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03/09 - 00:01hs

Cofundador do YouTube garante que internet vai matar a TV
Quinta-feira, 27, e, no escritório do Google, em São Paulo, Chad Hurley, de 32 anos, cofundador do YouTube, tem 30 minutos cronometrados para a entrevista. No País pela primeira vez, ele disse que veio para "estreitar os laços com o importante mercado brasileiro". Sentado no canto de uma sala de reunião, se reclina na cadeira enquanto mexe em um surrado iPhone.
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Por Bruno Galo São Paulo, (AE)

Curioso. Afinal, ele é funcionário do Google desde outubro de 2006, quando o gigante da busca pagou US$ 1,65 bilhão pelo então emergente site de compartilhamento de vídeos - e apenas um ano e meio após sua criação. E a companhia, em que trabalha (ele segue como principal executivo do YouTube), desenvolve um sistema operacional já disponível em alguns celulares, o Android. Logo, ele põe o aparelho sobre a imensa mesa que ocupa quase todo o espaço, com sua tela sensível ao toque virada para baixo.

Quer dizer, então, que ele prefere o celular da concorrência? Antes de chegarmos a este ponto, ele começa a falar sobre seus planos para melhorar sua posição no mercado de vídeo online. O YouTube é hoje praticamente sinônimo deste mercado e detém cerca de 70% do segmento, mas ainda não é um negócio rentável.

É difícil acreditar que o YouTube tenha só pouco mais de quatro anos. Nesse período, ele mudou por completo a forma como consumimos vídeo na internet, a ponto de ser difícil lembrar como era antes dele.

Mais importante: deixou de ser conhecido apenas pelos seus vídeos engraçadinhos e se tornou uma - senão a mais - poderosa ferramenta de divulgação e promoção no crescente mercado digital.

"A internet matará a televisão, não o YouTube". A frase de efeito foi dita em sua palestra na conferência Digital Age 2.0, que foi realizada em São Paulo na semana passada. "Nos próximos anos, quando todas as TVs estiverem ligadas à internet, a ideia de assistir a um programa no horário determinado pela emissora estará morta", profetizou antes de dizer que a mídia TV só serviria para veicular eventos ao vivo.

Existe, entretanto, ao menos, um grande problema na trajetória meteórica de sucesso do YouTube. O site, que em sua origem chegou a ser comparado ao Napster, pioneiro na distribuição de conteúdo pela web (no caso, música), simplesmente não dá dinheiro.

Quando isso vai mudar? "Essa é uma grande questão. Mas há muito exagero no que sai na imprensa. Mesmo com a crise econômica, o último trimestre foi o melhor da nossa história", diz, sem revelar números, o executivo que aposta em uma mistura entre vídeos amadores cada vez melhores e produções profissionais.

Para tornar o YouTube lucrativo, Hurley, que garante não sofrer qualquer tipo de pressão por parte do Google para reverter essa situação, aposta em diferentes modelos de negócio para diferentes tipos de conteúdo. Isso não quer dizer que o site passará a cobrar dos usuários, mas sim criar melhores formas de espalhar a publicidade, tornando-o mais atraente para os anunciantes, bem como servir como plataforma para a compra de alguns vídeos específicos. Dois dias antes, o YouTube havia anunciado que irá começar a compartilhar uma parte da sua receita de publicidade com os usuários que postarem os vídeos mais populares do site.

A iniciativa faz parte de uma estratégia do site para manter sua relevância a longo prazo. "Tenho orgulho do site que ajudei a construir, mas ainda temos bastante a fazer. A experiência de uso do YouTube é muito aleatória, trabalhamos para envolver mais o público, melhorando a interface com o usuário e oferecer uma experiência completa do site em outras plataformas cruzadas , como o celular e a TV", afirma.

Perto do final da entrevista, a inevitável pergunta sobre seu celular da Apple. Desconfiado, diz: "O iPhone não é ruim. Já o Android ainda é novo e tem muitos fãs no YouTube", sorri. "Pessoalmente, estou sempre conectado, e o iPhone oferece uma experiência mais completa do que os modelos que possuem o Android." E é um funcionário do Google que diz isso...


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