzir os projetos e seus objetivos para o restante da comunidade”, diz Zemlin.

Para Torvalds, o Brasil tem bom potencial para colaborar com o Linux. “Por ter uma cultura mais próxima a dos Estados Unidos, os brasileiros entendem melhor os projetos de código aberto”, diz o criador do sistema.


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