Conhecida pelo lema "Don´t be Evil" (Não Faça o Mal), empresa tem sido alvo de críticas nos últimos anos

No início dos anos 2000, o Google era o retrato perfeito de uma startup do Vale do Silício: dois fundadores nerds, atmosfera de trabalho descontraída e pouca atenção com formalidades típicas de ambientes corporativos. Um dos símbolos da conduta da empresa criados na época é o slogan "Don´t be Evil" (Não Faça o Mal). Por trás dele, está o princípio de que o Google poderia fazer negócios e crescer priorizando sempre seus usuários e sem tomar atitudes consideradas pouco éticas.

O Google está abandonando suas raízes? Comente

Este slogan, porém, tem sido alvo de críticas nos últimos anos, à medida que o Google coleciona escorregões na área de privacidade e toma atitudes mais agressivas para entrar em novos mercados. A seguir, você confere uma lista de seis "maldades" do Google.

Google Buzz escorrega na privacidade

Lançado em fevereiro de 2010 , o Google Buzz foi uma das primeiras apostas do Google na área da web social. O serviço funcionava vinculado ao Gmail e permitia compartilhar links, fotos e vídeos.

Mas logo após o lançamento, foi descoberto que o Buzz gerava automaticamente uma página pública com os contatos mais freqüentes de seus usuários.

O Google rapidamente corrigiu o problema, mas não antes de sofrer pesadas críticas e processos. Em um deles, a empresa teve que pagar US$ 8,5 milhões a um usuário .

O Google Buzz nunca decolou e foi desativado no fim de 2011 .

Carros do Street View coletaram senhas

Em outubro de 2010, foi descoberto que os carros usados para capturar fotos do serviço Street View também coletavam senhas , endereços de e-mail e outros dados transmitidos em redes sem fio abertas.

A coleta ocorria porque os carros do Street View também têm sistemas para detectar redes sem fio. O Google atribuiu o erro a uma falha no software dos carros do Street View.

Concorrência desleal no Quênia

Em janeiro deste ano, o Google teve problemas com a empresa Mocality, que fornece uma ferramenta para busca de empresas no Quênia, além de outros serviços corporativos.

Sergey Brin, cofundador do Google: lema Don´t Be Evil sob suspeita
Getty Images
Sergey Brin, cofundador do Google: lema Don´t Be Evil sob suspeita
A Mocality acusou o Google de contactar seus clientes e mentir sobre uma parceria entre as duas empresas para tentar migrar essas empresas para um serviço concorrente, o Getting Kenyan Businesses Online (GKBO), do Google.

Um funcionário do Google Quênia ligava para clientes da Mocality e afirmava que ambas as empresas tinham uma parceria. Após isso, oferecia uma assinatura do GKBO, um serviço do Google voltado para ajudar empresas a montarem sites e projetos na internet.

Em texto publicado no Google+, o executivo do Google Nelson Mattos admitiu o erro  e afirmou que a empresa estava espantada ao saber que alguns de seus funcionários haviam tomado atitudes impróprias. Alguns dias depois, Mattos publicou um novo texto , em que afirma que o Google havia tomado as providências necessárias para evitar este tipo de erro no futuro. Segundo o site ReadWriteWeb , o chefe do escritório do Google no Quênia teria sido demitido.

Android irritou Steve Jobs

Steve Jobs tinha uma relação ambígua com o Google. Por um lado, ele admirava os fundadores da empresa, Larry Page e Sergey Brin, e chegou a dar conselhos para Page quando este se tornou CEO do Google no ano passado.

Jobs: magoado com suposta traição do Google
Getty Images
Jobs: magoado com suposta traição do Google
Por outro lado, Jobs tinha mágoa dos principais executivos da empresa, principalmente de Eric Schmidt, por causa do Android. Para Jobs, o Google quebrou um acordo de cavalheiros entre as duas empresas ao entrar na área de smartphones com o Android. Schmidt, que por muitos anos fez parte do conselho da Apple, deixou este cargo em 2009 após o acirramento da rivalidade entre as empresas.

Jobs acreditava haver um pacto entre Apple e Google. “Nós não entramos no mercado de busca, mas eles entraram no de smartphones”, disse durante uma reunião com acionistas em fevereiro de 2010 . Nesta mesma reunião, Jobs disse que o lema do Google (Não faça o Mal) era uma bobagem e afirmou ainda que “eles querem matar o iPhone, mas nós não vamos deixar”.

Google+ em buscas provoca crítica do Twitter

Uma das armas do Google para popularizar sua rede social Google+ é integrá-la a seus produtos. O Google+ já havia sido integrado ao Blogger, YouTube e outros serviços, mas a integração do serviço às buscas do Google vem gerando polêmica.

Com o novo recurso, chamado de Search Plus Your World, o conteúdo publicado no Google+ aparece com destaque em buscas realizadas no Google (por enquanto, apenas na versão em inglês). Uma busca por U2, por exemplo, pode incluir menções à banda feita por amigos no Google+, além do perfil do U2 no Google+.

O novo recurso dá mais visibilidade à rede social Google+. Mas a novidade vem provocando polêmica no mundo da tecnologia. Muitos analistas criticam o Google por usar seu popular serviço de busca para esconder os rivais Twitter e Facebook. Outra crítica é a que o Google estaria prejudicando seus usuários, já que os resultados do Google+ nem sempre seriam os mais relevantes.

O o próprio Twitter criticou a novidade, argumentando que ficará mais difícil para usuários do Google saberem de notícias muito recentes, já que essas costumam aparecer no Twitter. Em resposta, o Google afirmou que não entendeu a reclamação do Twitter, já que o microblog se teria se recusado a renovar o acordo que permitia o acesso a seus dados pelo buscador.

A parceria terminou em julho do ano passado. Desde então, textos publicados no Twitter estão fora dos resultados do Google. Apenas informações básicas de perfis aparecem nos resultados. A situação é a mesma em relação ao conteúdo do Facebook.

Google Maps condenado na França

Nesta semana o Google foi multado em 500 mil euros por prejudicar concorrentes do serviço Google Maps. O tribunal do comércio francês considerou que a empresa promoveu indevidamente o serviço de mapas para empresas, oferecendo preços muito baixos e favorecendo o Google Maps em detrimento de serviços concorrentes franceses nas buscas do Google. O Google disse que vai recorrer da sentença.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.