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19/01 - 15:44hs
Internet serviu de faísca para mobilizar jovens contra ditadura na Tunísia
Jovens usaram Facebook e Twitter para se organizar
Agência Estado
O Magreb explodiu: Tunísia e Argélia, e, quem sabe, logo a seguir o Marrocos, estão nas ruas. Nos dois casos, são os jovens que arrastam os adultos, principalmente na Tunísia.
O pequeno país de 12 milhões de habitantes, sob a ditadura feroz de Ben Ali,
que fugiu na sexta-feira (15) do território tunisiano, enfrenta graves
dificuldades econômicas. No entanto, seu sistema educacional não é tão ruim.
Consequentemente, há centenas de milhares de jovens formados destinados ao
desemprego mais degradante. Eles são a ponta de lança das revoltas.
As
faíscas foram atiçadas pelas internet. É provável que o WikiLeaks, a organização
de Julian Assange, tenha influenciado a explosão dos tumultos. Em dezembro de
2010, os telegramas do Departamento de Estado, totalmente desconhecidos até
então, e revelados pelo WikiLeaks, descreviam com detalhes a corrupção do regime
tunisiano. Foi a faísca.
Um mês depois, a cólera dos jovens tunisianos, e depois dos argelinos,
invadiu as cidades. Depois dos primeiros confrontos, entraram em cena outros
instrumentos online. A novidade desses conflitos, a respeito dos quais a rádio e
a TV não mencionaram uma palavra, repercutiu no Facebook e no
Twitter.
Dos 12 milhões de tunisianos, 3,6 milhões acompanharam a batalha
pelo monitor dos computadores, minuto a minuto. Uma palavra grandiloquente,
ingênua e estranhamente eficaz ressoou então no céu da Tunísia. "Uma serpente de
mil cabeças saiu às ruas", proclamou Zuheir Makluf, um blogueiro de Túnis. Outro
blogueiro, Abdel Ghaza, completou: "O Facebook está no centro dos
acontecimentos. O Facebook acabou com a imagem da Tunísia que canta e dança. Nós
mostramos uma Tunísia que grita como louca".
Depois dos tumultos , a
Tunísia é o terceiro país do mundo em que a palavra "Facebook" foi a mais
buscada, façanha extraordinária para uma população de só 12 milhões de
habitantes.
As brigadas internacionais da internet uniram-se aos
tunisianos. Grupos estrangeiros contribuíram com conselhos técnicos. As milícias
do grupo hacker Anonymus prestaram solidariedade aos blogueiros tunisianos e
escreveram: "O Anonymous amplificou o grito de liberdade do povo tunisiano. O
Anonymous está decidido a ajudar o povo tunisiano em sua luta contra a
opressão". E todos os sites do governo, assim como do banco Zitouna, cujo dono é
o genro de Ben Ali, tiveram problemas.
O poder está alarmado, tanto pelo
furor das ruas quanto pelo domínio dos tunisianos das ferramentas online. A
polícia já prendeu cinco fanáticos do Facebook, que apodrecem em prisões
fétidas, mas será impossível prender todos os usuários do serviço. A internet
não se abala.
De nada serviram as tentativas de Ben Ali de apagar os
princípios de incêndio demitindo seu ministro do Interior, fazendo promessas
para 2014. Nada conseguiu aplacar a cólera.
"Com a rede à mão", proclama
enfaticamente o fórum de informática Toile, "somos a primeira guerrilha
invisível". E eis a frase gloriosa: "A História lembrará que o Pequeno Polegar
tunisiano se libertou calçando as botas do ogro internet".
(TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA)
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