Empresa tenta atrair desenvolvedores com nova versão do sistema do PlayBook até lançamento da BBX, que ainda não tem data

Na abertura de sua conferência anual para desenvolvedores, que começou hoje em San Francisco (EUA), a Research in Motion (RIM), fabricante dos smartphones BlackBerry, anunciou sua mais nova aposta para superar a crise que a empresa entrou após a chegada de smartphones mais avançados, como o iPhone e o Android ao mercado. Trata-se da BBX, quarta geração do sistema operacional da empresa, que mistura recursos do BlackBerryOS e da plataforma de código-aberto QNX, presente no tablet PlayBook.

Mike Lazaridis, co-CEO da RIM, anuncia BBX e tenta manter desenvolvedores interessados no BlackBerry
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Mike Lazaridis, co-CEO da RIM, anuncia BBX e tenta manter desenvolvedores interessados no BlackBerry
Mike Lazaridis, co-CEO da RIM, apresentou a nova plataforma em meio a um apelo para que os desenvolvedores continuem a desenvolver aplicativos para os dispositivos da BlackBerry, apesar do pouco sucesso dos últimos aparelhos da empresa. "Não posso dizer como vocês são importantes para nós e como queremos continuar trabalhando com vocês", disse Lazaridis, no final de seu discurso inicial a uma plateia de desenvolvedores.

A plataforma QNX, segundo Lazaridis, será a mesma para smartphones e tablets fabricados pela RIM. Atualmente, os smartphones utilizam a versão 7 do BlackBerryOS e o tablet PlayBook, único da empresa, usa a plataforma QNX pura. A nova plataforma estará nos "smartphones e tablets da RIM" no futuro, segundo Lazaridis, mas o executivo não afirmou quando esses novos aparelhos serão lançados.

Uma das vantagens do novo sistema, segundo os executivos, é que ele suportará tanto aplicativos nativos, desenvolvidos com base no kit de desenvolvimento para BBX (ainda não disponível), como aplicativos baseados em web, os chamados web apps, desenvolvidos na linguagem HTML5 . "É o HTML5 que vai permitir que vocês desenvolvam o aplicativo uma vez e distribuam para o BlackBerryOS 6, BlackBerryOS 7 ou BBX", disse Lazaridis.

Segundo George Staikos, vice-presidente de tecnologia web da RIM, os desenvolvedores que optarem por criar aplicativos em HTML5 poderão colocar os aplicativos à venda por meio do BlackBerry App World, loja de aplicativos da RIM. "Estamos sensíveis ao que os desenvolvedores querem e 75% deles afirmam que criarão aplicativos em HTML5 no futuro", disse Staikos.

A empresa também liberou uma nova versão do sistema operacional do PlayBook para desenvolvedores e afirmou que os aplicativos desenvolvidos agora para o tablet serão compatíveis com a futura plataforma QNX. A versão 2.0 do sistema atual do tablet da BlackBerry suportará aplicativos desenvolvidos originalmente para o sistema operacional Android, do Google.

Vendas de tablets desapontaram e serviço falhou por três dias

Além da perda de participação de mercado com a chegada de smartphones mais modernos, como o iPhone e os aparelhos com Android, a RIM também não obteve sucesso no mercado de tablets . Depois de lançar seu PlayBook, analistas divulgaram a informação de que a empresa só havia entregado para o varejo 500 mil unidades do aparelho. Depois, a RIM anunciou que as vendas do tablet chegaram a 200 mil unidades no último trimestre . O PlayBook chega ao Brasil nesta semana.

Um dos motivos foi a defasagem de recursos do tablet , que chegou ao mercado com poucos aplicativos e sem recursos básicos, como o cliente de e-mail - recurso tão importante, principalmente para os usuários corporativos. Apesar disso, a disponibilidade e segurança dos serviços e aparelhos da marca ainda mantiveram um público cativo, mas a confiança dos consumidores foi abalada na semana passada, depois que uma falha nos servidores da empresa deixou o serviço de e-mail e o BlackBerry Messenger (BBM) fora do ar por três dias .

Durante a abertura da conferência, Lazaridis pediu desculpas novamente pela falha. "A falha mundial que enfrentamos na semana passada foi infeliz", disse ele. Para reduzir o impacto do problema, a RIM já havia anunciado nesta semana que ofereceria, de graça, diversos aplicativos para os usuários prejudicados.

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