Entre os documentos do arquivo, é possível encontrar um vídeo de Jobs vestido de caça-fantasma "combatendo" a IBM

Em uma entrevista, Steve Wozniak e o falecido Steve Jobs lembravam um dos momentos mais importantes da história do Vale do Silício - como eles nomearam a Apple, empresa que construíram há 35 anos atrás. "Eu me lembro de estar dirigindo na Rodovia 85 e Steve Jobs mencionou: 'Eu tenho um nome: Apple Computer'. Nós continuamos pensando em outras alternativas para aquele nome, mas não conseguimos pensar em nada melhor", disse Wozniak.

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A entrevista, gravada em um vídeo interno para os funcionários da empresa na metade de 1980 está entre diversos materiais que a Apple estava coletando para criar um museu sobre a empresa. Mas, em 1997, logo depois que Jobs retornou à empresa, funcionários da Apple entraram em contato com a Universidade de Stanford e se ofereceram para doar a coleção para os arquivos sobre o Vale do Silício.

Em alguns dias, os curadores de Stanford estavam na sede da Apple, em Cupertino, enchendo dois caminhões com documentos, livros, software, fitas de vídeo e materiais de marketing que agora formam a parte central da coleção de Stanford sobre a Apple. Confira algumas da relíquias da coleção na galeria de fotos abaixo:

A coleção, a maior amostra de materiais históricos sobre a Apple, podem ajudar historiadores, empreendedores, entre outros profissionais, a entender como uma startup criada em uma garagem no Vale do Silício se tornou uma gigante global de tecnologia.

"Por meio desta coleção, você pode traçar a evolução dos computadores pessoais", diz Leslie Berlin, historiadora da Universidade de Stanford. "Estes documentos são os mais próximos que você pode ter para entender o que aconteceu." A coleção está armazenada em centenas de caixas localizadas em 183 metros de prateleiras no centro de documentação de Stanford, que fica fora do campus.

A Associated Press visitou a sala climatizada na região de São Francisco, mas a universidade não autorizou a divulgação da localização do espaço. O interesse na história da Apple e de seus fundadores aumentou drasticamente depois que Jobs morreu em 6 de outubro, aos 56 anos, vítima de câncer no pâncreas. A morte ocorreu semanas após ele nomear Tim Cook o novo CEO da Apple e se afastar do controle da empresa.

"A Apple, como empresa, está em um grupo muito, muito seleto", diz Henry Lowood, curador de Stanford. "Ela sobreviveu durante muitas gerações da tecnologia. Para o crédito de Steve Jobs, isso significou reinventar a empresa em diversos pontos."

A Apple cancelou seus planos de ter um museu corporativo depois que Jobs voltou à empresa como CEO e começou a reestruturar a empresa financeiramente, diz Lowood. O retorno de Jobs, mais de uma década depois de ele ser forçado a sair da empresa que cofundou, marcou o início de um dos maiores retornos na história dos negócios. O retorno levou a uma longa história de produtos de sucesso, incluindo o iPod, iPhone e iPad - que transformaram a Apple em uma das marcas mais rentáveis do mundo.

Depois que Stanford recebeu a doação da Apple, executivos da empresa, ex-funcionários, parceiros de negócios e entusiastas do Mac adicionar itens à coleção, de seus arquivos pessoais. A coleção inclui fotos de Jobs e Wozniak na juventude, o primeiro computador da Apple, manuais de usuário, anúncios de revistas, comerciais de TV, camisetas da empresa e rascunhos dos discursos de Jobs.

Em um dos vídeos da empresa, Wozniak fala sobre como ele sempre quis ter seu próprio computador, mas ele não conseguia numa época em que poucos computadores eram achados fora de empresas e órgãos do governo. "Eu descobrir que, apesar de tudo, os microprocessafores podiam ser suportados. Eu pude, na verdade, construir o meu", disse Wozniak. A dupla ainda fala sobre o primeiro produto da empresa, o Apple I, que começou a ser vendido em julho de 1976 por US$ 666,66.

"Lembre-se que o Apple I não é particularmente útil para muita coisa, mas era tão incrível ter seu próprio computador", disse Jobs. "Ele foi uma mudança de rumo na forma como os computadores estavam sendo desenvolvidos, dentro daquelas grandes caixas de metal com luzes." Entre os itens encontrados na coleção da Apple em Stanford estão:

- Milhares de fotos do fotógrafo Douglas Menuez, que documentou os anos de Jobs na NeXT Computer, que ele fundou em 1985, depois de ser expulso da Apple;

- Um vídeo da empresa parodiando o filme "Os caça-fantasmas" (Ghost Busters, em inglês), com Jobs e outros executivos atuando como se o filme fosse "Blue Busters", em referência à IBM (que tem o logotipo azul), maior rival da Apple na época;

- Recordes de faturamento escritos à mão, revelando as primeiras vendas do Apple II, um dos primeiros computadores para o mercado de massa;

- Um contrato de um empréstimo de US$ 5 mil para a Apple Computer firmado em abril de 1976;

- Uma carta escrita em 1976 por um outro empreendedor que acabava de conhecer Jobs e Wozniak e alertou seus amigos em relação a eles: "Este jogador (Jobs) vai ligar para vocês... Eles são dois caras, eles constróem kits, começaram em uma garagem."

O arquivo mostra que os fundadores da Apple estavam à frente de seu tempo, diz Lowood. "O que eles estavam fazendo era espetacularmente novo", disse ele. "A ideia de construir computadores em uma garagem, divulgá-los e criar um negócio de sucesso não estava clara para muita gente."

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