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15/10 - 15:16hs
Já imaginou ter o seu próprio "Orkut"?
Com a atual moda de redes sociais, além de ter um perfil em serviços como Orkut, MySpace e Limão, já é possível montar o seu próprio site de relacionamentos, onde você controla quem terá um perfil, recursos disponíveis, assuntos debatidos..
Agência Estado
por Rodrigo Martins
Parece uma idéia estapafúrdia? Pois já há quem descobriu que é uma forma de evitar ruídos de comunicação e até uma evolução da tradicional lista de discussão.
O "culpado" desse movimento é o serviço norte-americano Ning (www.ning.com). Criado em 2007, ele permite a qualquer um montar o "seu próprio Orkut" de forma rápida, fácil e gratuita. Hoje, já são 500 mil redes sociais, que tratam de temas tão díspares como arqueologia e a série Lost.
Para a pesquisadora em redes sociais da PUC de Pelotas Raquel Recuero, o Ning permite resgatar as discussões que ocorriam no Orkut em seus primórdios. "O Orkut ‘inflou’ muito. As comunidades perderam o sentido. Só servem para dizer que se ‘ama ou odeia’ algo. As pessoas não discutem mais. Em uma rede social mais focada, sem ruídos ou spam, as pessoas podem sentir-se mais à vontade para debater."
"O nicho também é um componente importante", diz a especialista em mídias sociais Ana Maria Brambilla. "As pessoas usam as ferramentas do site para interagir sobre temas mais focados. Se for sobre futebol, publicam fotos e vídeos sobre o assunto em seus perfis, o que não ocorre no Orkut."
A idéia do Ning hoje não é fazer as pessoas abandonarem as grandes redes sociais. Embora permita criar um site em que os usuários podem montar perfis e até adicionar aplicativos, o intuito é ser uma segunda rede para assuntos específicos. E esses temas podem ser tanto relativos a um grupo que já se relaciona no mundo offline como os de interesse de um maior número de pessoas, atraindo internautas.
No primeiro caso, o servidor público João Alberto Tomacheski, de 38 anos, criou uma rede social só para os moradores de seu condomínio, que está em construção. "Discutimos o andamento das obras, o valor do condomínio, etc. É uma ótima preparação para a reunião de condomínio", diz. "Uma comunidade no Orkut não traria a mesma privacidade."
Já o webdesigner Oswaldo Salzano, de 30 anos, por outro lado, queria reunir internautas com a mesma paixão: o Corinthians. Com domínio próprio - e criado no Ning -, o www.loucoporticorinthians.com tem 50 mil usuários. "Embora haja comunidades no Orkut sobre o Corinthians com mais membros, em uma rede específica, as pessoas participam mais." No site, há 60 mil fotos e 2 mil vídeos. Tudo sobre o "Timão".
Para o executivo Rene de Paula, de 43 anos, o Ning "é uma evolução das listas de discussão". Ele transformou a sua lista Radinho de Pilha, que existe desde 2001, em uma rede social. "O nível das discussões melhorou, pois as pessoas, ao criar perfis, precisam se identificar. E ganhamos em multimídia, já que é possível postar fotos e vídeos." E aí, já pensou em um tema para criar a sua rede social?
Na criação, é importante focar tema específico
Criar uma rede social no Ning não é tarefa complicada. O serviço já está em português e guia o usuário passo a passo em todo o processo. Isso é bom porque deixa você livre para fazer o mais importante, que é "povoar" e moderar a rede.
O primeiro passo - e o mais importante - na criação é escolher o assunto da sua rede social. Se for para membros da sua sala de aula ou de seu condomínio, não tem erro. Como será um espaço de convivência de uma comunidade do mundo "real", já há um público alvo bem definido e as discussões devem girar em torno de questões que esse público já trata.
Agora, se você quer uma rede para reunir interessados em música, por exemplo, é importante delimitar o tema ao máximo. Não adianta querer discutir música como um todo. O melhor é focar em uma banda ou em um estilo específico. "Quanto mais focado, melhor. E o assunto tem de permitir discussões. Não pode ser para ‘pessoas que têm sono após o almoço’. Não gera discussão", diz a especialista em mídias sociais Ana Maria Brambilla.
Por mais que seja um nicho, o tema também tem de interessar a mais pessoas do que você e seu amigo. "Tem de fazer sentido para um número considerável de pessoas. Uma rede social sem ninguém não é rede social", opina a pesquisadora em redes sociais da PUC de Pelotas Raquel Recuero.
Uma vez que você tenha delimitado o tema, é hora de partir para a criação. O Ning pedirá que você escolha um nome para o site. Seja criativo e crie um nome atraente, de fácil memorização. Seu endereço será algo como nomedarede.ning.com.
O próximo passo é escolher os recursos a que os usuários de sua rede social terão direito. Há opções para música, foto, vídeo, RSS, grupos de discussão, fórum, chat e até aplicativos. Para escolher, basta arrastar e soltar os recursos, colocando-os na posição em que desejar na página. O ideal é escolher aqueles que tenham mais a ver com o assunto escolhido.
Feito isso, é hora de cuidar do visual de sua rede social. O Ning já traz 59 opções de temas predefinidos, que configuram o papel de parede e a fonte automaticamente. Para quem deseja criar uma rede que não precise de grande publicidade, como a do seu condomínio, utilizar essas opções já está bom.
Agora, se você deseja ter uma rede social para angariar internautas interessados em um tema específico, daí é interessante pensar em personalizar o layout. O Ning permite escolher a cor e o tipo de fonte e definir uma imagem como papel de parede ou cabeçalho. Para tanto, a imagem do cabeçalho deve ter o tamanho de 1.500 x 149 pixels. Já para o papel de parede, deve ter a largura de 1.500 pixels.
Segundo o analista de sistemas Julio Donati, de 26 anos, do escaladabrasil.ning.com, quando se quer conquistar os internautas, um layout bacana faz diferença. "Assim, cria-se uma identidade visual para o site. Ele fica com uma cara menos genérica e atrai mais as pessoas."
De qualquer forma, nas configurações de criação da rede social, é possível permitir que os usuários configurem o próprio perfil, mais ou menos como é feito no MySpace. Eles poderão escolher um dos 59 modelos predefinidos ou partir para a personalização, definindo cor e tipo de fonte e uma imagem para o papel de parede.
Privacidade e moderação devem ser preocupações
Como em qualquer rede social - principalmente depois dos problemas que o Orkut teve com crimes e privacidade - é preciso garantir a segurança dos dados do usuário. Também é recomendável gastar tempo na moderação para evitar material inadequado ou discussões que fujam do tema proposto.
No primeiro caso, o Ning traz as seguintes opções para o criador da rede: permitir que qualquer um - mesmo que não seja membro - visualize todas as páginas, incluindo perfis e fotos; permitir que não membros vejam só a primeira página; e permitir que só membros acessem qualquer página.
Além disso, é possível determinar que novos membros se cadastrem só por convite; que seja preciso a sua aprovação para o cadastro; ou que o cadastro seja livre.
Para redes com público muito seleto, não há porque deixar aberto. "Já convidei muitos dos moradores. Quem estiver faltando, é só me pedir que eu envio o convite", diz João Alberto Tomacheski, de 38 anos, que criou uma rede social para o seu condomínio. No site, as páginas são só para membros.
Já em redes em que se deseja uma seleção menos rígida, deixar só a primeira página aberta e aprovar cada cadastro pode ser o ideal. O arqueólogo Diogo Costa, de 32 anos, na rede Arqueologia Digital (arqueologiadigital.ning.com), queria só especialistas na área, não iniciantes. Ele montou um questionário na ficha cadastral para novos membros - o que é possível no Ning - para a seleção. "É para manter o nível da discussão", diz. "E só deixo a primeira página aberta para as pessoas terem curiosidade e se cadastrarem."
Já em sites em que se deseja o maior número possível de pessoas, deixar aberto - sem convite e com todas as páginas acessíveis a qualquer um - pode ser uma alternativa. Mas é importante que se avise os membros disso. Eles até poderão, por conta própria, selecionar que suas fotos e vídeos sejam vistos só por amigos. Mas, para dados pessoais, não há essa opção.
Não adianta só criar a rede, é preciso garantir que as discussões não se esvaziem e que não haja conteúdo inadequado. Você não precisa fazer isso sozinho. É possível "promover" membros de confiança, dando-lhes poderes para apagar conteúdo e até expulsar membros quando necessário.
"Posto vídeos e notícias para trazer discussões", diz o criador da rede Louco Por Ti Corinthians, Oswaldo Salzano, de 30 anos. "E seis pessoas me ajudam a retirar conteúdos inadequados, como pornografia e tópicos que fogem do tema do site."
Expectativa de crescimento
Lançado em fevereiro de 2007, o Ning chama a atenção pela sua velocidade de crescimento. A cada 30 segundos, uma nova rede social é criada. No final do ano passado, eram 150 mil sites hospedados no serviço. Hoje, são 500 mil. E a perspectiva é chegar a 4 milhões até 2010.
Quem está por trás do fenômeno é um pioneiro da internet e uma investidora do mercado de ações. Marc Andreesen, criador do navegador Netscape - que sucumbiu ao poderio da Microsoft nos anos 90 -, e a executiva Gina Bianchini tiveram a idéia de criar o site em 2004. Os dois, que já foram namorados, já haviam trabalhado juntos em uma empresa de softwares para marketing, que foi vendida em 2003.
A idéia por trás do Ning, que demorou três anos para ser desenvolvido, é aproveitar o aspecto viral da rede para aumentar o número de usuários e, assim, lucrar com anúncios. Pelas contas dos responsáveis pela rede, em um mês, cada um que monta uma rede social traz 128 usuários novos para o serviço para montarem seus perfis. Isso faz com que, a cada 137 dias, o site dobre de tamanho em número de usuários.
Mas a idéia do Ning é bater de frente com gigantes como Orkut e MySpace? Não por enquanto. "Os grandes sites já prontos irão se tornar obsoletos", disse Gina recentemente no MIT, nos EUA. "Isso não ocorrerá hoje, mas as pessoas no futuro irão preferir ter mais liberdade em um ambiente onde podem criar."
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