Será que tecnologias como a do Silverlight vão sobreviver ao Win 8?

Por Henrique Cesar Ulbrich

Toda a imprensa está ligada na apresentação de Steven Sinofsky, agora há pouco, sobre a apresentação do Windows 8 e da interface Metro aos desenvolvedores , na conferência BUILD da Microsoft. Mas, como em quase tudo na vida, o importante pode estar nas entrelinhas.

Algumas das “revelações” são na verdade o que se espera da Microsoft, mas na maioria dos casos são algo desejável. É reconfortante saber, por exemplo, que apesar da alegação de que (segundo Sinofsky) “o Windows 8 teve o código reconstruído”, tudo o que roda no Windows 7 deve funcionar sem problemas no Windows 8. Sabemos, pelo histórico do Windows, que isso jamais ocorreu em nenhuma troca de versão, mas é de se esperar que, neste caso, a empresa tenha feito a lição de casa e aplicado testes de compatibilidade rigorosos. Resta-nos apenas esperar para ver (espero, sinceramente, não estar errado).

Mas o que chamou a atenção mesmo, pelo menos para o pessoal mais geek, foi o diagrama em blocos do sistema. É um diagrama muito parecido, em aparência e estrutura, com os de versões anteriores do Windows , mas tem certos aspectos que, para o olho atento, brilham no escuro.

A estrutura do sistema

De acordo com esse diagrama, existirão absolutamente duas classes distintas de software no Windows 8: o software tradicional, que funciona no conceito de Desktop (igualzinho ao WIndows 7 e anteriores) e os aplicativos “Metro”. O slide deixa transparecer que serão duas classes completamente diversas de aplicativos, com ferramentas de desenvolvimento, APIs e até mesmo conceitos diferentes. Na prática, é como desenvolver para dois sistemas operacionais completamente diferentes.

É isso mesmo. O desdobramento disso: se o desenvolvedor quiser criar um aplicativo para a interface Metro, deverá jogar fora boa parte da experiência que já tem acumulado ao longo de anos, porque as APIs são completamente diferentes. Claro, você sempre pode continuar escrevendo aplicativos no antigo formato “Desktop”, mas aí, qual é a vantagem? As aplicações “desktop” ficam escondidas quando se inicia o Windows 8. O que é mostrado, em primeiro plano, é a interface Metro. É o que é promovido e festejado. É o que o usuário quer ver. É o que a Microsoft quer que você veja.

É fácil prever a dose de frustração que isso pode causar em alguns desenvolvedores. Especialmente se o Silverlight for mesmo abandonado . É claro que, olhando friamente, os novos desenvolvedores (ou os novos programas desenvolvidos) certamente cederão ao apelo da interface Metro. Mas jamais podemos esquecer os sistemas legados, especialmente em empresas, onde a mudança sempre é lenta. Puxar o tapete desses desenvolvedores pode ser um tiro no pé.

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