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15/04 - 15:54hs

Na web, táticas de independentes
Seguindo a máxima de que a "internet é a base da música", o Jota Quest caiu de vez na rede. Se há dez anos eles já tinham site, agora adotam táticas dignas de bandas independentes: além do site, estão no MySpace, Orkut, YouTube, Flickr e Twitter.
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Agência Estado

por Rodrigo Martins

O quartel general é o www.jotaquest.com.br. Com nova versão lançada há um mês, traz links para as iniciativas na web e as músicas de todos os CDs para ouvir. Há ainda material exclusivo: os shows são gravados em áudio e postados para streaming. E há vídeos dos ensaios e dicas para tocar as músicas no violão.

No ano passado, durante a gravação do último disco, "La Plata", o site também virou um diário de bordo, com textos e vídeos de bastidores. "Postei um, por exemplo, com os teclados que usamos na gravação. As pessoas não costumam saber essas coisas", diz o tecladista Márcio Buzelin, de 38 anos. Já houve também transmissões ao vivo de shows em vídeo, o que o grupo promete repetir.

O Jota Quest também mantém um blog, atualizado pelo vocalista Rogério Flausino. "É um diário. Escrevo: ‘Nesta semana a gente foi não sei aonde, aconteceu isso.’ Faço críticas de filmes e músicas do meu jeito."
Essas informações reverberam em outros blogs, no MySpace e no Orkut. E essa é a ideia mesmo. "Os fãs também divulgam a gente e ajudam a levar as novidades", explica Rogério. Para tanto, o MySpace dos rapazes, inclusive, tem um banner que pode ser colocado em outros perfis do MySpace - tática típica de banda independente.

Outra similaridade com independentes é a interatividade. E não só no blog. O Jota Quest adotou como oficial uma comunidade so Orkut sobre a banda com 250 mil usuários. "Ela não é nossa", conta o vocalista. É de um fã de Brasília. Na comunidade, eles pedem ajuda. No ano passado, 20 dias antes de lançar o CD, as músicas já estavam no MySpace. E frequentadores do blog e do Orkut foram convidados a escolher a música de trabalho. Venceu "Vem Andar Comigo".

Tempo de apontar o dedo para os internautas já passou

"Como é que vocês estão fazendo com esse negócio de internet? O MP3 ferrou vocês?" É só ser reconhecido na rua que, batata, Rogério Flausino, de 40 anos, vocalista do Jota Quest, já é questionado quanto ao futuro da música e da própria banda numa época em que trocar arquivos na rede, mesmo ilegalmente, se tornou corriqueiro. "Todo mundo quer saber. Ontem mesmo um taxista veio com essa."

A resposta não é fácil. Por um lado, a internet fez as vendas de CDs despencarem. Se, em 1998, a banda comercializou 800 mil cópias do álbum "De Volta ao Planeta", em 2008, foram só 40 mil com "La Plata". Por outro lado, a mesma web também permitiu ao Jota Quest ficar mais próximo do público e o MP3, amaldiçoado como o responsável por estraçalhar com a indústria fonográfica, já fez o grupo vender 1 milhão de celulares com músicas embarcadas.

Entre esses dois extremos, a banda, um quinteto formado em 1993 e contratado pela Sony em 1996, é mais otimista que pessimista. Para eles, defensores das gravadoras mesmo no novo cenário, a questão da pirataria tende a se resolver e o futuro - por que não o presente? - da música é mesmo na internet.

Tanto que a banda lançou há um mês um site com material exclusivo e todos os discos - para escutar, não para baixar; está no MySpace, onde pôs o último CD para streaming 20 dias antes de lançar. Tem Twitter, YouTube, Flickr, blog e está no Orkut, onde "adotou" uma comunidade com 250 mil membros, na qual decidiu em votação a atual música de trabalho.

"A base principal de qualquer trabalho artístico hoje é a rede. Quando as pessoas querem buscar um som, vão ao MySpace, YouTube", analisa Rogério. "O principal objetivo é alimentar o fã, mas atraímos também outros públicos. A rede é instantânea, não precisa esperar jornal, TV para divulgar. E a informação se propaga em blogs, Orkut, etc.", diz o baixista PJ, de 40 anos.

Nesse sentido, constatam que a barreira entre bandas do mainstream, como o Jota Quest, e undergrounds está caindo. Na web, a hierarquia é a mesma, com as mesmas possibilidades de divulgação. "Ficamos de olho no que os independentes fazem, como se divulgam", diz Rogério. "Mas a questão é que a maioria das bandas não quer ser pequena. A web é só um ponto de partida, é preciso tocar em rádio, ter divulgação. Isso ainda faz muita diferença."

É aí que entraria o papel das gravadoras. Mesmo combalidas e com menor capacidade de investir, para o Jota Quest, elas ainda são fundamentais - eles mantém contrato com a Sony Music -, tanto com contatos com a mídia como para pagar a própria produção do disco.

"Há experiências como a do Radiohead (que liberou o download e permitiu às pessoas pagarem se quisessem) e que fizeram sucesso. Só que estamos no Brasil, não temos um mercado mundial", diz PJ. "Para artistas novos, é muito mais complicado se projetar sozinho. Todos os exemplos que temos hoje de músicos que fizeram muito sucesso fora de gravadoras são de artistas que se construíram antes em gravadoras", completa o baterista Paulinho Fonseca, de 40 anos.

Segundo a banda, o fato de as gravadoras estarem revendo seu papel e transformando-se de vendedoras de discos em agenciadoras de artistas dará sobrevida a elas. "A crise está no modelo. Ninguém mais quer comprar CD, ele perdeu valor. Eu mesmo só escuto músicas em MP3. É dureza digitalizar o CD", diz PJ, que confessa "baixar, mas também comprar música".

Rogério constata que hoje é impossível parar a troca de arquivos, que se tornou rotineira. Para ele, uma das soluções seria as gravadoras fecharem acordos com portais e patrocinadores para os usuários baixarem à vontade, de graça ou pagando pouco, num modelo parecido com o da gravadora Trama.

"Já se foi o tempo de apontar o dedo para os internautas e chamá-los de criminosos. O ideal seria se as grandes empresas pagassem. Os consumidores agradeceriam e os artistas e gravadoras seriam pagos."
Outra forma seria distribuir em novos formatos, como celular. O disco anterior, Até Onde Vai, por exemplo, vendeu 150 mil cópias em CD. No celular, foram 800 mil. O atual, que vendeu até agora 40 mil em CD, em celular teve 280 mil.


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