iG - Internet Group

iBest

brTurbo

Notícias Último Segundo

03/09 - 14:18hs

IFA 2008: tudo online, tudo à mão
Quando a empresa taiwanesa Asus mostrou ao mundo um notebook pequenino, em junho do ano passado, não imaginou que o brinquedinho iria tão rápido para o topo da lista de objetos do desejo - não apenas dos consumidores, mas das empresas.

Agência Estado

por Lucas Pretti

Depois de HP e Dell, outras três gigantes do mundo da tecnologia (Sony, LG e Fujitsu/Siemens) apresentaram no final de agosto o que se pode chamar de a nova geração de mininotebooks. A notícia é que eles estão mais potentes e conectados.

Os anúncios foram feitos em Berlim, na Alemanha, durante a feira de eletrônicos mais importante da Europa, a Internationale Funkausstellung (IFA) 2008. Os pequenos laptops ajudaram a construir duas das principais tendências vistas na feira: a mobilidade sem volta e a promoção da TV para o centro do entretenimento na vida das pessoas, com tudo ligado a ela e ela ligada ao mundo.

A principal diferença dos novos mininotebooks é a conexão. Dois deles, da Sony e LG, já vêm de fábrica com modem de telefonia móvel de terceira geração (3G). No Brasil, tanto a Claro como a TIM oferecem a clientes notebooks com a placa integrada, mas os usuários são obrigados a usar a rede 3G da operadora. Os novos PCs mostrados em Berlim virão "desbloqueados" e podem se conectar à internet em qualquer cidade do mundo com 3G.

Além de mais conectados e móveis, os equipamentos ganharam configuração potente e querem abandonar os termos "subnotebook" e "netbook", antes relacionados a eles como se não fossem computadores de verdade.

O modelo da Sony, da família Vaio, tem 11 polegadas, processador de 1,2 GHz, 4 gigabytes (GB) de memória RAM e disco rígido de 320 GB. O da LG, modelo X110, vem com 120 GB de HD, processador de 1,6 GHz e memória RAM de 2 GB para uma tela de 10 polegadas.

O Amilo Mini Ui 3520, da Fujitsu/Siemens, é o menos potente: tela de 10 polegadas, 80 GB de HD e 1 GB de RAM, mesmo assim bem melhor que o pioneiro Eee PC, que tinha apenas 512 MB de RAM, 900 MHz de processamento e vinha sem HD. Nenhum dos produtos tem previsão de chegada ao Brasil.

Falando no Eee PC, a taiwanesa Asus não teve um estande próprio na IFA deste ano, apesar de um setor ter sido dedicado exclusivamente a empresas do país, o "Taiwan Image Hall". Lá, em um dos 30 prédios grandes e cinzas que formam o centro de exposições Messe Berlin, quase tudo girava em torno de acessórios para o Eee PC e outros produtos tão pequenos ou menores que o micrinho branco. Como a Intel, os taiwaneses também apostam em MIDs, os "mobile internet devices" (dispositivos móveis de internet).

Um deles, fabricado pela Gigabyte, une navegador GPS, internet, celular, câmera fotográfica e player de MP3 numa tela de 5 polegadas (maior que celulares, menor que mininotebooks). Outro, da Inventec, foi chamado de Ultra-Mobile PC e tem como principal objetivo libertar os usuários da mesa com uma tela deslizante e não em formato Flip.

Difícil definir a categoria desses produtos. São celulares, computadores, tablet PCs, smartphones, pocket PCs? São tudo isso e nada disso ao mesmo tempo, já que o conceito de mobilidade está saindo do mundo da informática rumo aos eletrônicos e eletrodomésticos.

"Em 2010, 90% dos produtos eletrônicos sairão de fábrica com conexão à internet sem fio, de geladeiras a computadores", afirmou o presidente da Sony Europe, Fujio Nishida, durante apresentação na IFA. Pense bem: 2010 está logo aí, não é uma previsão tão futurista.

Outros dispositivos portáteis vistos na Alemanha comprovam que a mobilidade é um caminho sem volta. A Toshiba mostrou protótipos de uma espécie de câmera digital em que é possível editar as imagens na hora, em uma telinha touchscreen, e enviar para a internet. A Philips imagina que, com o Streamium Micro Hi-Fi, um microsystem conectado à internet sem fio, vai "libertar" usuários de MP3 players. E a Samsung trouxe seu próprio concorrente para o iPhone, da Apple, e deu o nome de Omnia: um celular com tela sensível ao toque que se conecta à internet, tira fotos, etc.

Os alemães pareceram aprovar as novidades. No primeiro dia aberta ao público, na sexta-feira, a IFA - cujo tamanho equivale a umas 20 Bienais - foi tomada por gente disputando para ver e tocar equipamentos em exposição. Acabaram vendo como será a vida no futuro.

Um só

Pense bem. Por mais que chegue a mais e mais gente e revolucione a comunicação na vida das pessoas, é difícil que um computador destitua a TV da estante da sala. A indústria de eletrônicos sabe bem disso e está trazendo o centro das discussões sobre estilo de vida digital para a televisão. Na IFA 2008, tudo se conecta à telona - e a telona está conectada ao mundo.

Os principais lançamentos da Panasonic, Sony, Toshiba, Philips, Sharp e LG estiveram de alguma forma ligado à vontade de prover a TV de conexão com a internet, cada empresa a seu modo. Há desde processadores internos até conexão wireless com outros dispositivos e pacotes para assistir, na TV, streaming via internet.

A principal novidade veio do Japão. Com sotaque típico e um inglês mal ajambrado, os diretores da Panasonic anunciaram para centenas de jornalistas em Berlim a Viera Cast, televisor que não apenas capta sinal digital como se conecta à internet por cabo ou sem fio. Um software interno permite navegar na web pelo controle remoto e executar vídeos do YouTube ou fotos do Picasa em tela cheia.

Chega-se então a uma discussão conceitual. O que é a Panasonic Viera Cast se não um Media PC, aqueles computadores voltados ao entretenimento, que podem inclusive ser ligados na TV? Com o esforço da indústria em colocar a TV no centro dos debates, cria-se um novo tipo de produto híbrido entre computador e televisor, crise parecida à vivida pelos smartphones, MIDs, etc.

A Sony claramente já encara suas TVs como computadores. O modelo Bravia EX1, lançado em Berlim na semana passada, vem com um disco rígido (HD) externo conectado sem fio à TV e com saída HDMI de alta definição. É possível enviar conteúdo ao HD a uma distância de 30 metros. Mas a EX1 ainda não fala com a internet.

Pensando em entretenimento, um home-theater se destacou entre os acessórios para TV mostrados na IFA. O CinemaOne, desenvolvido pela Philips, une em um acessório vários canais de som e permite que se tenha qualidade de áudio sem necessidade de distribuir caixas pela sala. A tecnologia é chamada pela empresa de Ambisound.

O CinemaOne não apenas soluciona problemas de espaço como também está na lógica do "todo poder à televisão". Ele tem dock para iPod, toca todos os tipos de CD e DVD (menos Blu-ray) e tem entradas USB, para celulares e MP3 players - e até computadores. Cabe tudo isso na estante da sala?

Briga antiga

Os lançamentos da IFA 2008, na semana passada, inauguraram uma nova batalha na antiga guerra das telas de TV: o que é melhor, plasma ou LCD? Philips e Sharp apostam no segundo e mostraram a "nova geração" do LCD. A Panasonic fez exatamente o contrário. Pronto, confusão para a cabeça do consumidor.

As novidades do LCD parecem mais convincentes. A tecnologia LED Backlight, desenvolvida pela Philips, termina com o problema de contraste visto em televisores muito grandes, maiores de 37 polegadas. As TV é dividida em pontos como se fossem pixels, que entendem as emissões de luz individualmente. Antes, as telas tinham linhas horizontais que misturavam áreas pretas e brancas da imagens - e acabavam deixando os pretos um pouco cinzas.

Como estratégia, a Philips lançou só uma TV com essa tecnologia, a LED Backlight LCD, que chega ao Brasil no ano que vem. Ela não sabia que a Sharp se basearia na mesma tecnologia para apresentar sua nova linha de TVs, a Aquos. A aposta do LCD, definitivamente, é o contraste "total".

Do lado do plasma, a Panasonic aprimorou a tecnologia NeoPDP, apresentada em janeiro na feira Consumer Eletronics Show (CES), em Las Vegas. Além de melhorar a luminosidade e também gerar contrastes perfeitos, o consumo de energia é menor, o que pode criar um apelo mais politicamente correto. O LED Backlight também consome menos, mas nem tanto.

"Com essas TVs, o LCD começa a ser plasma", afirmou o diretor de marketing da Philips na Europa, Danny Tack. Ao mesmo tempo que admite a carência tecnológica, provoca a concorrente. A Philips colocou uma TV Panasonic na demonstração a jornalistas como exemplo superado, no melhor estilo da luta vivida há quatro anos por duas conhecidas marcas de cerveja brasileiras.

No fundo, as TVs são muito parecidas e o consumidor final pouco teria sua "experiência de imersão" modificada. Mas, numa feira em que até os orelhões podem mandar e-mails e mensagens para celulares, um detalhe como esse pode causar a próxima guerra mundial.


Você tem mais informações? Envie para Minha Notícia, o site de jornalismo colaborativo do iG


publicidade