Dave Haynes, dono da rede social, será uma das atrações da Campus Party 2012

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"Não acho que somos apenas uma rede social de música", explica, pelo telefone, Dave Haynes, vice-presidente de negócios do Soundcloud, uma das atrações da Campus Party 2012, que começa na semana que vem.

Haynes pode até desconversar, mas o fato é que, aos poucos, seu site vem se estabelecendo como a principal rede social de música na internet, título que já foi do MySpace, quando este aspirava a ser maior rede social do mundo. Enquanto este último deslizou ao deixar a música em segundo plano - e aos poucos perder a relevância digital -, o Soundcloud restringiu seu foco e dedicou-se apenas ao compartilhamento de arquivos de áudio.

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Esta definição rendeu bons frutos. Menos de dois anos depois de ter sido criado em 2009 pelo engenheiro de som Alex Ljung e pelo artista Eric Wahlforss na Suécia, já conseguiu atrair grandes nomes do mercado musical. Hoje o site é baseado em Berlim, na Alemanha. E diferentemente do MySpace, que começou a ganhar fama ao revelar artistas independentes como Lily Allen, Arctic Monkeys e Mallu Magalhães, o Soundcloud teve a facilidade de ser reconhecido mais naturalmente por artistas já estabelecidos.

Eles começaram a usar a plataforma para mostrar, em alguns casos na íntegra, lançamentos inteiros em streaming, como foi o caso do Foo Fighters (/foofighters). A banda deixou seus fãs ouvirem todo seu disco mais recente, "Wasting Light", na mesma semana em que ele foi para as lojas - digitais ou não. E não são apenas artistas cujos fãs já estão habituados a baixar músicas online, como é o caso do ex-beatle Paul McCartney (/paulmccartney).

Ele encerrou o ano passado apresentando a primeira faixa de seu próximo disco - "Kisses on the Bottom", na rede social. O disco será lançado agora em fevereiro. E não são apenas artistas que se prontificaram a estabelecer perfis na rede social. Muitas gravadoras - principalmente selos pequenos - já o utilizam como base para lançamento de seus artistas, apresentando canções, discos e até mesmo promoções, como foi o caso da gravadora nova-iorquina DFA Records (/dfa-records).

Ela abriu no mês passado um concurso de remixes para a música "How Deep is Your Love", do grupo Rapture. Na outra ponta do espectro, a tradicional gravadora alemã de música erudita Deutsche Grammophon (/deutschegrammophon) também tem seu perfil no site. Mas se Haynes não acha que o Soundcloud é uma rede social de música, então o que é este site, que, na semana passada, comemorou a marca de 10 milhões de usuários? "Somos uma plataforma de criadores de áudio", diz. "É natural que nos associem a artistas, afinal música é muito popular e vários nomes - tanto estabelecidos quanto iniciantes - já ajudaram o público a entender a natureza do site. Mas achamos que música é só uma pequena parte de nosso potencial. Hoje, graças aos celulares, todos carregamos uma câmera no bolso, também temos um microfone à nossa disposição o tempo todo. E é nisso que apostamos."

O executivo do site lista que as pessoas já usam o Soundcloud para publicar comentários falados, fazer diários em áudio, entrevistas e ler textos em voz alta. "E não são apenas pessoas comuns, mas jornalistas, comediantes, editoras de livros, radialistas, escritores, emissoras de rádio e TV", continua Haynes. Não é pouca coisa: nomes como a editora Penguin, a revista "Vanity Fair", a emissora de rádio norte-americana ABC, a Sociedade Real pela Literatura inglesa e a BBC também utilizam a plataforma para priorizar mais a voz do que canções.

E Haynes concorda quando pergunto se aos poucos vamos ver a voz substituir o texto como principal meio de comunicação na rede. "Acho que isso é uma tendência que ainda vai se estender por alguns anos. A revolução da telefonia móvel está apenas começando", diz, citando que só agora estamos vendo a ascensão dos smartphones para as pessoas que até outro dia apenas trocavam SMS e conversavam pelo celular. "Acredito que é uma tendência sem volta", diz.

Na Campus Party, Haynes vai presidir o Music Hack Day, maratona de programação que o Soundcloud promove, com sucesso, em vários países. A competição reunirá programadores que terão de criar, em cima da API aberta do site, "a nova geração de aplicativos de música", como gosta de falar. "A antiga indústria musical - o rádio, as lojas de discos e as gravadoras - sempre impôs a forma como a música deve ser criada, distribuída e consumida. Isso acabou.

Vivemos numa era em que todos colaboram com essa indústria, desde os programadores que participam destes Hack Days - que outros sites também fazem - até o ouvinte, além dos artistas e novos players no mercado de música. É um ecossistema em constante formação que não está restrito à definição de alguns poucos executivos com bons contatos." Mas ele não crê que o novo cenário deste mercado tenha aberto uma cisão entre duas gerações. "Acredito que a revolução digital a que estamos assistindo hoje é muito mais importante do que aquela que aconteceu há dez anos.

Todos já entendemos que a internet chegou para ficar e há uma nova geração de executivos que entende a rede como um leque de novas oportunidades e não mais como uma ameaça. Eles estão dispostos a fazer novas parcerias, a dialogar com músicos, a ouvir o público, a criar novas ferramentas de interação entre os diferentes lados do mercado. Nós somos apenas uma peça neste novo cenário", conclui.

Por Alexandre Matias

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