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18/11 - 13:19hs

Google TV é só para geeks
Sistema é confuso e por enquanto não tem atrativos para público em geral
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The New York Times

Por David Pogue

Será que existe algum canto de nossas vidas em que o Google não quer entrar?

Agora não existe mais. A Google TV está sendo lançada nos Estados Unidos, a tempo do Natal (nota do editor: o Google TV funciona apenas nos Estados Unidos e não há previsão de lançamento no Brasil).

Getty Images
Google TV: vídeos da web no televisor
Google TV: vídeos da web no televisor

Pra começar, vamos esclarecer: não dá pra ir até uma loja e pedir uma “Google TV” (bem, até dá, mas os vendedores vão rir de você). O Google TV é um sistema operacional baseado no Android, sistema presente em muitos smartphones. O Google pretende que outras empresas incluam o Google TV em seus televisores, aparelhos Blu-ray e decodificadores de TV a cabo. O objetivo é trazer os vídeos da web direto para sua TV.

Bom, essa ideia não é nova. Ela existe desde que a internet começou a se popularizar. Mas não importa quantas vezes a indústria tenta empurrar para nós um combo de Web+TV. O público simplesmente rejeita. É provavelmente por isso que quando sentamos à frente da TV queremos ficar sem fazer nada, com o cérebro desligado. E quando navegamos na web nosso comportamento é diferente, mas ativo e focado.

Apesar disso, parece que nesse ano a indústria de tecnologia está novamente em uma fase de Web+TV. Talvez a diferença agora seja o foco em vídeos da web, descartando o resto da internet (e-mail, navegação e outras atividades). Já é possível acessar serviços como YouTube e alugar filmes por meio da TV em serviços como Netflix (disponível apenas nos Estados Unidos).

Mas o Google quer reabrir os portões da internet completa na TV. O Google TV oferece acesso a vídeos da web, mas também tem um navegador relativamente competente.

Sony e Logitech oferecem o sistema

No momento, apenas três aparelhos possuem o sistema. Uma TV de 46 polegadas da Sony com o nome bacana de NSX-46GT1 (US$ 1.400 nos Estados Unidos) e dois aparelhos que fornecem Google TV para qualquer televisor, o Blu-ray NSZ-GT1 (US$ 400) e um adaptador da Logitech chamado Revue (com preço salgado de US$ 300 nos Estados Unidos).

Uma coisa é certa: o Google TV pode ser interessante pra quem gosta de tecnologia, mas não é atraente para o consumidor médio. Na longa história da TV, o sistema dá um passo enorme na direção errada: rumo à complexidade.

Pra começar, ela requer um mouse e um teclado. Isso mesmo. Para sua TV. Espero que você não seja fã de um visual rústico para sua sala de TV.

O controle remoto da Sony foi projetado para ser usado com as duas mãos, como um controle de videogame. Ele tem um teclado à la BlackBerry e teclas de seta que movem o cursor lentamente pela tela. Já o controle da Logitech é um teclado convencional, com um trackpad e um botão para cliques no canto (por US$ 130 dá para trocá-lo por um teclado menor).

Divulgação
Logitech Revue: teclado para controlar TV
Logitech Revue: teclado para controlar TV

Busca é imprevisível

Então, pra que você precisa de um teclado? Pra começar, ele é necessário para usar o Chrome, o navegador do Google. Em segundo lugar, o teclado é necessário para usar o recurso mais importante do Google TV: a busca. Ao ativar a tecla de busca no teclado, é possível realizar pesquisas pelo termo desejado em vários repositórios de vídeo.

A lista de resultados traz vídeos de websites, programas de TV a cabo e até mesmo aplicativos (mais sobre isso adiante). Selecione, clique e assista. Dá até para mudar de canal digitando, usando o nome das redes de televisão, “NBC”, “CNN” e assim por diante. Legal.

Infelizmente, a função de busca é imprevisível. Às vezes ela busca em todos os canais de TV, na web e no catálogo de aplicativos. Às vezes ela simplesmente abre a barra de endereços do navegador, o que faz com que se busque na web inteira, e não somente em vídeos. Em outras situações, ela busca apenas dentro do programa usado no momento (um aplicativo de Twitter, por exemplo).

É muito confuso. E também é confuso o botão Dual View, que deixa o programa de TV em um pequeno quadro (modo PiP) para que seja possível navegar na web e ver TV ao mesmo tempo.

Ótimo. Mas não dá para mover ou mudar o tamanho do quadro, o que é um problema quando se quer acessar uma parte da página web que está atrás dele. E, quando não se está vendo TV, o botão não faz nada (ele não deveria mostrar o quadro em qualquer situação?).

Sobre o menu principal, rápido: qual a diferença entre Favoritos (Bookmarks) e Fila (Queue)? Qual a diferença entre aplicativos e destaques? Todos têm o mesmo visual.

É tudo personalizável, estranho e na maior parte do tempo confuso. E não há uma única seção de ajuda ou instruções (eu aprendi a usar enviando toneladas de perguntas aos assessores do Google, uma opção que acho que não será oferecida para você).

Aplicativos trazem vídeos da web

Então, o que são os aplicativos de TV? Aparentemente são como páginas da web com vídeo. Por exemplo, o aplicativo da CNBC mostra a programação da emissora com uma lista de cotações do mercado de ações ao lado.

No momento há poucos aplicativos, todos já instalados pelo Google. Há aplicativos da rádio online Pandora e da NBA, entre outros. O Google diz que a diversão começará no ano que vem, quando será possível para qualquer programador criar programas para o Google TV, assim como ocorre com o Android.

Há uma lista de shows que mostra o que está no ar no momento. Mas fora isso não há nenhum guia de programação além da lista já fornecida pelos provedores de TV a cabo.

O problema com a abordagem aberta do Google, claro, é que ela gera inconsistência e caos. O Logitech Revue, por exemplo, é muito mais rápido e confortável do que o controle da Sony.

Sobre o controle remoto da Sony, por que os botões Home, Menu, Voltar e Dual View foram colocados em forma de anel, como se estivessem relacionados? Por que há dois botões OK (um dentro do anel, outro no anel das teclas de seta) e cada um deles só funciona em determinadas situações?

Getty Images
Controle da Sony: distribuição dos botões confunde usuário
Controle da Sony: distribuição dos botões confunde usuário

Google TV tem muito o que melhorar

Muito do que o Google TV pode oferecer reflete seu atual estado inicial de desenvolvimento. Por exemplo, dá pra comprar vídeos da Amazon, mas não em alta definição.

Outro exemplo: um aplicativo me mostrou uma lista de vídeos com um clipe do programa de David Letterman. Mas quando cliquei pra ver surgiu a mensagem “esse vídeo não está disponível neste dispositivo”.

Isso ocorreu porque praticamente todas as grandes TV dos Estados Unidos bloquearam o Google TV. Assim, não é possível ver vídeos hospedados nos sites das emissoras a partir da plataforma da Google. Não faz muito sentido. Eles querem público ou não? De toda forma, isso não explica por que o Google TV mostra dicas de vídeos que não pode exibir.

Também não há muita integração. Dá pra usar a função de busca para achar um programa. Mas para gravá-lo é necessário sair do Google TV e programar seu gravador por meio da interface convencional do aparelho (existe uma exceção apenas para assinantes de TV via satélite).

Problemas da web na TV

Mas mesmo se o Google TV melhorar, o problema central continua: na web os vídeos constantemente travam, engasgam, levam um tempão pra carregar ou não rodam por falta de plug-in. Estamos acostumados com isso e temos poucas expectativas. Na web.

Mas será que realmente queremos pagar uma fortuna pra trazer essas complicações para nossas TVs?

Provavelmente vai levar um bom tempo e muitas atualizações até que o Google TV se torne atraente para o público em geral. Especialmente quando por US$ 60 dá pra ter quase todos os recursos (Netflix, Amazon, Pandora, aplicativos) em um adatapdor Roku (vendido apenas nos Estados Unidos).

Mas não fique triste pelo Google. Ainda há um mundo a ser conquistado. Vamos esperar pelo Google Car, Google Bank, Google Microwave...


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