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08/09 - 10:23hs

Refém informa via Twitter localização de cativeiro com celular do sequestrador afegão
Com um pouco de Engenharia Social, comunicador consegue publicar as mensagens

Geek

Por Matheus Gonçalves

Kosuke Tsuneoka, um jornalista independente japonês, foi sequestrado por uma milícia enquanto trabalhava em uma reportagem no Afeganistão. Fingindo ensinar um dos sequestradores a acessar a internet, Tsuneoka enviou mensagens pelo seu perfil do Twitter informando sua localização. Ele foi libertado ontem, dia 7 de setembro.

Esta foi na verdade a segunda vez que ele foi capturado enquanto trabalhava. A primeira vez aconteceu na Geórgia, em 2001. Segundo o site Mashable, o jornalista foi mantido em cativeiro no Afeganistão por cerca de cinco meses, desde abril.

Em dado momento, um soldado raso que participava do sequestro foi mostrar sua nova aquisição tecnológica a Tsuneoka: um celular Nokia N70.

Como não sabia usar o telefone, tampouco a internet, ele pediu para que o jornalista lhe mostrasse como fazer. Tsuneoka telefonou para a central de suporte da operadora, requisitando o serviço de internet, que foi ativado em alguns minutos. Em seguida, o jornalista ensinou o sequestrador a ler notícias da agência Al-Jazeera.

Em uma jogada que faria personagens como Pica-Pau e Pernalonga morrerem de inveja, Tsuneoka propôs, de forma quase cômica, acessar o Twitter em busca de outros jornalistas que pudessem ser capturados. E os sequestradores toparam.

Acessando a interface web de seu perfil no Twitter (twitter.com/shamilsh), o profissional enviou dois tweets em inglês. No primeiro, afirma que ainda está preso, mas vivo. No segundo ele informa sua localização, na prisão do comandante Lativ. O sistema de geolocalização do celular encarregou-se de dar as coordenadas exatas do local.

Coincidentemente, o japonês foi solto no dia seguinte, mas sua libertação parece não ter relação alguma com a publicação no microblog. De acordo com a agência de notícias Associated Press, o jornalista aparentemente foi libertado por ser muçulmano, convertido em 2000.

Segundo mensagens em seu Twitter posteriores à sua libertação, Tsuneoka foi sequestrado por uma milícia local sem relação com o Talibã, embora se fizesse passar por um grupo pertencente à organização. Ele era um dos cinco jornalistas estrangeiros mantidos reféns no Afeganistão nos últimos seis meses por diferentes milícias. Ainda existem dois franceses, cuja libertação está sendo negociada, e dois repórteres do New York Times que já estão em casa – um fugiu do cativeiro com seu intérprete afegão e o outro foi libertado numa operação do exército britânico, também com seu intérprete.

Mas a experiência revela dois fatos inegáveis: que Tsuneoka é um ótimo engenheiro social e que os sequestradores são, de forma bastante cartunesca, completamente atrapalhados.

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